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Miley Cyrus e Mickey Guyton falam sobre música country, representatividade e vulnerabilidade para Rolling Stone

Em mais um episódio da série “Musicians on Musicians”, da Rolling Stone, Miley Cyrus conversa com Mickey Guyton, cantora country que vem quebrando recordes e barreiras históricas como uma das poucas mulheres negras a obter sucesso no gênero.

Este não é o primeiro contato entre as duas artistas, mais cedo neste ano, durante o mês do orgulho LGBTQIA+, Miley voltou à Nashville e, no meio da Bible Belt, região onde as práticas religiosas têm um histórico protestante, se juntou a um grupo de cantores country sem medo das amarras conservadoras que o gênero impõe. Mickey Guyton era uma dessas cantoras e se juntou à Miley no palco para entregar mensagens de amor, aceitação e orgulho.

Cyrus começa a conversa dizendo focando na música de Mickey, e relembra uma frase dita por seu pai: “Não pense fora da caixa, porque não há caixa”. E continua dizendo que, “sendo uma pessoa tão polêmica, quando há uma linha e eu a cruzo, eu nem me concentro nisso — porque agora estamos nos concentrando mais na linha do que na ação.” 

Mickey concorda e diz que “a definição de insanidade é fazer a mesma coisa continuamente, esperando resultados diferentes. E eu fiquei louca por um longo tempo, porque há essa caixa em que as mulheres na música country deveriam se encaixar, mas, em seguida, coloque uma mulher negra nessa caixa e se torna ainda menor.”

A cantora continua dizendo que, em um certo ponto, não tinha nada a perder, já que nunca foi aceita em Nashville e revela uma conversa decisiva com o marido. “Eu o perguntei o motivo da música country não dar certo comigo. Ele disse que eu estava correndo de tudo que me fazia diferente”. Ela conta que usava o cabelo, tentava se vestir e se comportar como outras mulheres no country, “e foi muito tóxico para mim”, completa.

Sobre a vulnerabilidade, Miley afirma não se colocar mais nessas situações com frequência. “O máximo que me coloco em uma posição de vulnerabilidade é me permitindo me apaixonar, porque isso vem com a dor e vale à pena. Mas as outras merdas não valem.”

Ela ainda afirma que, durante a pandemia, esqueceu quem era e o poder que tinha. “Depois que me apresentei no Lollapalooza, eu tive uma epifania. Eu acho que não estando na frente de 200 mil pessoas depois de um ano e meio e eles te verem novamente, eu entendi meu impacto e meu poder.” e finaliza “Você não sabe o que você tem até perder. E eu tinha esquecido quem eu era”.

Guyton elogia a carreira de Miley e lembra de ter ficado chocada ao ver a cantora rebolar no palco do VMA. “Você e o resto do mundo”, brincou Miley.

As artistas finalizam falando sobre a importância da representatividade no meio da música e falam sobre pioneirismo. “Você está abrindo uma porta e quer que as pessoas passem por ela. O número um é o mais solitário. Nós precisamos ser fortes juntos”, finaliza Cyrus.

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