Depois de dois álbuns e uma trajetória em construção dentro do pop nacional, Jhimmy Feiches chega a um novo momento. Em “Bonito na Vida é Se Apaixonar”, o artista transforma encerramentos de ciclo, descobertas pessoais e a leveza de se permitir amar novamente no centro de um trabalho que também amplia suas referências sonoras.
Com raízes fincadas no Amapá e influências amazônicas presentes em sua música, Feiches aposta agora em uma linguagem mais universal — construída em parceria com produtores e compositores de diferentes regiões do país — sem deixar de lado o território que molda sua identidade artística.
Em entrevista ao Papelpop, ele falou sobre o novo disco, a virada de perspectiva que inspirou as canções e a importância de representar o Norte e a comunidade LGBTQIA+ dentro do pop brasileiro.
PAPELPOP: Pra quem está te conhecendo agora: quem é Jhimmy Feiches como artista e o que você sente que te diferencia dentro do pop brasileiro hoje?
Eu sou um artista amapaense e gosto muito de falar do lugar de onde eu sou, do lugar onde eu vivo e de como isso influencia o meu modo de pensar, de amar e de ver o mundo. Acho que esse é o meu grande diferencial.
Eu gosto de cantar sobre as minhas paixões, sobre a minha vida, a partir da perspectiva de quem é do Amapá. E a gente não costuma ver artistas de lá ocupando os espaços onde estão os outros artistas pop do país.
Tenho muito orgulho de poder chegar perto de artistas de outras regiões do Brasil e cantar sobre o Amapá.
Você já está no terceiro álbum, mas ainda vive esse começo de trajetória no pop. O que mudou do seu primeiro trabalho até Bonito na Vida é Se Apaixonar?
Esse terceiro álbum é quase como uma nova estreia para mim, porque estou me permitindo cantar de uma forma que nunca cantei antes.
Nos meus primeiros trabalhos havia uma pegada regional muito mais forte, com reflexões muito ligadas à perspectiva de mundo enquanto amapaense.
Neste disco isso ainda existe — porque é impossível não trazer esses elementos — mas ele também tem uma linguagem muito mais universal. Falar sobre se apaixonar tem essa força universal.
Por isso também foi importante trabalhar com produtores e compositores de outras regiões, como Felipe Barros, Lastra, Mogli e a galera da The House. Foi uma experiência muito bonita construir esse trabalho em colaboração.
Você já contou que o disco nasceu do encerramento de ciclos e daquele desconforto de não saber muito bem para onde ir. Qual foi o momento que virou a chave e fez esse sentimento virar música?
A virada de chave aconteceu quando percebi que o fim de um ciclo também é o início de outro — e que o começo desse novo ciclo também precisa ser celebrado.
Quando me dei conta disso, pensei: preciso escrever e cantar sobre esse sentimento. Pode parecer um clichê, mas para mim foi uma sensação completamente nova.
O título entrega uma visão bem otimista: se apaixonar como ponto de partida. Quando você percebeu que queria colocar a paixão no centro da narrativa, em vez da dor ou do fim?
Eu já cantei sobre coração partido antes, e esse é um sentimento muito explorado na música pop porque a gente sempre volta para ele.
Só que chega um momento em que você percebe: é muito gostoso se apaixonar.
A gente vai se apaixonar, desapaixonar, quebrar a cara… e depois se apaixonar de novo. Porque não tem coisa melhor do que isso.
Ao longo das faixas, o amor aparece em várias versões. Em qual dessas fases você sente que está vivendo hoje?
Com o lançamento do álbum e com as conquistas que o meu trabalho está me proporcionando, sinto que minha vida está caminhando para um lugar de leveza que eu tenho gostado muito.
As faixas com que mais tenho me identificado nesse momento são justamente a música-título, Bonito na Vida é Se Apaixonar, e também “Duas Rodas”.
Elas falam muito sobre esse lugar de estar confortável com a possibilidade de voltar a lugares que já visitamos, para amores que já amamos.
Sua sonoridade mistura pop experimental com referências amazônicas. Como a vivência na Amazônia influencia a forma como você constrói melodias e sentimentos nas suas músicas?
Muitas das minhas músicas nascem do toque da caixa de marabaixo. A partir desse toque eu consigo revisitar experiências da minha vida e transformá-las em música.
No meu primeiro trabalho eu refleti sobre a minha relação comigo mesmo. No segundo, sobre a minha relação com a minha família. E nesse terceiro álbum eu reflito sobre a minha relação com outros homens.
Mesmo fazendo pop, a música amazônica está ali, inserida no meu trabalho. Nos shows eu sempre tenho um momento em que toco a caixa de marabaixo — e é um dos momentos mais emocionantes.
Como artista nortista e LGBTQIA+ dentro do pop, você sente que sua música também carrega um posicionamento, mesmo quando está falando só de amor?
Eu entendo que a minha presença nunca é só a minha presença. Ela carrega tudo o que eu construí.
Eu já usei cabelo grande, uso figurinos que se desprendem de gênero, e gosto de pensar na minha presença como uma história.
Como homem gay do extremo Norte, fico muito honrado em poder ser uma das pessoas LGBTQIA+ da região cantando sobre as nossas experiências em forma de música pop — e, quem sabe, inspirando outras pessoas também.
Quer saber mais? Confira aqui e veja os vídeos da entrevista:
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