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Uma Thurman revela assédio cometido por Harvey Weistein e abuso de Tarantino em “Kill Bill”

Na época em que diversas atrizes denunciaram Harvey Weintein por assédio sexual e estupro, Uma Thurman deu uma declaração que marcou: “Eu aprendi que quando falo com raiva, geralmente me arrependo da maneira como me expressei. […] Quando estiver pronta, direi o que tenho a dizer”. Agora, ela conta o que aconteceu.

A atriz contou tudo ao New York Times e detalha que tudo aconteceu na época de “Pulp Fiction”. “Eu o conhecia muito bem antes de ele me atacar […] Nunca fui querida entre os estúdios. Ele me dava os filmes e diretores que eram certos para mim”.

Então, ela conta que o primeiro caso foi no quarto de hotel dele em Paris. Eles estavam conversando sobre um roteiro quando, do nada, Weinstein tirou o roupão. “Não me senti tão ameaçada. Lidei como isso como se ele fosse caricato, tipo aquele seu tio infame”, disse. “Eu o segui até uma porta e era uma sauna. E eu estava de pé na minha roupa de couro preto. Estava tão quente e eu disse: “isso é ridículo, o que você está fazendo?” Harvey acabou ficando muito nervoso e bravo. No fim, ele desistiu”.

Mas o primeiro ataque real foi no quarto dele no Hotel Savoy de Londres.

Ele me jogou para baixo, tentou se esfregar em mim. Ele tentou se mostrar, tentou todas as coisas mais nojentas. Mas ele não conseguiu nada e me forçou. Você fica como um animal tentando fugir, um lagarto. Eu estava fazendo de tudo para sair dessa. […] No dia seguinte, um buquê de rosas chegou […] eu abri como se fosse uma fralda usada e dizia ‘Você tem bons instintos.

Thurman conta que já chegou a ameaçar Weinstein também. “Se você fizer isso com outra garota, você vai perder sua carreira, sua reputação e família. Eu te prometo”.

Já na época de pré-produção de “Kill Bill Vol. 1”, Quentin Tarantino entra na história. Num jantar após o Festival de Cannes de 2001, o diretor percebeu que ela estava se sentindo apreensiva perto de Weinstein. Ele perguntou a ela o que houve e ela contou sobre o Hotel Savoy. “Ele relevou do tipo ‘Coitado do Harvey, tentando ficar com garotas que ele não pode ter’.

Tempo depois, ela contou de novo a história e ele tomou atitude. “A ficha caiu, ele confrontou Harvey”, disse. Isso fez Weinstein se desculpar pelo ocorrido.

Apesar de centenas de denúncias e depoimentos recentes, nenhuma delas ainda conseguiu colocar Weinstein em julgamento na justiça. Mesmo assim, a movimentação anda gerando várias transformações positivas na indústria.

E também houve confusão com o Quentin Tarantino

Sabe a cena icônica de “Kill Bill” em que Uma Thurman dirige um carro em preto e branco? A atriz contou que sofreu um grave acidente ao gravar e revela que Quentin Tarantino a persuadiu para fazê-la.

O diretor pediu para ela realmente dirigir o carro, mas um membro da equipe disse que o automóvel não estaria funcionando bem. Ela insistiu que não queria fazer, mas não foi ouvida.

Quentin apareceu no meu trailer e não quis ouvir “não”. Ele estava bravo porque eu estava atrapalhando o tempo deles. Ele disse: “Te prometo que o carro está bom, é uma linha reta […] Corra 60 km/h ou seu cabelo não vai balançar da forma certa e terei que fazê-la repetir”. Mas eu estava numa situação péssima. O assento não estava preso e a estrada era de areia e não era reta.

Thurman deu ao NY Times o vídeo do acidente, que ela conseguiu após uma luta de 15 anos em que ele escondeu a filmagem. Ela bate o carro numa árvore e sofre sérios ferimentos na perna, no pescoço e na cabeça. O acidente pode ser visto neste link.

Quando ela quis ver a filmagem, na época, a Miramax disse que só mostraria se ela assinasse um termo livrando todos das responsabilidades e das consequências na saúde dela. “Eu e ele brigamos por anos”, disse sobre Tarantino.

“Ele se desculpo 15 anos depois me dando a filmagem. Não que isso importe agora, já que tenho meu pescoço danificado permanentemente e meus joelhos ferrados”, diz.

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