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(Luq Dias/Divulgação)

Day reinicia com “7 Vidas” e fala sobre autoconhecimento: “tenho cantado as descobertas que faço na análise”

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A última quinta-feira (19) marcou um importante dia para Day Limns, que abriu a sua nova era com a faixa “7 Vidas”. A canção composta pela artista de maneira solo é uma mistura de todas as influências que carrega desde o início da carreira. Além dos tons de rock apresentado em “Bem-Vindo ao Clube”, seu primeiro disco de estúdio, o single traz uma mistura pop e cheia de romantismo para começar um novo capítulo em sua carreira.

Um videoclipe para a faixa ainda será lançado com direção criativa assinada pela mesma, junto de Jesus Mendes e Pedro Fiorillo, diretores com quem já trabalhou anteriormente. Day ainda reitera que ,diferente de seu primeiro disco solo, descrito como “aereo”, esta nova fase de sua carreira — que não garante um álbum — é pertencente ao mar.

Em entrevista ao Papel Pop, a cantora falou sobre as referências para este novo trabalho, o processo de composição, a ideia para o videoclipe, coisas que aprendeu na terapia  e mais. Assista “7 Vidas” e leia a entrevista na íntegra:

 

Day, você está chegando com um lançamento e eu tenho que te perguntar: o que podemos esperar para essa próxima fase?

Acho que um pouco de tudo que apresentei na minha carreira que não é longa, mas já estou aí há um tempo. Eu realmente extraio o que tem mais de mim do primeiro ep e k que tem mais de mim do meu álbum? ‘NVAC’. Tem bastante trap, melodias do R&B numa linguagem de rock. São vários universos que se encontram e mostram o que eu sou. 7 vidas é uma ótima música que mostra essa mistura muito pop.

 

A gente sabe que suas maiores referências são o pop punk, como Avril Lavigne, Machine Gun Kelly e etc. Existe alguma outra que ninguém imagina? 

Cara, eu escuto muito R&B, muito, muito, muito, muito. Gosto muito de SZA, Summer Walker, H.E.R… tem uma galera que eu curto muito e que sabem brincar muito com melodia. São músicas que eu gosto muito de filtrar o que eu acho de melhor ali, mas que pode inspirar em algo na minha música. Não sei se é algo que ninguém espera, mas é uma sonoridade mais distante, mas que eu bebo muito, até mais que o próprio rock em si.

“7 Vidas”, por mais pop que seja, ela consegue mostrar toda essa complexidade de uma forma muito acessível às pessoas quando escutam ela.

 

Você comentou sobre o autoconhecimento adquirido na hora de escrever “7 Vidas”. Como foi o processo de se reconhecer e se colocar nessa faixa?

Então, “7 Vidas” é uma música que escrevi já faz um tempo. Acho que foi em meados do ano passado, e eu tava com uma brisa de querer falar sobre elementos da natureza, como o mar e o céu. Meu último disco é muito aereo, eu falo que estou no mundo da lua o tempo todo e ele traz a aura de ar. Para essa nova era eu quis me aventurar numa coisa mais mar, que entendo como uma coisa profunda, mas que eu, Day, tenho muito medo e respeito pelo mar.

A partir disso comecei a fazer links com a minha vivência e autodescoberta com esses elementos, que são poderosíssimos. O que me permitiu falar disso e dar significado foi quando comecei a fazer análise. Eu tenho cantado as descobertas que faço durante minha análise, durante minha autodescoberta. Até músicas que fiz antes tem dado um novo significado a partir do conhecimento que tenho de mim mesma.

 

Existe algo curioso que você descobriu desde que começou a compor em “parceria” com a terapia?

Nossa, tem tantas músicas. Se pudesse eu abriria meu bloco de notas pra você e começava a recitar (risos). Eu faço terapia e às vezes ela solta umas pérolas que me fazem pensar tanto. Eu sou uma pessoa muito visual e por isso faço essas analogias de mar, céu, sereia e as coisas mais românticas e fora da realidade possível. Então às vezes ela me falava algo e eu já imaginava toda uma cena.

Eu consigo transmitir para o ouvinte o que eu senti fazendo a terapia e descobrindo tal coisa, coloco em forma de música e ajudo a se descobrirem também. 

São muitas músicas que eu escrevo algo e acho que tirei de algum lugar sem pé nem cabeça, e de repente fiz análise e percebi que estava no meu consciente por determinadas coisas, por isso que escrevi. Esse processo é muito mágico pra mim.

 

Você disse que é uma artista muito visual, e agora também assinou a direção criativa do videoclipe, quais foram as referências que você usou? 

Eu tenho a sensação que eu sempre fui a diretora criativa dos meus clipes, mas que eu nunca assinei meu nome lá, nesse clipe eu pedi porque é isso que sou. Para essa era, tá muito forte o céu, mar e azul. No último ano eu tive uma experiência da morte do meu pai que foi muito intensa e abriu vários portais pra me auto conhecer e entender tudo que estava acontecendo. As coisas foram tendo outro significado e no processo da música eu já sabia quem eu queria que dirigisse porque eu gosto de artistas que pegam uma visão e dão vida extraindo o significado exato, somando as próprias referências. Então eu mostrei outras músicas, que também se linkam mesmo não fazendo parte de nenhum projeto fechado, elas conversam.

 

Você já disse que não vem um projeto fechado como um álbum, mas as músicas seguem uma linha narrativa. O que mais você pode contar?

Eu já admiti pra mim mesma que eu amo contar histórias, sou fascinada. Agora a mão até coça pra fazer um álbum, eu já pensei em conceitos que podem ser trabalhados, mas a princípio eu não tenho 100% certo o que vai ser. Só sei que as músicas que vou lançar seguem a mesma linha de raciocínio porque são sobre a minha descoberta. Tenho a necessidade de criar histórias, links e filminhos, essas conexões e, inicialmente, não fazem parte de um novo álbum. Mas elas vão se interligar e as pessoas vão entender.

Temos easter eggs no clipe, com nome de outra música que ainda não sei quando vou lançar. Gosto muito de investir no fã e na pessoa que vai até a raiz da arte. Eu fiz tantas músicas e eu tenho que escolher, dá vontade de fazer uma mixtape e soltar num drive (risos).

 

E nesse novo lugar que você está explorando na sua carreira, como você enxerga esses próximos passos? Vai existir uma narrativa?

Sempre falei que tenho uma dualidade muito forte. Geminiana, amor. Sempre bati nessa tecla e acho que nunca realmente tinha aceitado. Sempre agi como se fosse 8 ou 80 e não pudesse ter um equilíbrio. Essa nova era sou eu entendendo que posso encontrar isso, posso estar lá ou cá e ainda ser boa, estar feliz e tranquila. 

Encerrei uma fase bem pessimista, mas que desejava ver o agora e viver o presente. Estou vivendo esse momento contente e estou em movimento, sei o que preciso fazer. Sou uma pessoa ansiosa, tenho minhas crises, mas me conheço melhor e cuidar melhor de mim mesmo. Estou na melhor fase da minha vida e isso reflete diretamente na minha música.

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