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Mu540 quer levar funk para festivais de música eletrônica: “Só Alok e Vintage vão ter esse cachê?”

Mu540 — nome artístico do produtor musical e DJ Murillo Oliveira Santos — entrou em 2025 com uma sensação de dever cumprido e, ao mesmo tempo, uma sede de mais — mais beats, mais sets e mais conquistas.

No ano anterior, afinal, esgotou uma turnê europeia, concorreu ao Prêmio Multishow de DJ do Ano e se sagrou como um dos 25 DJs mais inovadores do mundo pela revista britânica Mixmag, uma das especializadas e mais reconhecidas do ramo.

O cria da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, também lançou um EP, intitulado “4X4”, para coroar o ano, inaugurando uma fase mais combativa à má divulgação do funk dentro da cena eletrônica do Brasil e do mundo.

“Coloquei 100% do meu coração, minha cara e minha persona nesse bagulho [o disco]”, conta ao Papelpop.

“Nós, favelados, da quebrada, conseguimos aprender como os caras fazem lá fora, mas eles não aprenderam a ter o nosso balanço, nosso molho e nosso groove. Sabemos masterizar e mixar muito bem, mexer em todos os programas e ler em inglês – falar talvez não, mas ler sim. E é isso que eu quero mostrar”, acrescenta.

No auge de seus dez anos de carreira, o artista tenta abrir espaço não só para si, mas também para o ritmo brasileiro de forma geral e os colegas, em lugares que antes “só os ricos ocupavam”.

“Burning Man, Tomorrowland, Ultra Music Festival… esses festivais de música eletrônica nunca chamaram um DJ de funk. Por quê? O que mais a gente precisa provar para estar nesses espaços e receber esse cachê, mano? Só Alok e Vintage [Culture] vão ter esse cachê? Aí é f*da”, exemplifica.

No Brasil, por exemplo, no festival Só Track Boa, que aconteceu no ano passado na NeoQuímica Arena, em São Paulo, o funk foi entendido como parte do movimento da música eletrônica e teve destaque no palco LuvLab, com shows do próprio Mu540 com Mochakk, Caio Prince, Vhoor e mais.

Sua expectativa também é seguir conquistando o público: “Eu só preciso de dois minutos no ouvido das pessoas. E quero que elas sintam o mesmo que senti. Essa é a comemoração do meu trabalho, né? Eu fazer a coisa aqui, sentir, passar para você, exportar, e você sentir daí a mesma coisa que eu”.

(Foto: Divulgação)

Para acompanhá-lo nessa caminhada às pistas do Brasil afora, dando voz nas sete faixas de house mesclado com funk em “4X4”, Mu540 convoca nomes como MC Laranjinha, Cave, MC GW e Bia Soull. Os cantores são amigos seus, do mesmo lugar que nasceu.

“Música é cultura e troca de experiências, então tem que ser bem humano. Eu não gosto de fazer música por puro business. Desenrolo? Desenrolo, porque sou um homem de negócios. Mas quando faço música com meus amigos, sempre sai com energia, sentimento e qualidade”, reflete.

As canções, aliás, também chamam a atenção pela duração. Algumas ultrapassam os cinco minutos, nadando contra a maré da era do TikTok e seus poucos segundos.

“Em 2009, a gente trouxe a tendência da música curta enquanto todo mundo fazia música grande. Hoje, não mais. É assim que a gente brinca. Se sua tendência pegar, pegou. Se não pegou, tudo bem. Hoje, eu vou vir com músicas grandes, original mix, porque sim. É para curtir, não é para ter número. É sobre dançar”, conclui.

(Foto: Divulgação)

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