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“Travessia”, da TV Globo, estreia nesta segunda (10) com polêmica, diversidade e tecnologia

O maior produto audiovisual da América Latina, as novelas, está prestes a ganhar uma nova trama: “Travessia”. A produção, que estreia nesta segunda-feira (10), chega para ocupar a emblemática faixa das 21 horas da TV Globo, e promete hipnotizar os espectadores.

A obra conta a história de Brisa (Mariah Yohana/Lucy Alves), uma jovem que cresceu órfã, se tornou uma mulher determinada e batalhadora. Imersa no berço cultural do Maranhão, ela dança em rodas de Tambor de Crioula e se apresenta em grupos de Bumba Meu Boi, enquanto se vira para conseguir se sustentar.

Prestes a se casar com Ari (Chay Suede), Brisa tem uma mudança drástica em sua vida. É que a moça é acusada de ser uma sequestradora de crianças. Trata-se de uma deep fake: um vídeo foi editado de maneira despretensiosa e irresponsável, do outro lado do mundo, e o rosto da criminosa foi trocado pelo seu. O material, então, viraliza nas redes sociais e, a partir deste momento, atravessa de maneira transformadora a vida da jovem.

Essa parte da trama foi inspirada no caso verídico que aconteceu em maio de 2014, quando Fabiane Maria de Jesus, foi espancada até a morte por moradores de Guarujá, no litoral de São Paulo, após ser vitima de uma noticia falsa veiculada no Facebook. Ela teria sido confundida com uma suposta sequestradora de crianças para rituais de magia. Quatro pessoas foram presas pelo crime.

“Foi um caso que me impressionou muito. Ali, no caso da Fabiane, não se tratava nem de uma fotografia que tivessem trocado o rosto dela, era um retrato falado. Então, veja o alcance e as consequências que uma coisa dessas pode causar. No caso da Fabiane, não tinha nenhuma sequestradora sendo procurada. Alguém colocou de graça um retrato, que ao chegar em uma praça, reconheceram Fabiane e a moça foi linchada. Uma pessoa perdeu a vida por causa de uma brincadeira dessa”, aponta Gloria Perez, autora da novela, em coletiva à imprensa.

A obra vai colocar em pauta outros diversos crimes virtuais. No entanto, apesar dessa relação, a trama não será tecnológica. Ou seja, o foco principal será as relações do humano com a tecnologia.

A autora de ‘Travessia’, Gloria Perez, e o diretor artístico da obra, Mauro Mendonça Filho. (Foto: Fábio Rocha/TV Globo)

“Como em todos os meus trabalhos, eu gosto muito de olhar a sociedade, como nos comportamos por meio do avanço das tecnologias. Cada tecnologia nova introduz novos dramas, possibilidades novas para a humanidade. É disso que se trata o agora também. Temos um grande avanço que permite que todas as pessoas interajam entre si. O mundo fica pequeno, podemos comunicar. Mas, como usar isso? Vamos falar sobre todas as novas modalidades de crimes e coisas nefastas que se pode fazer através dessa coisa tão incrível que é a internet. É sobre isso que eu queria que as pessoas refletissem”, explica Gloria Perez.

“Travessia” chega com a importante missão de substituir o remake de “Pantanal”, sucesso indiscutível de Bruno Luperi, na grade da emissora carioca. “É muito bom estrear depois de uma novela que tenha elevado o patamar. É tudo que a gente quer. Tomara que o patamar vá mais longe ainda para que dê uma continuidade maior. É isso que desejamos”, comenta Perez.

“Para gente que faz televisão a muito tempo, a antecessora vir com um sucesso é maravilhoso. Afinal, resgatar um público é muito mais difícil do que mantê-lo. A pressão seria muito maior se fosse o contrário”, afirma Mauro Mendonça Filho, diretor artístico da novela.

Protagonistas

A gente sabe que Gloria Perez A-M-A um casal super apaixonado, né? Como Jade e Lucas, em “O Clone”. Adora também um triângulo amoroso, como o de Sol, Tião e Ed, na novela “América”. Há casos, em que fica até difícil definir uma figura geométrica para descrever a relação afetiva entre os personagens.

Por exemplo, “A Força do Querer” e os personagens Ritinha, Zeca, Jeiza, Caio, Rubinho e a inesquecível Bibi Perigosa. Em “Travessia”, as relações entre os protagonistas também vão se desenvolver de forma afetivamente conturbada.

Aliás, esse é um dos temperos da trama com Brisa, Ari, Oto e Chiara.

Brisa (Mariah Yohana / Lucy Alves) – Batalhadora e independente, Brisa (Lucy Alves), que é órfã, mora no interior do Maranhão com o “namorido” Ari (Chay Suede) e o filho deles, Tonho (Vicente Alvite). Ela é lavadeira e dança em grupos de Tambor de Crioula e Bumba Meu Boi. Tem sua vida transformada de um dia para o outro. É nesse momento, que Brisa conhece Oto (Romulo Estrela). “É um marco interessante dessa heroína, dessa mulher brasileira que não desiste”, destaca Lucy Alves.

Ari (João Bravo / Chay Suede) – Inteligente e idealista, ele é o filho de Núbia (Drica Moraes). Estudou em São Luís, mas sempre passava as férias no interior, com a mãe. Prestes a se casar com Brisa (Lucy Alves), com quem tem um filho, Tonho (Vicente Alvite), viaja para o Rio de Janeiro para recolher provas contra a demolição de um casarão histórico de São Luís. Com seu professor e grande mentor, Dante (Marcos Caruso), Ari luta pela preservação do patrimônio histórico e cultural do Maranhão. No entanto, durante essa viagem, seu caminho se cruza ao de Chiara (Jade Picon).

 Oto (Rômulo Estrela) – Hacker, trabalha com Moretti (Rodrigo Lombardi) e é o homem de confiança do empresário. Leal, direto. Sem endereço fixo, leva uma vida um pouco nômade: vai para onde seu trabalho exigir, não tem grandes amarras que o prendam a qualquer lugar, até que se encanta por Brisa (Lucy Alves).

Chiara (Jade Picon) – Mimada e manipuladora, a jovem é acostumada a ter tudo o que deseja. Todos pensam que é filha de Guerra (Humberto Martins), mas seus pais biológicos são, na verdade, Moretti (Rodrigo Lombardi) e Débora (Grazi Massafera).  Sua vida ganha um novo objetivo, e romance, quando conhece Ari (Chay Suede).

“É uma grande história de amor, recheada de muitos conflitos. Eu quero que mais uma vez as pessoas se dividam entre ‘com quem ela (Brisa) tem que ficar’ e ‘para onde ela deve ir’. Tem horas que você vai ficar com muita raiva do Ari. De repente, ele reverte tudo e você deixa de torcer pelo Oto. Ele pisa na bola outra vez e você volta a torcer pelo Oto. Esse é o jogo da novela. Ao mostrar as pessoas muito humanas, vai mostrando as contradições delas. E o público vai decidir com que par querem viver o grande amor”, explica Glória Perez.

O comeback (Helô, Stenio e Creusa)

Delegada Helô (Giovanna Antonelli). (Foto: João Miguel Júnior/TV Globo)

Já se perguntou como seria a continuidade dos seus personagens favoritos, depois do último capítulo de uma novela? O casal apaixonado continua junto? O vilão que fugiu para outro país foi pego?

Bom, em “Travessia”, os fãs do trio Helô, Stenio e Creusa, da novela “Salve Jorge”, terão suas curiosidades respondidas. É que, dez anos depois, novamente separados, a delegada Helô (Giovanna Antonelli) e o advogado Stenio (Alexandre Nero) estão de volta às telinhas.

“Nessa novela, eles cabiam perfeitamente. Helô é uma delegada e vamos precisar de um advogado também”, enfatizou a autora da trama. No entanto, dessa vez, os personagens devem ganhar ainda mais destaque.

“Em ‘Salve Jorge’, o casal ficava muito restrito na relação deles. Nessa novela, eles estão absolutamente inseridos na história central e a parte profissional dos dois está tão forte quando a parte afetiva”, completou Gloria.

Stenio (Alexandre Nero). (Foto: Ellen Soares/TV Globo)

Stenio segue sendo aquele advogado que não julga o cliente e defende sua inocência a todo custo, até mesmo lançando mão de meios pouco ortodoxos, caso necessário. Agora, conta com uma sócia, a também advogada Laís (Indira Nascimento). Ela é casada com Monteiro (Aílton Graça), um professor de história que não aceita ver que sua filha adolescente, Isa (Duda Santos), cresceu e quer criar asas. Os dois também são pais de Theo (Ricardo Silva).

“A semente é a mesma. Aquela coisa típica deles, passando pelo humor e vamos passear sobre isso. Esse tramite de humor, afeto e carinho. Como qualquer pessoa, eles tiveram suas mudanças. São os mesmos, mas com mudanças”, comenta Alexandre Nero.

Já Helô (Giovanna Antonelli) agora tem mais uma especialização: crimes digitais. E acaba de assumir uma nova delegacia. Essencialmente, permanece a mesma mulher com sólidos valores éticos e morais, forte e determinada na repressão ao crime.

Na nova delegacia, ela trabalha com a investigadora Yone (Yohama Eshima). Passará por lá a disputa envolvendo Brisa (Lucy Alves) e Ari (Chay Suede) por Tonho (Vicente Alvite), entre outros casos que servirão como pano de fundo para muitos desentendimentos e reviravoltas na vida do ex-casal

“O trio é de amor e humor. Eu penso na Helô e como mulher me sinto representada por ela”, afirma Giovanna Antonelli.

Dona de um jeito único, Creusa (Luci Pereira), promete divertir a todos mais uma vez. Madrinha de Brisa (Lucy Alves), ela volta para o Rio de Janeiro para trabalhar novamente com Helô e quer muito ajudar na reconciliação dos patrões, Helô e Stenio.

Cenários e paisagens

Rodrigo Lombardi, que interpreta Moretti, gravou em Portugal. Bastidor do ator com Mauro Mendonça Filho em Lisboa. (Foto: Adriano Fagundes/TV Globo)

Uma novela de Glória Perez sem viagens não é uma novela de Glória Perez. Em “Travessia”, o espectador vai poder conferir o desenrolar de histórias que passam por Portugal, Maranhão e Rio de Janeiro. Para isso, o elenco realizou gravações nestes locais.

Além disso, foram implantadas, em uma área de mais de 7 mil metros quadrados dos Estúdios Globo, as cidades cenográficas da novela. Os espaços reproduzem o bairro de Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro, e parte do Maranhão, mais especificamente, a venda de dona Núbia (Drica Moraes).

“Eu sempre trago (outras culturas) porque eu gosto muito de falar sobre diversidade. Em todas minhas novelas você vai ver esse conflito entre pessoas que pensam diferente, entre pessoas que enxergam o mundo de maneira diferente. Eu acho que isso é o nosso melhor espelho, quando você enxerga um outro modo de viver, você enxerga o seu melhor e mais nítido”, afirma Gloria.

Essa experiência de gravação fora dos Estúdios Globo serviu como combustível para estabelecer um elo entre os atores. É o que aponta Chay Suede.

“Foi importantíssimo ter gravado no Maranhão. Para o nível de percepção de como eles falam, coisas que não tem na internet. Além da conexão com a nossa equipe, diretor e outros atores. Ter começado por lá [Maranhão] teve uma importância muito grande. Estar lá com a equipe integrada fez muita diferença e percebi isso quando cheguei no Rio. Trouxemos histórias em comum. Eu e Lucy temos memórias em comum do Maranhão, como atores, e de alguma maneira a gente consegue transformar em memórias de Ari e Brisa”, conta o protagonista da novela.

***

“Travessia” é criada e escrita por Gloria Perez, com direção artística de Mauro Mendonça Filho, direção de Walter Carvalho, Andre Barros, Mariana Richard e Caio Campos. A produção é de Claudio Dager e Tatiana Poggi; e a direção de gênero é de José Luiz Villamarim.

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