Se de “Um Corpo No Mundo” (2017) para “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água Deluxe” (2022) o lirismo e a musicalidade de Luedji Luna se tornaram mais afiados, agora, no caminhar ao quarto disco, a artista baiana já sugere estar ainda mais consciente de seu som, experimentando sonoridades e o bom gosto do sucesso como uma das principais vozes desta geração.
O Papelpop conversou por telefone, diretamente do saguão de um aeroporto, e descobriu o mapa mental que guia o percurso sonoro e narrativo do álbum próximo da cantora, que se apresentou no Rock In Rio no Dia Delas, na sexta (20).
“Navega no R&B, no neo soul, em texturas novas, sintetizadores. Tem um reggae. Muito jazz. Vai ser um disco bem sexy, bem Cleo Sol [artista britânica] mesmo”, conta.
Muito além de sua voz doce e melódica, o projeto chegará grande — em ambos os sentidos: terá, até aqui, 15 faixas e a participação de um medalhão da música nacional. “Tipo Djavan?”, pergunta este repórter. “Nesse nível. Não posso contar. Vai ser um grande bapho“, completa.
No bate-papo, Luedji comenta, ainda, sobre o encontro com a Orquestra Rumpilezz, nascida no mesmo DDD +71, no Coala Festival, além de revelar que levará o show cantando Sade Adu para São Paulo e Salvador — afora Rio, já anunciado.
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Papelpop – A última vez que eu te assisti foi no Coala, com a orquestra Rumpilezz naquele auditório lindo projetado por Niemeyer. Você estava tão linda com aquele vestido branco. Tava feliz?
Luedji Luna – Vi a Orquestra Rumpilezz surgir na minha cidade. Ainda morava em Salvador, quando eles deram os primeiros passos, e acompanhei desde o início a ascensão deles na cidade. Sempre sonhei em cantar com eles. Aquela noite foi, de fato, a realização de um sonho. Fui muito feliz.
PP – Imagina mesmo, você estava deslumbrante. E vocês cantaram “Banho de Folhas”, seu hit, e Gilberto Gil. Como foi a escolha do repertório?
LL – A escolha por ele tem a ver com nossa intimidade com este artista que é da Bahia, assim como nós. Uma referência para nós. É um artista que eles já tinham intimidade e arranjo. Já cantei com Gil. Foi uma honra imensa cantar com ele, Ivete [Sangalo] e Caetano [Veloso], na Bahia. Foi uma das experiências mais desafiadoras e inesquecíveis da minha carreira. No fim, deu tudo certo.
(Foto: Natália Rampinelli/AgNews)
PP – E falando em cantar junto, você cantou com duas amigas, no Rock In Rio, Xênia França e Tássia Reis. Me conta como foi o sentimento de dividir palco com alguém tão íntimo.
LL – Foi um show de celebração desse disco [deluxe, mais recente, 2022], que já vai completar três anos; da minha carreira; das cantoras negras; das mulheres, com o Dia Delas. São duas cantoras que eu já cantei antes, que já acompanhava o trabalho, quando tava em Salvador. Foi um dia de muito axé, muita alegria, com arranjos novos, atualizado, com um bandão de mais de dez pessoas.
PP – E esse show não teve nada inédito, né? Achei que teríamos novidades sobre o disco. Lembro que, da outra vez que nos vimos, você contou que estava preparando um disco novo com influências de reggae, do disco mais recente da Janelle. O que você pode adiantar pra gente?
LL – Já mudou tudo — mas vai ter um reggae [risada alta].
PP – Mudou tudo como e pegou qual rumo? Conta!
LL – Agora só tem um reggae. É um disco que está sendo produzido aos poucos. Estou desde o início do ano fazendo esse álbum. Tenho previsão de lançar no ano que vem, no primeiro semestre. Navega no R&B, no neo soul, em texturas novas, sintetizadores. Tem um reggae. Muito jazz. Vai ser um disco bem sexy, bem Cleo Sol mesmo. Tem essas referências.
PP – Interessante! E você imagina ele encorpado, um discão, ou algo mais curto?
LL – Discão. Discão. Por enquanto, já tem 15. Mas talvez tenha mais. Ou talvez algumas não façam sentido e não entrem, vamos ver no fim. Mas já tem bastante música. Estou compondo muito. Estou garimpando canções novas, que eu nem lembrava que tinha. Está delicioso.
PP – E você convidou alguém para cantar com você?
LL – Vai ter um grande bapho. Um grande artista brasileiro. Enorme. Maravilhoso. Que eu acho que eu não posso falar agora, senão eu perco o furo.
PP – Tipo Djavan?
LL – Tipo nesse nível [risada alta]. Não posso contar.
PP – E falando de artista grande e incrível, vi que você vai fazer um show no Circo Voador cantando Sade [banda de Sade Adu]. Só Rio? Para onde mais vai?
LL – Eu vou fazer esse show em São Paulo, também, por três vezes, incluindo um festival. E já fechei Salvador também. Essas três cidades.
PP – E você tem uma primeira memória ouvindo ela?
LL – Sade está no meu imaginário da infância. Meus pais ouviam. Agora, depois de grande, quando eu comecei a minha carreira, muitas pessoas faziam essa relação da minha voz e da minha vibe com ela. Sempre esteve permeando minha vida, minha carreira e chegou o momento de homenageá-la.
PP – E o repertório vai focar em algum pedaço da discografia dela?
LL – Estou fazendo essa pesquisa ainda, mas todos os discos. Não vou homenagear um disco só, não. Vou cantar as canções que eu sei, as que eu gosto e os hits, para todo mundo cantar junto. Quero gritaria, confusão, choro.
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