Um projeto de lei proposto pela vereadora Filipa Brunelli, de de Araraquara (SP), foi aprovado nesta terça-feira (24). Ele dá a uma casa de acolhida LGBTQIA+ o nome de Ricardo Corrêa da Silva, protagonista do romance de não-ficção “Ricardo e Vânia“.
Conhecido de forma pejorativa como “fofão da Augusta”, o senhor teve sua história resgatada pelo jornalista Chico Felitti em livro publicado pela editora Todavia.
“Estamos fazendo história”, escreveu em seu perfil no Instagram. No dia 4 de julho de 2019, a comunidade LGBTQIA+ deu mais um passo, ocupamos a plenária LGBT do Orçamento Participativo e reivindicamos a criação de uma casa abrigo para LGBTQIA+ em situação de rua e/ou expulsos de seus núcleos familiares. Na época eu era gestora de políticas públicas LGBT e junto com a comunidade escrevi o projeto do que viria a ser a nossa casa de abrigo. E hoje o universo me permitiu estar vereadora, uma travesti vereadora e novamente junto a comunidade LGBT propor o PL que nomeia a casa de abrigo. O nome que escolhemos foi de Ricardo Correia, chamado pejorativamente como fofão da augusta. Ricardo, um homem gay, Drag queen, cabeleireiro, maquiador, e um dos primeiros ativistas LGBT que temos relato na história da cidade na década de 70, teve sua perspectiva de vida destruída por uma sociedade excludente, que o marginalizou, tacando o para o ostracismo social, o violentando. Aquele que falava vários idiomas, que era cabeleireiro das estrelas araraquarenses, e tinha uma das melhores escovas da avenida paulista na década de 80/90, acabou seus dias morando nas ruas, se alimentando dia sim, dia não, violentado, desrespeitado, tendo sua humanidade negada. O que fazemos hoje é resgatar seu nome, acolher sua figura e eternizar sua importância para nossa comunidade e nossa cidade”.
Abaixo, a sinopse do livro.
“Em 2017, o Hospital das Clínicas foi ocupado por um homem anônimo que há 20 anos circulava pela rua Augusta, onde panfletava e pedia esmolas. Sua aparência lhe rendeu o status de lenda urbana. Por trás do apelido ofensivo de Fofão da Augusta, estava um cabeleireiro disputado nos anos 70 e 80, esquizofrênico, drag queen, artista de rua e frequentador do underground. Felitti investigou sua história e publicou uma reportagem que viralizou. Mais de 1 milhão de pessoas souberam o nome por trás do rosto remodelado por silicone e cirurgias: Ricardo Correa da Silva. Logo viriam outros personagens atravessados por sua trajetória. Sobretudo Vânia, que um dia se chamou Vagner e foi o amor de sua vida.”
Em 2019, Felitti, que também comanda o podcast “Além do Meme”, participou de um dos episódios de “Um Milkshake Chamado Wanda” a fim de comentar o projeto. Relembre!
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