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Foto: Reprodução

Morte de Marília Mendonça repercute na imprensa internacional; Gil, Caetano e Gal lamentam perda

A morte da cantora Marília Mendonça, vítima de um acidente aéreo na tarde desta sexta-feira (5) no interior de Minas Gerais, repercutiu em jornais e revistas do mundo todo. Os britânicos Guardian e BBC descreveram a artista como um prodígio de sua geração, tendo conquistado 38 milhões de seguidores no Instagram e se tornado, imediatamente, um prodígio da composição.

Nos Estados Unidos, publicações como The Washington Post, People e NPR também comentaram a perda citando as conquistas de Mendonça nos últimos anos, entre elas uma indicação e uma vitória no Latin Grammy. Em 2019, ela levou o gramofone de Melhor Álbum de Música Sertaneja pelo LP “Todos os Cantos”.

O The New York Times, jornal de maior circulação do país, destacou o teor das letras, capazes de “empoderar legiões de fãs e implorar às mulheres que rejeitassem relacionamentos ruins e abusivos, contando histórias de personagens imperfeitos”.

Entre os veículos latino-americanos, o jornal argentino Clarín e a revista colombiana Shock.co usaram a oportunidade para relembrar seu impacto nas paradas de sucesso, marcado por feitos inéditos em termos continentais. Cantora mais ouvida do Brasil nas plataformas de streaming nos últimos anos, ela disputava espaço no exterior com gigantes do reguetón.

“Marília começou seu caminho de forma solitária e rapidamente ganhou o carinho do público pela qualidade vocal que tem, sobretudo pelo poder de suas composições que estão em geral relacionadas às lutas femininas”, escreve a revista.

Da Europa, as publicações de língua francesa, italiana e espanhola levaram aos jornais Le Figaro, La Repubblica e El País os desdobramentos da tragédia. O El País chegou a definir Mendonça como “um dos nomes com maior repercussão e influência da música popular brasileira”.

A gravadora Som Livre, da qual a artista fazia parte, divulgou uma nota de pesar. “Marília escancarou as portas do sertanejo para as mulheres e abriu espaço para inúmeras outras artistas. Muito além de uma intérprete, era também uma renomada compositora. (…) Que nossa rainha seja sempre lembrada pela alegria que tinha ao cantar as sofrências da vida com muita alma, verdade e amor”.

Pesar

Entre os fãs e colegas, o clima foi de perplexidade. A cantora Roberta Miranda, uma das precursoras do sertanejo, chegou a publicar um vídeo em que pedia orações para a artista. A primeira informação, divulgada pela assessoria de Mendonça, era a de que todos os tripulantes tinham sido resgatados com vida e estariam bem.

Em um segundo momento, Miranda, por meio de nota enviada por sua assessoria à TV Anhanguera, revelou estar “inconsolável”.

Em turnê pela Europa, Gilberto Gil se disse “profundamente triste” e que o show que faria na cidade de Braga nesta noite seria dedicado à colega.

Também em Portugal acompanhando Gil, Adriana Calcanhotto lamentou a tragédia em vídeo. “Nos emocionamos todas as noites, mas hoje especialmente. Deixo meu abraço à família”.

Caetano Veloso, que recentemente citou Mendonça na canção “Sem Samba Não Dá”, mencionou seu arrebatamento diante da voz da colega. “Estou chorando, acho que nem posso acreditar”.

Parceira musical de Gal Costa, Marília chegou a gravar um dueto no disco “A Pele do Futuro” (2018), batizado como “Cuidando de Longe”. Nas redes, Gal afirmou estar “arrasada” e que Marília era uma criadora “genial, brilhante”.

Do pop, as principais vozes foram Manu Gavassi, Anitta e Luísa Sonza, estas últimas com quem Marília gravou as faixas “Some Que Ele Vem Atrás” e “Melhor Sozinha”. Todas fizeram homenagens relembrando a força das canções lançadas, além de encontros e mensagens trocadas.

O grupo Racionais MC’s, de quem Marília era fã, publicou um vídeo em que ela aparece cantando um de seus sucessos. “Mais uma potência da música brasileira que se vai de forma dolorosa”.

Outros nomes de diferentes segmentos como Marina Lima, Daniela Mercury, Nando Reis, Carlinhos Brown, Zeca Pagodinho publicaram homenagens.

Despedida

Além de Marília Mendonça, que tinha 26 anos, morreram no acidente seu tio e assessor, Abicieli Silveira Dias Filho; o produtor, Henrique Ribeiro; o piloto, identificado como Geraldo Martins de Medeiros; e o copiloto, Luiz Eduardo David Guimarães.

Todos seguiam de Goiânia rumo ao Aeroporto de Caratinga, onde havia um show marcado. Em nota divulgada ao Jornal Nacional, a Companhia Elétrica de Energia de Minas Gerais informou que foi registrado um choque entre a aeronave e uma torre de energia minutos antes da queda.

Um órgão da Força Aérea Brasileira (FAB) anunciou que uma investigação será instaurada para apurar as causas.

O prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, e o governador Ronaldo Caiado decretaram luto oficial de 3 dias no Estado. O velório da artista ocorre no ginásio Goiânia Arena, nas imediações do Estádio Serra Dourada, em Goiânia, neste sábado (6) entre as 13h e as 16h. A expectativa é de que a despedida receba até 100 mil pessoas.

O enterro será restrito à família e amigos próximos.

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