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Projeto chega dois anos após trabalho em homenagem à Mangueira (Foto: Divulgação/Jorge Bispo)

Maria Bethânia enfrenta claros breus em “Noturno”, disco que acaba de sair

Com uma capa sem fotografias e apenas um título grafado em cor azul, “Noturno“, o novo disco de Maria Bethânia disponível deste esta madrugada, vem para nos lembrar que há pouco o que celebrar. O Brasil, hoje transformado neste grande vale da sombra da morte, queima enquanto a voz da artista parece emanar clareza e lucidez.

Nesta compilação de canções que tem entre seus colaboradores Chico César, Adriana Calcanhotto e o sobrinho, Zeca Veloso, a artista abraça o drama de viver em uma terra sem lei ao narrar histórias como a do menino Miguel, filho da empregada Mirtes Renata morto pela negligência da patroa, Sari Corte Real. Um caso de poesias reais, dolorosas e desgraçadamente brasileiras.

A este clima de tragédia, segue-se “A Flor Encantada”, single que o público já conhecia e que chegou, a princípio, pelo show “Claros Breus”, que entrou brevemente em cartaz em 2019. As dores do amor e da memória se seguem em “O Sopro do Fole” e “Bar da Noite”, em que a artista empresta sua voz para descrever a saudade infinita da pessoa amada, bem como da terra deixada pra trás.

Os destaques também se aplicam à sinestésica “Lapa Santa” e “Vidalita”, uma curiosa e pouco previsível incursão da cantora pela canção flamenca. A faixa “Prudência”, aguardada composição de Tim Bernardes sobre desterros amorosos e a busca da paz, é outra que merece atenção.

Os arranjos são do maestro Leitiere Leite e a produção do baixista Jorge Helder. Ouça clicando na foto abaixo.

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