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oChampss: rapper paranaense lança vibrante videoclipe com projeção em prédios de São Paulo

O ocultismo sempre fez parte da vida do rapper paranaense oChampss. “Cresci no terreiro de candomblé do meu padrinho”, conta ao Papelpop, por WhatsApp. “Sempre fui próximo de questões religiosas, acho que é uma influência fundamental na minha vida. E aí vou inserindo isso sutilmente nas minhas criações”. O tema, entre vários outros, acaba se fundindo ao contexto social na hora de compor – o que faz com que o artista entregue ao público logo de início curiosas abordagens líricas.

De São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, ele desponta hoje na cena indie como uma das novas vozes da cena – e, portanto, dono de um compromisso com o próprio desejos de vencer. “Sempre tive uma preocupação em fazer rimas, em brincar com as palavras, mas ao mesmo tempo focar em beats bonitos, flows diferenciados. Nada muito seco. A ideia muito bruta que pode não ser tão atrativa”.

Há cerca de 3 anos decidiu entrar para uma banda de rap-jazz com o coletivo Rasura. Lá esbarrou com o drill, gênero musical considerado um estilo de rap sombrio, com característicos beats pesados. Criado em Chicago há cerca de uma década, o som é hoje uma tendência no Brasil. Na tentativa de criar uma identidade sonora aliada à dos interesses de rappers e produtores internacionais – a maioria baseada em cidades como Londres, Chicago e Paris, oChampss mergulhou em questões estéticas.

O interesse, que perpassa letras e imagens, fez surgir mais um capítulo da carreira. Chegou ao streaming no dia 12 de junho o clipe de “Só Pra Entreter”, narrativa vibrante que revive memórias uma clássica situação de nostalgia. Enquanto tenta se divertir com os amigos, o artista se percebe inebriado pelas lembranças de uma ex-namorada.

Tendo como referências o filme “Sympathy For The Devil”, de Jean Luc-Godard, e o videoclipe “The Way You Make Me Feel”, de Michael Jackson, o projeto destaca a fusão do drill com a cultura pop, marcas da direção de Jacqueline Nascimento e Uliane Tatit.

A ideia de convidar duas diretoras se deu, justamente, por um interesse de conferir ao material uma perspectiva díspar à das produções de rap, em geral marcadas por um forte e remanescente machismo. “Essa é uma parada muito importante no tipo de som que fazemos por conta da existência de uma sexualização e de um tipo de pensamento que trata mulheres como produtos, objetos, um atrativo para homens consumidores”, explica.

“Não é por aí que as coisas funcionam, as meninas precisam estar na mesma posição que nós homens. Ainda é um assunto delicado, mas muito necessário de ser trazido pro debate. Existem coisas que não são agradáveis, muito menos bem-vistas. Por isso é hora de dar visibilidade e não priorizar homens no rap, com uma visão atrasada de produção, direção e até mesmo composição”.

Com a estreia cravada no Dia dos Namorados, oChampss diz que a composição de faixas voltadas para o amor – sentimento que, à sua maneira, também se revela político – acabou sendo afetada pelo atual estado das coisas. “Confesso que essa letra foi tranquila de fazer, mas com certeza acaba sendo difícil escrever no geral dado o cenário”, diz. “O momento é caótico e se trata, mais do que isso, de um momento em que precisávamos do governo. Mas ao contrário, ele é ineficiente e nos impede de estar perto do outro, de fazer arte com subsídios”.

Membro do selo Sem Crise e apoiador de coletivos criativos, ele destaca a necessidade de apoiar artistas iniciantes, membros da cena local. “Fizemos tudo com pessoas que acreditavam no projeto, produção, roteiro, figuração e em meio a uma pandemia”, diz. “Sem o suporte de projetos voltados para a cultura que, eventualmente, fazem com que exista um amparo. Hoje no Brasil existe um interesse em não propagar a arte”.

“Por isso fortalecer artistas indies, não apenas de Curitiba, mas de todas as regiões, artistas que você se identifica e gosta, é tão necessário. É essa galera que bota sangue no bagulho, que precisa de você pra botar força, compartilhar, mostrar pros amigos”.

Projeção

Além do lançamento em plataformas digitais, o clipe também será exibido neste domingo, a partir das 19h, em prédios da Vila Mariana, bairro tradicional da capital São Paulo. A iniciativa é fruto de uma parceria com o fotógrafo, videomaker e social media, Guilherme Gandolfi, que ao longo do último ano tem sido responsável por intervenções urbanas e manifestos políticos na cidade.

“Já tínhamos uma ideia de fazer algo do tipo, pensando na questão do distanciamento social. Seria inviável realizar um show e com show e queríamos fortalecer outros artistas. Tenho um apreço muito grande por isso, é um reforço pra que a galera tome as ruas com artes em cidades como São Paulo. Espalhar arte, consumir arte traz sentimentos, energias, alegrias momentâneas”. Você pode acompanhar nas redes sociais do cantor clicando aqui.

Ouça o trabalho de oChampss nas plataformas digitais.

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