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Foto: Divulgação

Caetano Veloso plana sobre o Vale do Silício em “Anjos Tronchos”, abre-alas do disco “Meu Coco”

Na pele de um Ícaro moderno, Caetano Veloso faz uma reflexão sobre as macabras telas azuis que nos aprisionam. A modernidade e as dualidades da internet se desdobram como enredo do single “Anjos Tronchos”, lançado na noite desta quinta-feira (17) e que, na forma de uma longa e clássica poesia de seu repertório, critica o Vale do Silício.

Esta terra de controles totais e de fortunas trilionárias, a mesma que deu cria a Billie Eilish e seu irmão Finneas, citados na letra, vai sendo desenhada pelo artista em versos densos, que remontam composições como “Fora da Ordem” (1991), e por sua vez são embalados por uma seca guitarra.

“É uma canção que pensei que não ia poder fazer por inteiro, por causa do meu desconhecimento da matéria, do assunto”, diz. “Eu prometi a mim mesmo que se eu quisesse fazer uma coisa dessas, precisaria saber muito mais. Para saber mais, eu precisaria usar mais a internet, saber mais o que acontece nas redes sociais”.

Nas palavras de Veloso, marcadas por um forte discurso político que tange a tragédia neoliberalista, seu voo sobre este império se revela apenas um recorte de algo maior e complexo, milimetricamente fragmentado.

“Embora eu não conheça muito a questão da tecnologia e das suas consequências, eu fiz uma canção que parece mexer em questões muito maiores do que seu autor é capaz de dominar. Tem muitas canções que tiveram resultados políticos, na formação da cabeça de gerações, de áreas da sociedade, e que não foram feitas por uma pessoa que conhecesse teoricamente a complexidade daquele assunto. Eu terminei pensando: ‘Deu para fazer uma canção que pode ser como uma dessas’”.

Um clipe está previsto para as 20h desta sexta-feira (17). Para ouvir no streaming, clique aqui.

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