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“Ainda Estou Aqui” é ovacionado por 10 minutos: veja o que a crítica gringa está falando

Aconteceu, neste fim de semana, durante o Festival de Cinema de Veneza, a aguardada estreia do longa “Ainda Estou Aqui“.

Estrelado pela dupla Fernanda Torres e Selton Mello, o projeto tem direção de Walter Salles, que também retoma a celebrada parceria com Fernanda Montenegro em uma participação especial.

Além do fato de terem sido aplaudidos por quase dez minutos após a sessão, um termômetro para a recepção do grande público, o longe foi ovacionado em suas primeiras críticas.

A revista norte-americana Variety, por exemplo, ressaltou como o diretor construiu um retrato “profundamente comovente da memória sensorial de uma família e uma nação rompidas”. O texto também foi direto ao ponto quanto à mensagem de Salles sobre possíveis ameaças antidemocráticas no país.

“O fato de o filme terminar com o clã agora ainda mais ampliado de Eunice reunido novamente em um jardim arejado para uma fotografia familiar sorridente transforma-o em uma história de advertência, endereçada às forças no Brasil e além, que buscam um retorno à repressão e ao governo pelo medo. (…) O povo que vocês tentam oprimir viverá para ver vocês sendo desaprovados e rejeitados pela história, enquanto aqueles que resistem terão canções e histórias escritas sobre eles. Eles inspirarão música e arte em celebração de suas vidas e terão filmes tão comoventes e belos quanto “Ainda Estou Aqui” feitos em sua honra”.

Outra publicação de peso dos Estados Unidos é a revista The Hollywood Reporter, que lembrou a importância da participação de Fernanda Montenegro — com quem Salles foi amplamente premiado em 1998 a partir de “Central do Brasil“.

“Seu papel exige que ela se expresse apenas através de seus olhos expressivos. O que torna a conexão ainda mais comovente é que ela aparece como a versão idosa e debilitada da protagonista — uma mulher de força e resistência silenciosa interpretada pela filha de Montenegro, Fernanda Torres, com uma graça e dignidade extraordinárias diante do sofrimento emocional”.

O site Deadline define o enredo como “um ato de rebelião pela felicidade” e relembra a campanha feita por Montenegro ao Oscar, em 1999. Agora, a publicação afirma ser a vez da filha trilhar esse caminho.

“Fernanda Torres demonstra uma delicadeza emocional como Eunice transmitida através dos sinais mais mínimos e sutis. Esta é uma atuação que deveria lançá-la na corrida por prêmios, 25 anos após sua mãe, Fernanda Montenegro, ter sido indicada ao Oscar pelo trabalho com Salles em ‘Central do Brasil’. (…) Trata-se de um filme de defesa política, que alerta contra o esquecimento do que a tirania fez ao país e das marcas deixadas para trás. Assim como celebra, faz também uma defesa do Brasil”.

A obra também foi analisada pelo site IndieWire. Na crítica da jornalista Leila Latif, ela lança luz sobre a reminiscência do que há de mais poderoso em uma família, mesmo que a morte em vias cruéis tenha sido uma pedra no caminho.

“O luto é geralmente descrito em cinco estágios — negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Mas no pesadelo suportado pela família Paiva não há esperança de aceitar o que lhes aconteceu, já que o governo que torturou e executou o amado chefe da família nega até mesmo que ele tenha sido preso. O filme, no estilo clássico de biografia, exibe uma série de fotografias das figuras reais antes dos créditos finais, o que solidifica que esta é uma obra sobre crueldade indescritível, mas também sobre um legado de amor”.

O jornal britânico The Guardian, por sua vez, foi um pouco mais neutro e falou sobre a relação prévia de Salles com a família Paiva, o que teria deixado as coisas menos imparciais — escolha que, de forma alguma, tira o brilho do resultado final.

“Possivelmente, o diretor Walter Salles enfatiza um pouco demais o bom ânimo da família, destacando uma atmosfera solar para que sintamos mais agudamente a chuva fria quando ela cai. O cineasta brasileiro conhecia os Paiva quando era criança e, portanto, sua narrativa baseada em fatos sobre a situação deles é compreensivelmente comprometida e sujeita a um toque de sentimentalismo. No entanto, ‘Ainda Estou Aqui’ continua a ser um drama sombrio e comovente sobre os desaparecidos do país”.

O longa deve estrear nos Estados Unidos em outubro. Por enquanto, ainda não há informações sobre lançamento no Brasil.

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