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No sábado (9), o artista vai se apresentar em live exclusiva do Globoplay (Divulgação)

Entrevista: Lulu Santos propõe investigações em “Inocentes”, parceria com o trio Melim

Lulu Santos e o trio Melim estão juntos em uma nova colaboração artística. Depois de unirem talentos em “Cabelo de Anjo”, faixa de “Eu Feat. Você”, os artistas lançaram o single “Inocentes” na última quinta-feira (7).

Nesta semana, o Papelpop conversou com compositor de “Tempos Modernos” sobre a nova faixa, que carrega uma homenagem ao disco “Meet the Beatles” na capa. “A gente mergulhou naquela arte”, relata o artista sobre a referência estética ao LP de 1964. “É uma coisa da minha história. Eu tive aquele álbum na minha tenra infância. Talvez com 12 ou 13 anos de idade. Se não tive, eu cobiçava ou andava com meu melhor amigo que tinha mais bala pra comprar todos os álbuns.”

Com um vislumbre do registro audiovisual da música, que também carrega influência do segundo trabalho da banda inglesa, foi tomada a decisão de mesclar as cores do fundo com a roupa dos músicos para “simbolizar a dificuldade que se vive, a dificuldade que a humanidade vive nos últimos anos”, conta Lulu.

Confira a capa:

Assim como inúmeras composições mundo afora, “Inocentes” também tem seu background. A faixa poderia ter sido o tema de uma campanha publicitária, como relata o cantor. Além do curioso fato, os versos reunidos compõem a única música que ele escreveu em 2020, quando “o que se via na frente era um grande cinzentão, era um momento de paralisia, apatia e incerteza”, conforme o auge da pandemia é descrito pelo artista .

Lulu recebeu uma encomenda, que o colocou em um espaço antes desconhecido. Não tinha produzido canções dessa forma. Depois de desligar o telefone, se perguntou sobre o motivo do impasse com o job. “Teria sido a minha primeira experiência, primeira vez que eu iria cumprir uma solicitação de encomenda”, conta. A música chegou a ser feita, como pode-se presumir, mas passou a integrar o novo EP do artista, não um filme publicitário.

“Inocentes” carrega os versos “Todo mundo crente que está certo o tempo todo / E o contraditório é só a sua opinião / Inocentes vão marchando para o precipício / Convencidos de encontrar um paraíso”. A composição aborda indagações sobre o presente emergente e suas tribulações controversas. “Estou propondo a investigação”, afirma o artista, que também relaciona o título da obra com uma bondade tóxica.

Sobre o contexto, ele reitera que o retrocesso abordado é fruto do que se viveu no Brasil nos últimos anos, mas também não é exclusivo do país. No sentido de existir um sentido nesse caos, ele dispõe da convicção de que o ideal “é fazer o melhor que a gente puder com o que a gente tem aqui e agora. O planeta, a vida no planeta. O respeito à natureza e o melhoramento da natureza humana, pois depende de um contrato”. E que acordo seria esse? “Um novo contrato da humanidade consigo mesma”, ele explica.

Ao citar as duas principais forças da psique humana, Eros e Tânatos, a conversa invadiu o espaço de Freud para entender o dualismo da sociedade. De acordo com os conceitos, enquanto Eros simboliza a porção de vida, Tânatos representa a morte. “Da mesma forma que isso coexiste na psique humana, se você pegar a humanidade como uma representação múltipla dessa psique, também existe essa divisão. E isso fica pelejando. É o que a gente olha pra trás nos últimos cem anos, foi o que ficou acontecendo. É sobre isso.” 

Em outro ponto, de volta aos ícones britânicos, o artista salienta o papel histórico dos músicos em sua trajetória – e o transbordar dessa questão em “Inocentes”: “O que a canção se pergunta está dentro desse lapso histórico que começa com o lançamento do segundo álbum dos Beatles. O que está acontecendo agora são tempos de um estranho retorno de uma parte da sociedade a tudo aquilo que foi combatido justamente pela Segunda Guerra Mundial. A primeira geração depois daquilo é justamente a geração dos Beatles, dos Rolling Stones e toda essa onda de artistas que mudou a sociedade”, explica.

Naquele momento, na década de 1960,  o jovem artista foi contagiado pelo “questionamento de uma juventude que pela primeira vez na história da humanidade se voltava contra os preceitos da geração anterior”, relata. “Isso não tinha acontecido – nunca uma geração tinha questionado a geração anterior em termos de valores. Isso começa justamente ali e esse fogo que incendeia o mundo inteiro me pega aqui no Brasil, onde estou vivendo o golpe militar de 1964. Estranhamente, [mesmo com] tudo que se lutou pra se livrar disso, uma parte da população parece que passa por uma espécie de efeito pêndulo, parece que tinha atração por isso. Eu me pergunto e pergunto em voz alta ‘Qual é? Porque eu mesmo não recebi o memorando, sabe?”.

Ao lado de “Hit”, faixa lançada em maio, “Inocentes” faz parte do próximo projeto de Lulu. No próximo sábado, 9 de outubro, o cantor vai abrir os trabalhos da turnê “Alô, Base!” com uma live exclusiva do Globoplay, às 20h. Inclusive, o show poderá ser assistido por não assinantes da plataforma. 

O clipe de “Inocentes” estreia hoje (8), às 18h, no Youtube. Enquanto isso, ouça o single nas plataformas digitais:

Spotify | Deezer

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