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Céu celebra 20 anos do álbum de estreia: “Abriu caminhos e envelhece como um vinho”

Céu tem muito o que comemorar.

O álbum de estreia da cantora e compositora paulistana, “Céu” (2005), completou 20 anos em 2025 e ainda reverbera na música popular brasileira com sua mescla de tradição e modernidade, marcada por influências do samba ao reggae e do soul aos beats eletrônicos.

À época de seu lançamento, o disco repercutiu pelo Brasil e mundo afora. Chegou a ser indicado não só ao Grammy Latino, mas também ao Grammy, entrou na Billboard 200 e, sobretudo, mostrou possíveis rumos para os artistas da cena que estavam distantes do olhar mainstream.

O projeto, então, pede uma celebração à altura. A turnê “Céu 20 Anos” assume parte dessa missão, que chega na Audio, em São Paulo, na noite desta sexta-feira (23), após passar pelo Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Além dos shows comemorativos, “Céu” ganha uma edição inédita em vinil translúcido pelo clube Noize a partir da segunda quinzena do mês de abril. Diferentemente do LP original, a nova tiragem inclui todas as 15 faixas para que o trabalho seja escutado completo, em seu esplendor.

“É bastante emocionante poder voltar para esse momento que me trouxe tantas alegrias e que foi o motor de toda a história. Foram muitos frutos lindos desde o lançamento desse álbum”

Em bate-papo com o Papelpop, a artista divide o sentimento de orgulho pela sua trajetória artística e reflete sobre os desafios da música duas décadas após a estreia.

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Papelpop – Vinte anos de “Céu”, o álbum, e Céu, artista. Como você está se sentindo diante desse marco? 

Céu – Feliz de mexer nesse baú porque estou vendo que realmente foram muitos frutos lindos desde o lançamento desse álbum. É bastante emocionante poder voltar para esse momento que me trouxe tantas alegrias e que foi o motor de toda a história.

PP – O álbum não só te revelou, mas te catapultou para o mundo, te garantiu uma indicação no Grammy e trouxe um frescor para a música brasileira da época. Como você avalia a trajetória do álbum até aqui?

C – Tenho muito carinho [por essa trajetória]. Quando eu revisito cada canção, cada arranjo e o próprio show em si, percebo que está tudo muito real, inteiro e íntegro. Se alguém me perguntasse se eu teria mudado alguma coisa do disco, do som, eu diria “não”. Vejo as minhas vulnerabilidades e um monte de coisa que, hoje, poderia estar entregando mais, mas eu sabia que, ali, era o que eu podia dar e dei o meu máximo. Tenho muito orgulho disso.

Evidentemente, foi um caminho de 20 anos… bati cabeça, também acertei, aprendi a olhos nus do público no palco, mudei como performer. Foi uma série de aprendizados, e quem veio junto foi matéria importantíssima, foram confidentes dessa evolução que eu tive, e só tenho a agradecer. Não tenho nada a dizer do tipo: “Ah, poxa, eu teria feito tudo diferente”. Acho que eu estava inteiraça e vejo o retorno de pessoas da própria classe artística, gente nova, maravilhosa e talentosa, que chega e fala: “Pô, seu álbum foi fundamental para mim, para eu começar a escrever…”. Essa era a ideia! Acho que é um álbum que abriu caminhos para uma geração, então faz o papel dele, e que envelhece bem como um vinho. É um disco que vai envelhecendo e tomando corpo, abrindo para uma geração muito poderosa que está chegando.

PP – É desafiador fazer um disco que envelhece bem?

C – Não diria que a atemporalidade é mais difícil hoje porque eu sempre acredito que as coisas são possíveis. Sou uma pessoa otimista e acho que a gente vive um espiral: tudo vai e volta, vai e volta. Não acredito que ali era mais especial do que hoje. Hoje a gente tem grandes ganhos também. Mas a gente vive um momento de saturação, de muitas vozes falando ao mesmo tempo, e isso dificulta um pouquinho alguns processos para os artistas e para a arte. Então, talvez existam mais desafios nesse lugar de perdurar e de aprofundar. Mas eu acredito que sempre tem alguém que fura um negócio, que faz uma coisa que ninguém está imaginando, que mistura uma coisa esquisita com outra ou que até volta para um clássico, sabe? Acho que, para conseguir atravessar, você tem que estar bem sincronizado com o seu tempo.

(Foto: Luiza Ananias/Divulgação)

PP – Você chega a São Paulo com o show comemorativo nesta semana, mas já o apresentou em outras cidades. Como tem sido trazer o álbum de volta para o palco e revisitar esse repertório ao vivo?

C – Estou animada para levar mais longe o show, que está muito lindo. Estou sentindo a energia do público muito forte, muito poderosa. Comecei no Circo Voador, que é jogo ganho porque a energia é única e sempre muito a favor. Acho que não é só comigo… sinto isso com o meu trabalho, mas entre amigos artistas, a gente sabe. O Circo me deu esse presente de já começar com o sarrafo muito alto. O público veio e foi muito bom. Mas estou louca para levar esse show para a Bahia [terra natal da repórter], que é um público que, meu Deus, sempre comparece fortemente. Vamos ver se eu consigo. Estou achando que vamos fechar a data. Quero demais.

PP – Além dos shows, você lança um vinil de “Céu” pela Noize. Para você, o quão importante é manter a cultura das mídias físicas em um momento dominado pelas plataformas digitais, pelas redes sociais, pela IA, pelos celulares de forma geral?

C – Primordial a gente manter. O digital pode sofrer uma saturação. É um universo necessário, mas que eu não acho seguro ainda. Acho que o universo analógico, físico ainda se faz um lugar humanamente seguro (risos). Então, eu sempre vou ser uma pessoa defensora de vinis, cujo som tem um corpo diferente. Acho que o físico é uma garantia. Não é que eu sou contra o digital, mas acho que essa coisa de pegar um objeto, pegar uma descrição de créditos, de quem estava tocando no disco ou fazendo a arte, ou pegar uma fotona grande e não só tela… eu gosto. Sou uma pessoa mais analógica. Brinco e me divirto com o digital, mas minha fundação, vamos dizer assim, é mais analógica.

PP – E o que significa para você o relançamento do seu primeiro disco, de 20 anos atrás, em vinil?

C – Foi uma oportunidade maravilhosa. Eu mexi na versão original porque no vinil que a gente tem do primeiro disco, não couberam todas as músicas. O vinil tem essa limitação. Então, como eu quis colocar todas as músicas [dessa vez], a gente abriu a versão original e fez uma edição — em “Veu da Noite”, por exemplo — para o disco da Noize. Está todo especial.

PP – Isso mostra como a música segue viva, né? E, então, capaz de se modificar mesmo 20 anos depois.

C – Exato. Acho que é válido se adequar, então fui lá e mexi sem pudor. Chico Beto, que é o produtor, fazia muitos anos que eu não falava com ele… fiquei feliz de poder encontrá-lo para fazer isso (risos). Acho que é sobre aproveitar e sempre dar acesso às formas possíveis, navegar todas as mídias possíveis, para todos.

PP – Depois de celebrar esses primeiros 20 anos de carreira, está animada, ansiosa ou com o coração mais tranquilo para os próximos 20? O que há no horizonte de Céu?

C – Estou muito animada porque o ano passado foi um ano de renovação para mim, profissionalmente falando. Abri meu selo e minha editora, passando a cuidar da minha carreira de uma maneira mais próxima, em um lugar mais de compreensão 360º do que significa ser artista no Brasil. Foi muito interessante, foi um ano de muito aprendizado ao abrir a Coral Music, e você se inspira para escrever mais, então, com certeza, coisas novas devem surgir por aí ainda este ano.

Então, estou animada. Acho que nunca foi tão bom estar na idade que estou agora. Quando eu era jovem, eu pensava: “Meu Deus, 45 anos, eu vou ser uma senhora caquética”. Mas eu me sinto muito mais interessante. Acho que as mulheres estão podendo. Muitas amigas minhas dividem esse mesmo lugar. Acho que a gente está mais dona de si, sabe? Mais protagonistas das nossas novelas (risos). Estou feliz para os próximos 20. Que venham!

(Foto: Luiza Ananias/Divulgação)

“Céu 20 Anos” em SP

Data: 23 de janeiro de 2026 (sexta-feira)
Horário: 21h (abertura da casa) | 22h45 (início do show)
Local: Audio – Av. Francisco Matarazzo, 694, Água Branca, São Paulo (SP)
Ingressos: Ticket 360

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