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Foto: Divulgação/Sony Music

Dez álbuns em espanhol lançados em 2021 que você precisa ouvir

O fim de ano chegou e não resta dúvidas: após enfrentar um longo inverno criativo, a música hispânica buscou reverter a situação a partir de estreias que exaltam sua diversidade e potencialidade criativa.

Em 2021, a volta presencial do Latin Grammy (alô, vacina!) foi um indicativo desse momento. Do rap argentino aos flamencos e boleros: não houve dúvida sobre como as playlists de música em espanhol ganharam mais cor e vivacidade.

Para que você não perca nada, revisite estreias ou mesmo fique por dentro do que acontece, listamos abaixo (sem ordem de preferência) dez discos imperdíveis lançados neste ano. De estreantes como Nicki Nicole a veteranos como Fito Páez, é melhor dar play.

“Deja”, Bomba Estéreo

Eleito álbum do ano pelo jornal The New York Times, o novo projeto da banda colombiana Bomba Estéreo foi gravado em total isolamento nas praias de Santa Marta, um destino paradisíaco da Colômbia.

Entre os colaboradores, que assumem papel importante na construção de canções que se calcam nos quatro elementos básicos da vida (água, ar, terra e fogo), estão a conterrânea Lido Pimienta, responsável por um dos melhores álbuns de 2020 (“Miss Colombia”). À ocasião da estreia, o Papelpop fez uma entrevista exclusiva para o Brasil com a vocalista Li Saumet

“El Madrileño”, C. Tangana

O Tiny Desk de C. Tangana ajudou a popularizar suas raízes hispânicas, mas não foi só: também impulsionou o nome de “El Madrileño” às mais respeitadas listas de melhores do ano de 2021, além das playlists de pop.

Se antes seu nome era restrito à Espanha e aos créditos do disco “El Mal Querer”, da colega e ex-namorada Rosalía, esta foi a chance de abrir um novo capítulo da música latina com faixas que passeiam por diferentes gêneros musicais (inclusive o funk carioca) e recebem a benção de nomes consagrados como Niño de Elche, Elíades Ochoa, Jorge Drexler e Toquinho.

“Un Canto Por México, vol. II”, Natalia Lafourcade

A herança cultural mexicana fez com que Natalia Lafourcade mudasse completamente seu direcionamento de carreira. A partir de 2017, a artista deixou de estrelar as playlists de música pop que liderava desde 2002 para se dedicar a projetos carregados de significado.

Embalada por ritmos populares de seu país, partiu rumo a ocupar o lugar que lhe é de direito: o mais alto panteão da música tradicional popular, onde promove renovação. Após dois volumes bem-sucedidos do projeto “Musas” e um subsequente multi premiado álbum, ela entregou aos fãs “Un Canto Por México, vol. II”, disco que traz faixas inéditas, releituras e uma parceria com Caetano Veloso.

“Mira Lo Que Me Hiciste Hacer”, Diamante Eléctrico

Mais uma estreia grandiosa vinda da Colômbia. “Mira Lo Que Me Hiciste Hacer”, quarto disco do agora duo Diamante Eléctrico, apresenta discussões complexas, pautadas em existencialismo, sobre paixão e liberdade.

Os dilemas de Juan Galeano (vocais e baixo) e Daniel Álvarez (guitarra) também se reflete na relação que ambos possuem com a controversa Bogotá em single que concorreu ao Latin Grammy na categoria Gravação do Ano. 

Tudo isso vem embalado por uma estética funk anos 1960, que em alguns momentos fica na corda bamba entre clássico e modernidade. A cereja do bolo é uma interpretação, em espanhol, do clássico “Everybody Wants to Rule the World”, do Tears for Fears. 

“1940 Carmen”, Mon Laferte

Em 2021, a cantora chilena Mon Laferte compartilhou com os fãs dois discos, sendo o mais recente seu trabalho que melhor emprega o lado pessoal. Com título inspirado no local em que a maioria das canções nasceu, na rua Carmen, nº 1940, em Los Angeles, a ideia de fazer mais música após o LP “SEIS” apareceu durante uma intensa e delicada tentativa de engravidar. 

A gestação deu certo (o bebê nasce entre fevereiro e março, segundo a própria!) e o lapidar das canções, uma forma de amenizar a ansiedade, deu origem a sucessos como “Placer Hollywood”, “Good Boy” e “Química Mayor”.

Os destaques são “Supermercado” e sua narrativa em capítulos que acompanha a monotonia de um casal que, entre a novela de cada dia e visitas indesejadas, assiste ao amor desmoronar; e “Niña”, letra pessoal em que revisita um abuso sofrido na própria infância.

“Parte de Mí”, Nicki Nicole 

Se nos anos anteriores Lali e Natti Peluso colocaram, respectivamente, o nome da Argentina na rota do pop, Nicki Nicole chega para consolidar o momento. Em “Parte de Mí”, um compilado de 16 faixas, a artista abre o coração para cantar temas relacionados a experiências pessoais.

Do reguetón ao rock, emprega um timbre único que faz de seu nome um dos mais promissores. Christina Aguilera sabe bem disso, afinal de contas a convidou para fazer parte do já consagrado hit “Pa’ Mis Muchachas”.

“Nattividad”, Natti Natasha

“Imposible Amor”, “Antes Que Salga el Sol”, “Las Nenas”, Philliecito”… todas estas faixas fazem parte do disco que marcou o retorno aos palcos de Natti Natasha após dar à luz a filha Vida. Nesta jornada, a artista dominicana se revela ainda mais potente e dona de si ao tratar de temas como amor, empoderamento feminino e uso recreativo de marijuana. 

“Los Años Salvajes”, Fito Páez

Trabalho inaugural de uma trilogia que deve se estender para o primeiro semestre de 2022, “Los Años Salvajes” é um disco que subverte qualquer entendimento ligado à nostalgia de seu título.

As canções inéditas que compõem o projeto, entre elas a excelente “Vamos a Lograrlo”, mostram um Fito que está no presente e atento a tudo o que acontece ao seu redor. Uma ótima pedida para quem adora clássicos.

“Juliana Velázquez”, Juliana Velázquez

Uma das grandes descobertas de 2021, a colombiana Juliana Velázquez, vencedora do Latin Grammy, surpreendeu a América Latina durante seu discurso de agradecimento. À ocasião, ela decidiu cantar um trecho do single “Joaquín”, dedicado a um pescador ribeirinho.

Poderia ser a síntese de seu debut, comovente, intenso e cheio de sinceridade. O projeto investe em um pop melódico que segue na contramão da supremacia do reguetón e outros gêneros pares, considerados radiofônicos.

“Mis Manos”, Camilo

A lista se encerra com um lançamento pop. Antes de anunciar que espera seu primeiro bebê ao lado da esposa Evaluna Montaner, Camilo entregou “Mis Manos”, um trabalho que se dedica às canções de amor na mesma proporção em que se volta para a música tradicional colombiana a partir de uma curadoria de sonoridades que contempla gêneros como a champeta. É ela quem dá ritmo a “Kesi”, canção que acabou ganhando um remix com a participação do canadense Shawn Mendes.

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