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Foto: Reprodução

Rock In Rio: Emicida triunfa com hits e confirma potência de “AmarElo” em show poético

É verdade que a turnê do disco “AmarElo” já rodou boa parte do Brasil depois da retomada dos shows pós-pandemia. No entanto, nenhum deles tinha recebido tanta atenção quanto o que Emicida levou ao Rock In Rio na noite deste domingo (4), seja pelo repertório já estar plenamente na boca dos presentes, seja pela quantidade câmeras que potencializou sua mensagem.

Sem surpresa, em comunhão com o todo, o rapper subiu ao palco na companhia de um grupo de amigos. Além de Rael, ele também convidou Drik Barbosa e Priscilla Alcântara para ajudá-lo na função de interpretar suas poéticas crônicas.

Pregando amor, celebração à vida e integridade política, o cantor falou sobre eleições e levou uma forte mensagem de união – sem se esquecer das já tradicionais críticas sociais. Mais comedido do que os Racionais MCs na noite de sexta-feira, ele exaltou a cultura negra e lembrou a persistência do racismo na cultura brasileira ao entoar versos como “Cês diz que nosso pau é grande/espera até ver o nosso ódio”, presentes na faixa “Boa Esperança”.

Os acenos políticos também ganharam força em canções como “AmarElo”, um hino de autoafirmação e resiliência que tem as colaborações de Pabllo Vittar e Majur. O número gerou palavras de ordem e gritos de oposição ao governo brasileiro – um chamado que fez Emicida brincar com o fato de que “não estaria escutando bem o suficiente”.

“Tinha um pessoal falando que não era de bom tom falar de política em cima do palco do festival. Mas se eu tô vivo é porque os Racionais lá atrás resolveu ser político”, disse.

Para estar na companhia de seus convidados, ele escolheu grandes sucessos. “Hoje Cedo”, com Pitty, ganhou outro tom na voz de Alcântara, que agora faz uma incursão pelo pop. Já “A Chapa é Quente” e “Luz” foram os momentos em que Rael brilhou com suas rimas afiadas.

Ainda que seu recado requeresse uma densidade de pensamentos e interpretações, a leveza do show e sua musicalidade ressaltaram a grande potência de Emicida enquanto comunicador. Foi o que se viu, inclusive, quando “Principia” abriu precedente para o fim da apresentação.

A essa altura, o cantor não tem muito mais o que provar. Mas, como se estivesse em uma grande igreja – cenário que, inclusive, se faz evocado pelos vitrais presentes nas projeções – deixou claro que o diálogo e a consciência podem ser armas poderosas na construção de um mundo mais bonito.

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