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(Reprodução)

“Foi um erro”, diz Eddie Redmayne sobre interpretar mulher trans em “A Garota Dinamarquesa”

Lançado em 2015, “A Garota Dinamarquesa” é um dos muitos filmes controversos que conquistaram notoriedade em premiações como o Oscar, o Golden Globes e o SAG Awards. Seis anos após sua estreia, o ator Eddie Redmayne concedeu uma entrevista em que afirma ter se arrependido de ter aceitado o papel de protagonista, no qual vive uma mulher trans (via The Guardian).

“Fiz aquele filme com as melhores intenções, mas acho que foi um erro”, disse ao jornal Sunday Times. “A maior discussão sobre as frustrações em torno do elenco é porque muitas pessoas não têm uma cadeira à mesa. Tem que haver um nivelamento, senão vamos continuar tendo esses debates”, comentou o ator. Questionado se aceitaria alguma proposta semelhante, disse: “Não, eu não aceitaria agora”.

Na época de seu lançamento, representantes da comunidade trans expuseram suas críticas ao projeto por não terem escalado uma mulher trans para o papel. A escritora Carol Grant, por exemplo, descreveu o filme como “regressivo, redutivo e uma contribuição para estereótipos prejudiciais”.

Em recente publicação, a atriz brasileira Renata Carvalho, de ““Pico da Neblina” e “Vento Seco”, falou sobre como a  “narrativa comumente para atores cisgêneros que interpretam personagens trans” é serem “indicados aos principais prêmios e veem sua carreira alavancada”.

“Hoje, em 2021, o ator [Redmayne] diz que foi um erro ter feito essa personagem (sabíamos disso desde 2015). Que importante posicionamento de Eddie, e ainda, completa que não aceitaria se fosse convidado hoje”, comentou a dramaturga. “No Brasil estamos mudando aos poucos essa visão cisgênera sobre nossas presenças em produções artísticas. Mesmo assim, só em 2019 foram lançados 4 filmes com a prática do transfake, e mais alguns que ainda vão estrear, mas já nascem velhos, datados e fora do seu tempo”.

“A representatividade é coletiva, precisamos ocupar todes juntes, só assim conseguiremos mudar a realidade de pessoas trans/travestis. Representatividade é importante – salva vidas. Aqui continuaremos denunciando e propondo a reflexão dessa prática e a exclusão. Diga SIM ao talento Trans”, expressou a artista.

Dirigido por Tom Hooper, de “Cats” e “Os Miseráveis”, o filme é inspirado nas vidas das artistas dinamarquesas Lili Elbe e Gerda Wegener.

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