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(Foto: Divulgação)

“Cine Holliúdy 2” traz humor, referência à cultura pop dos anos 70 e protagonismo feminino

Filmes, novelas, Copa do Mundo, moralismo, sátiras, festas regionais, discoteca, musicais, parque de diversões e muito humor. Parece 2022, né? Mas, é a cidade de Pitombas, no interior do Ceará, em 1974. Tudo isso é um pouquinho do que rola na nova temporada de “Cine Holliúdy”, que estreia nesta terça-feira (23), logo após o remake de “Pantanal“, na TV Globo.

Perfeita para quem ama cinema e TV, a série criada e escrita por Cláudio Paiva e Marcio Wilson, com direção artística de Patrícia Pedrosa, explora acontecimentos, símbolos e referências da cultura nordestina, brasileira e do pop mundial da década de 1970. É claro que a narrativa da disputa entre as telonas e a televisão segue dando aquele gostinho especial e divertido à série. Porém, outras histórias e personagens prometem cativar o público nesta novo ano da produção.

É possível se divertir com várias paródias de grandes filmes, como “Guerra nas Estrelas” e “Casa Blanca”. Embora, essa “releitura” de clássicos esteja em alta, já que tem encontrado espaço na programação da emissora, com a série “Novelei” e o “Pipoca da Ivete”, a série traz uma proposta bem amarrada em relação as histórias e roteiro apresentado, conseguindo ser mais interessante que o quadro do programa da cantora baiana e se diferenciar da minissérie.

“Essas referências das novelas e dos programas, algumas vieram do Marcio Wilson [autor], e, também, temos um pesquisador de imagem da Globo que localiza a época. É um trabalho coletivo nessa seleção”, ressaltou Eduardo Feijó, que agora assina a produção de arte da trama.

Socorro (Heloísa Perissé). (Foto: Divulgação)

“Cine Holliúdy” brinca, ainda, com gêneros do cinema, como o romance, comédia, terror, policial, sobrenatural, aventura, musical, ficção científica, pornochanchada, entre outros.

Na primeira temporada, Francisgleydisson (Edmilson Filho) tinha o cinema como a única atração cultural de Pitombas. Mas, ele não contava com a chegada da televisão, sua grande adversária. Por isso, decidiu fazer filmes em “cearensês”, com apoio da Marylin (Leticia Colin) e a despeito do prefeito Olegário (Matheus Narchtergaele).

Vale destacar que Leticia não faz mais parte do elenco e quem assume o papel de “mocinha” é Luisa Arraes, interpretando Francisca. Filha bastarda de Olegário com a meretriz Madalena (Luiza Tomé), a jovem chega a Pitombas em busca de seu pai. Esperta, questionadora e dona de ideias novas e progressistas, vai colaborar para o sucesso das películas de Francis (Edmilson Filho), com quem começa uma parceria artística e amorosa.

(Foto: Divulgação)

Francis (Edmilson Filho) e Francisca (Luisa Arraes). (Foto: Divulgação)

“Ela é essa mocinha que chega totalmente canalha, anti-mocinha. O Francis é que é o romântico”, comentou Luisa.

Nesse contexto, as mulheres da obra ganham ainda mais protagonismo, trazendo questões que continuam atuais para a trama — que se passa há 50 anos. “A segunda temporada tem esse tempero muito especial, dessa junção das personalidades femininas e que fica bem claro em um paralelo de 1970 para 2022”, afirmou Heloisa Périssé, que dá vida a Maria do Socorro.

Depois de ter se mudado de São Paulo, com a filha, para viver ao lado do prefeito de Pitombas, Olegário (Matheus Narchtergaele), Socorro controla Olegário na palma da mão e sempre consegue o que quer, mesmo que às custas dos cofres da Prefeitura. Agora, ela está do outro lado da história, já que foi eleita prefeita da cidade, e tem como principal obstáculo para uma boa gestão ninguém menos que o marido Olegário.

“Ela chega na segunda temporada tendo que enfrentar esse bando de macho. Eu acho muito interessante porque estamos em 2022 e certas situações, ainda, existem. Falar nesses assuntos joga luz sobre isso para que a gente tome providências”, enfatizou Heloísa Périssé.

Se por um lado Socorro chega toda empoderada, Belinha (Solange Teixeira) vem para defender o lema das “recatadas, religiosas e do lar”. Ela é a esposa de Lindoso (Carri Costa), trabalha no armazeco e quer que Formosa (Lorena Comparato) faça um bom casamento, para se tornar mais ajuizada.

Belinha (Solange Teixeira). (Foto: Divulgação)

“Ela mudou muito, volta praticamente uma Damares. Ela vem representando essa coisa religiosa, pela moral e os bons costumes”, disse Solange.

Com tantas histórias, é claro que a há espaço para uma “guerra dos sexos”. Nesta sequência, a luta contra a televisão parece não ter saído como Francisgleydisson esperava. Afinal, a TV já está estabelecida. Porém, o eterno apaixonado pela sétima arte, Francis, não se dá por vencido e encontra, entre os homens da cidade, o ambiente ideal para exigir o fim da TV. Isso porque, para eles, há um excesso da telinha na rotina das famílias. Já dá para imaginar qual vai ser o desenrolar dessa questão, né?

Conheça os personagens

Olegário (Matheus Nachtergaele). (Foto: Divulgação)

Francisgleydisson (Edmilson Filho) – Sonha em ser o Chaplin do sertão. Apesar de não ter diploma, é um grande conhecedor da sétima arte e dono do Cine Holliúdy, o único de Pitombas, administrado por ele e Munízio (Haroldo Guimarães), seu melhor amigo de infância. Unindo o útil ao agradável, Francis passa a produzir filmes falados em cearensês para agradar ao público e manter o cinema vivo, mesmo com a chegada avassaladora de TV nos lares da cidade. Agora, Francis terá a ajuda preciosa de Francisca (Luisa Arraes).

Olegário (Matheus Nachtergaele) – Típico político populista que povoa as cidades de interior do país, é ensaboado que só. Dono de discursos prolixos e cunhador de curiosos neologismos, ao clássico estilo nordestino. Olegário é um diplomata nato, acostumado a levar o povo na lábia. Olegário não é mau, só não é muito correto. Afinal, ele sabe que o caminho que leva à honestidade é cheio de atalhos. Terá que lidar com a ascensão de Socorro (Heloísa Périssé) como prefeita, mas não consegue deixar de agir pelas costas da mulher, embora ame muito sua “Corinha”.

Maria do Socorro (Heloísa Périssé) – Mudou-se de São Paulo com a filha para viver ao lado do prefeito de Pitombas, Olegário (Matheus Narchtergaele). Vaidosa e ciumenta, controla Olegário na palma da mão e sempre consegue o que quer, mesmo que às custas dos cofres da Prefeitura. Agora estará do outro lado da história, como prefeita, e terá como principal obstáculo para uma boa gestão ninguém menos que o marido Olegário.

Francisca (Luisa Arraes) – Filha bastarda de Olegário com a meretriz Madalena (Luiza Tomé), chega a Pitombas. Está em busca de seu pai e deseja conquistar o respeito dele – para isso, contará com a ajuda de Socorro (Heloísa Périssé). Esperta, questionadora e dona de ideias novas e progressistas, vai colaborar para o sucesso das películas de Francis (Edmilson Filho), com quem começa uma parceria artística que depois se torna amorosa, dentro e fora dos filmes

Munízio (Haroldo Guimarães) – É o melhor amigo e companheiro de todas as horas de Francis (Edmilson Filho). Sozinho no mundo, Munízio enxerga no amigo uma mistura de pai, irmão mais velho e mestre kung fu. Porém, quando Francis viaja muito em seus delírios, é Munízio quem dá a real. Nesta temporada, ele finalmente irá sair da solidão e se envolver com Formosa (Lorena Comparato).

Lindoso (Carri Costa) – É dono do armazeco, uma mistura de armazém com boteco, no qual todos da cidade batem ponto. Lindoso é um dos principais críticos de Olegário (Matheus Narchtergaele) e casado com Belinha (Solange Teixeira), a carola mais moralista da cidade.

Belinha (Solange Teixeira) – Recatada e do lar, é esposa de Lindoso (Carri Costa). Trabalha no armazeco e quer que Formosa (Lorena Comparato) faça um bom casamento e deixe de ser “desmiolada”.

Formosa (Lorena Comparato) – Filha de Lindoso (Carri Costa) e Belinha (Solange Teixeira). Trabalha no armazeco da família e sonha em se casar de véu e grinalda com Francis (Edmilson Filho). Sua obsessão é tamanha que agora quer ser atriz para ficar perto de Francis, para contragosto da família. Irá se envolver com Munízio (Haroldo Guimarães).

Jujuba (Gustavo Falcão) – O atrapalhado assessor da prefeitura. Tem uma índole honesta e vive questionando a ética na política. Sua aspiração de vida é se tornar amigo íntimo do prefeito em exercício, no caso, de Socorro (Heloísa Périssé). Em busca de aprovação, consegue transformar qualquer incumbência em uma possível catástrofe. Com o apoio de Belinha (Solange Teixeira) e Francisca (Luisa Arraes), vai se mostrar como é de verdade.

Delegado Nervoso (Frank Menezes) – É desses belicistas de almanaque, que sabe tudo de guerras, exércitos, armas, mas nunca deu um tiro na vida. Fanático pelos filmes de luta do Cine Holliúdy, ele sonha ser como Charles Bronson, mesmo que seja em Pitombas. Enquanto isso não acontece, ele se preocupa em agradar os poderosos e moralistas da cidade.

Padre Raimundo (Cacá Carvalho) – Está sempre no meio dos conflitos, sempre requisitado por todos e tem que lidar com a carolice de Belinha (Solange Teixeira).

Dr. Odílio (Flávio Bauraqui) – Médico do posto de saúde de Pitombas. Começa a se aproximar de Jujuba (Gustavo Falcão).

Cego Isáías (Falcão Maia) – Participa das sessões na câmara municipal e acompanha todos os acontecimentos da cidade.

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“Cine Holliúdy 2” estreia nesta terça-feira (23), na TV Globo, logo após o capítulo do remake de “Pantanal”.

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