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(Foto: Jef Delgado / Divulgação)

Entrevista – Yunk Vino quer expandir trabalho para o mundo da moda e estrear álbum em 2023

Se o trap está se expandindo cada vez mais pelo Brasil e pelo mundo, isso se deve ao trabalho incansável e de qualidade dos inúmeros artistas que vêm se dedicando inteiramente ao gênero nos últimos anos. Entre eles, o paulistano Yunk Vino.

O trapper, que foi uma das atrações do Palco Supernova do Rock in Rio 2022, se entrega à cena nacional desde 2018. Hoje, com uma sequência de hits para as plataformas digitais e os palcos, ele se orgulha do que já construiu até aqui e olha para o futuro não só com ansiedade, mas também com esperança.

Isso porque Vino está cheio de novidades, incluindo duas músicas lançadas em formato de double song: “Arizona”, muito pedida pelos fãs após uma prévia ser divulgada, ainda em 2021, em suas redes sociais; e “Olhares”. Ele prepara, também, um álbum de inéditas, a ser lançado, possivelmente, em 2023.

Nesta entrevista feita pelo Papelpop, você fica sabendo de todos os detalhes dos novos lançamentos do trapper. Além disso, descobre (ou se aprofunda em) quem ele é como artista, quem são os nomes que o inspiram e quais são seus próximos planos.

Leia o bate-papo completo a seguir!

Papelpop – Você entregou a primeira prévia de “Arizona” há mais de um ano, em agosto de 2021. Por que decidiu segurar a música por tanto tempo e só lançá-la agora?

Yunk Vino – Eu não sentia que era uma música que as pessoas estavam consumindo naquela época, então pensei em deixar no gelo. Não só essa, mas outras 20 músicas. A gente entrou em um beco sem saída porque os fãs pediam muito a música, mas não sentia vontade de soltar por não ter muito trap. Eu nem consigo definir direito o que é [risos]. Mas é diferente e alto-astral, tem uma energia contente. Então a gente ficou segurando, mas, também, se a gente não soltasse logo, ia acabar desistindo dela.

A gente, então, pensou no que poderia ser feito em questão de audiovisual, um clipe que linkasse o nome da música, mas sem mostrar 100% o que a música está dizendo. Algo que, talvez pela estética, lembrasse Arizona, lá dos Estados Unidos. A gente tentou achar formas interessantes para finalmente lançar.

Papelpop – A prévia tinha apenas um minuto, mas acumulou mais de 1 milhão de visualizações no Instagram. Por que você acha que “Arizona” conquistou o público logo de cara? O que faz essa música ser um hit em potencial?

Yunk Vino – A gente achou que não era a época da música por ser diferente, mas, talvez, tenha sido isso que atraiu tanto a atenção dos fãs. Estava rolando tanto do mesmo, que algo diferente: ‘Pô, a gente precisa disso, dropa isso’. A gente que não acreditou tanto!

Papelpop – Você comentou anteriormente que queria que esse fosse diferente de seus outros projetos, que o clipe não fosse apenas você cantando na frente da câmera. Aí, agora, você traz uma historinha. Como foi o desenvolvimento do registro e da narrativa?

Yunk Vino – Eu chamei meus parceiros Vision e Miguel porque a gente tem uma conexão bem legal. Criativamente falando, as cabeças se combinam nas ideias, que, às vezes, são bem fora da caixa. A gente troca umas ideias tomando cerveja em um bar, a gente não tem música, nem está falando de trabalho, mas surgem ideias criativas ali. A gente começou a trabalhar juntos em “VLIFE”, eles me ajudaram a roteirizar e fazer tudo bonitinho. Nesse clipe, não foi diferente. Estou gostando muito da forma que a gente trabalha, pensa e consegue reproduzir ideias de forma simples.

Trazemos coisas que eu gostaria de consumir se eu não fosse eu. Eu, se fosse um fã, gostaria de algo diferente e de algo que me prendesse, como uma história ou um easter egg que me faça ver o clipe mais de uma vez. Como a gente já faz muito clipe cantando, só master na frente da câmera e os amigos atrás, está na hora de inovar um pouco. Eu, particularmente, me sinto meio saturado da forma que os trampos estavam saindo.

“Acho que a gente tem potencial para fazer algo mais pensado, profundo e significativo para entregar aos fãs” — Sobre estrear um álbum

Esse foi um dos motivos de eu não querer soltar o disco em 2022, ele ainda não está da forma que quero que esteja. Não sinto que as músicas estão conexas ou passando uma mensagem. Não estão. Tem que mudar uma coisinha aqui, uma coisinha ali, repensar, reestruturar a mente, amadurecer e ver o que dá para entregar.

Papelpop – Parece que você gosta de se envolver no lado criativo da coisa.

Yunk Vino – Eu ando com mais vontade de estar envolvido, de dar ideias e de ver quais são as ideias que [outras pessoas] estão propondo. Antes eu não era assim, focava mais nas músicas e fé! Deixava nas mãos do meu pessoal e confiava nisso. De certa forma, isso é bom, mas chega um nível em que, se você almeja mais, você precisa se doar mais e estar cada vez mais inserido na sua parada. Acho que agora, deste ano para frente, está vindo mais coisas com meu dedo, meu toque, muita opinião minha.

Papelpop – Isso traz uma certa liberdade, não?

Yunk Vino – Sim, sim. E acho que isso mostra quem é você além das músicas. Na hora de fazer as músicas, ninguém fica lá, dando pitaco, mandando “fala disso, disso e disso”. Não. É sempre você. Então as pessoas sentem isso. Quando você deixa muito na mão de outras pessoas e a parada fica muito longe de quem você realmente é, os fãs sentem isso. Quanto mais de você tem no seu trabalho, mais os fãs vão perceber e querer consumir.

Papelpop – “Arizona” vem em double song, junto com a faixa “Olhares”. Como surgiu a ideia de explorar esse formato de lançamento?

Yunk Vino – Já tínhamos “Arizona”, que precisávamos soltar como próximo lançamento, mas eu tinha feito “Olhares” recentemente e eu não queria deixá-la para depois. Eu queria inclui-la em alguma coisa, porque acho uma música alto-astral, legal para shows e que mostra uma nova fase minha, com músicas mais simples e fáceis de decorar. Aí a gente pensou: “O que a gente consegue fazer, tendo duas músicas e não querendo abrir mão de nenhuma como próximo lançamento?”.

Alguns meses atrás, Travis Scott tinha feito double song, com ‘Escape Plan’ e ‘Mafia’, e aí a gente pensou: “A gente pode fazer isso daqui, é uma boa opção. A gente não precisa clipar as duas músicas, você solta a nova que você quer e a gente faz clipe da que os fãs estão aguardando”. A gente abraçou essa ideia, se fixou nela.

Papelpop – Travis Scott realmente é a grande referência desse formato de double song. Ele é uma inspiração para você? Quem são os artistas que te inspiram musical e esteticamente hoje em dia?

Yunk Vino – Travis Scott já foi uma inspiração para mim, musical e esteticamente falando, mas acho que, hoje, não é mais. Minha cabeça mudou bastante. Hoje, Travis é uma referência em questão de imagem, publicidade e marketing, porque acho que ele é muito inteligente nisso. Tudo que ele coloca o dedo prospera bastante, ele sabe fazer. Mas, musicalmente, nem tanto. Musicalmente, pego mais referência dos ‘crias’ dele, dos moleques da gravadora dele: Don Tolliver e Soulfuego. É como uma árvore genealógica: se você é fã de uma pessoa e o ‘filho dela’ também é muito bom, tem a mesma idade que você e as ideias batem, você acaba abraçando mais.

Papelpop – E você tem algum artista brasileiro como referência?

Yunk Vino – Em questão de postura e respeito, Mano Brown e toda a rapaziada dos Racionais MC’s. Graças a Deus, eu convivo alguns momentos pessoalmente com eles e consigo aprender como eles são, como eles tratam as pessoas, como negociar às vezes. Acho que eles sempre vão ser uma referência.

(Foto: Jef Delgado / Divulgação)

(Foto: Jef Delgado / Divulgação)

Papelpop – “Arizona” e “Olhares” chegam para compor uma sucessão de hits que você lançou em 2022, um ano importante para a expansão de sua carreira. Como você tem avaliado sua trajetória musical até aqui?

Yunk Vino – Eu me orgulho bastante do que a gente conseguiu fazer ao longo do tempo. Fico bastante ansioso com o futuro, sou muito bitolado com isso. Mas acho que você não tem que ficar se perguntando se vai ser um sucesso porque a música é muito de energia e de momento, depende da forma que você conversa com as pessoas e quer que elas entendam [o seu trabalho]. Você quer que o pessoal entenda tudo que você quer passar na primeira vez que ouve? Você quer deixar mais subliminar pra eles ouvirem mais vezes? Isso pode ser perigoso porque, hoje, as pessoas gostam de coisas mais rápidas e fáceis de consumir.

Um artista que não quer entregar tudo de bandeja às vezes sai um pouco prejudicado. Mas é aquilo, tem coisa que você vai soltar esse ano e que pode explodir daqui a dois, três, quatro. Então a gente não tem que ficar nessa neurose de ‘será que vou atingir as pessoas?’. Não, mano, uma hora vai atingir quem deve atingir. É trabalhar e chegar em um resultado que agrade a você. É isso que espero para mim. As coisas que a gente andou fazendo até o momento… eu não tenho do que reclamar. Sou muito grato, sou muito feliz.

Papelpop – Você falou sobre músicas que estouram dois, três, quatro anos depois de serem lançadas… a gente tem visto muito isso nas plataformas digitais e nas redes sociais, como o TikTok, né? Como você observa essas tecnologias para a música?

Yunk Vino – Eu vejo que estou ficando meio tiozinho [risos]. Para umas coisas, eu sou muito antenado e quero estar por dentro. Mas, para outras, não tenho tanto interesse e apego. Eu tenho um irmão mais novo, de 17 anos, que é viciado no TikTok. Ele é a pessoa que me entrega tudo o que está acontecendo no TikTok. E é legal ver como as gerações se apegam às novas modas e tudo mais. Eu queria entender a logística, mas não consigo porque ainda sou muito… reservado… não sei se é essa a palavra. Não consigo me ver achando um conteúdo que eu conseguisse fazer e encaixar no TikTok. Se eu vou fazer alguma coisa no meu dia a dia, não fico: “Nossa, deixa eu registrar esse momento para deixar na galeria e depois…”. Mano, eu vou e vivo a parada ali. Quando vou embora, penso: “Puts, devia ter tirado uma foto” [risos].

Papelpop – Pelo menos você não fica preso a isso.

Yunk Vino – Exatamente. Essa é uma das únicas coisas que me tranquiliza. Mas eu vou tentar, no ano de 2023, ser mais interativo [risos].

Papelpop – Você já comentou que seu novo disco não será lançado em 2022, como planejava antes, mas está trabalhando nisso. Como anda essa produção?

Yunk Vino – Eu prometi que ia lançar um álbum este ano, mas tem bastante gente soltando álbum. Talvez o que é um álbum para eles, não é um álbum para mim, mas não me vejo querendo pular em meio a esse mar. Prefiro deixar as coisas acontecerem tranquilamente. Eu guardaria todas as músicas que a gente tem até o momento, esperaria um tempo e começaria do zero. Até para não ficar fazendo faixas que se encaixem com X e Y que já existem. Você tem que ficar fazendo várias cirurgias no álbum e, às vezes, acaba sendo mais cansativo. Então acho que eu prefiro começar do zero, pôr o pé no chão e ver como que vai ser.

(Foto: Jef Delgado / Divulgação)

(Foto: Jef Delgado / Divulgação)

Papelpop – O que mais os fãs podem esperar para 2023?

Yunk Vino – Eu espero bastante collab com marcas de roupa. É legal esse mundo da moda, bem interessante e amplo. Também te dá uma liberdade, te dá conexões com outras pessoas. Isso está me interessando bastante. Então podem esperar collab de roupa, música boa com audiovisual que encanta, não só masters, e, se Deus quiser, o álbum lindo de bonito.

Papelpop – Acha que 2023 será um ano importante para a ascensão do trap, assim como foi 2022? Como você observa a cena atualmente?

Yunk Vino – Acho que agora não tem como voltar atrás. A tendência é só crescer mesmo. A gente vê o Chefin em feat com Ed Sheeran, vê que os artistas do Brasil estão sendo vistos e convocados para projetos. Acho que, em 2023, vai sair bastante feat de brasileiro com gringo que vai tocar a cena. Espero que continue assim, aparecendo cada vez mais artistas bons, com vontade de fazer coisas novas e de, talvez, criar mais subgêneros do trap.

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