música

De óculos Juliet e camisa do Brasil, Ruel se joga na plateia e entrega show enérgico no calor de SP

Se tem um artista que saiu do Lollapalooza Brasil 2026 com status atualizado, foi Ruel. O australiano — que já vinha flertando com o público brasileiro há anos — basicamente oficializou: virou príncipe por aqui também.

Com quase dois metros de altura e zero dificuldade em dominar o palco, Ruel entregou um show que, mesmo minimalista na estrutura, funcionou do começo ao fim. E minimalista aqui é só no cenário mesmo: no vocal, ele não economiza em nada. Seguro, afinado e confortável, ele sustenta cada faixa com um vozeirão que preenche qualquer espaço. Logo de cara, ele já mostrou que também entende de presença estética: abriu o show com um look all black, calça de couro e um óculos Juliet rosa que dava um contraste divertido ao visual mais sóbrio — quase um acessório-assinatura daquele momento.

O palco contava com um telão esperto, que ajudava a guiar a experiência com visualizers, trechos de letras e clipes — um recurso simples, mas eficiente pra manter o público ainda mais conectado. Na banda, só o essencial: baixista e baterista. O resto ficava por conta dele, que ainda alternava entre guitarra (uma branca que refletia o sol direto na plateia, quase um efeito especial involuntário) e violão — embora os momentos mais acústicos tenham sido raros.

E se dependesse da plateia, podia estender o show por mais uma hora fácil. Lotado, cheio e completamente entregue, o público cantava tudo — dos singles que viralizaram entre 2018 e 2019 até faixas dos álbuns “4th Wall” e “Kissing My Feet”. Era hit atrás de hit, com coro garantido. No meio disso tudo, ele ainda reforçou o título de “quase brasileiro”: vestiu uma camisa do Brasil e levou a interação a outro nível ao descer do palco e literalmente se jogar na galera, num daqueles momentos que transformam o show em experiência coletiva.

Musicalmente, Ruel joga num terreno confortável: melodias acessíveis, com aquele toque pop elegante que lembra Harry Styles e, trazendo pro contexto nacional, algo na linha de Jão. Pode até soar como uma “fórmula fácil”, mas funciona — principalmente quando vem acompanhada de carisma, presença de palco e uma entrega honesta.

No fim, ficou aquela sensação meio óbvia: ele já não é mais aposta, é realidade. E talvez por isso mesmo, merecia um slot mais nobre no line-up. Porque energia, repertório e público pra isso ele claramente já tem.

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