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“É fruto de políticas públicas inteligentes”, diz Kleber Mendonça Filho sobre “O Agente Secreto”
O cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho falou, nesta quinta-feira (22), em “energia incrível” do povo brasileiro diante das quatro indicações de “O Agente Secreto” no Oscar 2026 (incluindo, a de melhor filme).
No vídeo em que celebrou as nomeações, o diretor opinou sobre como políticas públicas culturais podem moldar e transformar a sociedade.
Leia íntegra do texto do cineasta:
“Muito obrigado por toda essa energia tão incrível que estamos sentindo do público brasileiro para “O Agente Secreto” e essas quatro indicações. Fiquei bem nervoso, mas foi bom acompanhar ao vivo a transmissão. Quero, também, agradecer a Neon pelo trabalho que vem sendo feito, e que agora terá continuidade no mês de fevereiro nos EUA divulgando o filme. Agradecer a Vitrine Filmes, aqui no Brasil, que fez o filme ser um arrasa quarteirão aqui. Passamos de um 1,5 milhão de espectadores, o que é absolutamente incrível. Quero mandar um grande abraço pro Wagner Moura, que estava num avião quando ele soube da indicação de melhor ator. Queria dizer uma coisa que é muito bom: esse filme está vindo um ano depois do “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles. Esse filme tem o mesmo número de indicações que o “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles e Katia Lund. Fala-se muito dessa coisa das grandes premiações prestigiosas, mas eu quero lembrar que O Agente Secreto é uma combinação de muitas outras coisas. É a combinação de vir de uma cidade que é o Recife, que tem um talento nato para a cultura, para a literatura, para o teatro, para a música e, claro, para o cinema. O Agente Secreto não surgiu esse ano. Ele é fruto de muitos outros filmes. Não só os filmes que eu já fiz, mas não existiria sem “Amarelo Manga”, de Cláudio Assis, que foi a primeira vez que eu vi a cidade do Recife em uma tela de cinema. Aquilo me impactou muito. O filme é fruto de muitas coisas… É fruto de políticas públicas são uma maneira inteligente, está na nossa Constituição, de você investir na identidade do próprio país com políticas públicas para as artes. Eu realmente acho que a população do nosso país passa a se ver e é muito interessante e importante quando você se vê. Ver filmes de outros países é também parte do que nós somos. Eu fui construído vendo filmes do mundo inteiro e, claro, também de Hollywood. Mas você vê filmes brasileiros, produção artística brasileira, é de extrema importância. E o Brasil é um país que usa de forma inteligente o investimento público em produtos culturais por aqui. Assim como a indústria automobilística e o agro por aqui. Tudo isso faz parte de como a sociedade funciona. Investir no produto cultural do país é uma maneira inteligente de construir esse dinheiro. Temos novos filmes nacionais que vão estrear em [Festival de Cinema de] Berlim. Um grande abraço para todo mundo que tem acompanhado a trajetória de O Agente Secreto desde maio, em Cannes, e estamos aí. Tô muito feliz com esse dia de hoje. Um grande beijo.”
Assista ao vídeo:
Wagner Moura concorre em melhor ator no Oscar 2026, depois de vencer o Globo de Ouro e Cannes na mesma categoria.
O brasileiro Adolpho Veloso disputa, ainda, a categoria de melhor fotografia por “Sonhos de Trem”.
O filme “Pecadores, de Ryan Coogler, recebeu nada mais, nada menos que 16 indicações ao prêmio. A obra, então, bateu o recorde que pertencia a “A Malvada” (1950), “Titanic” (1997) e “La La Land” (2016), que conquistaram 14 nomeações em seus respectivos anos.