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O cantor venceu o Eurovision em 2019 (Divulgação/ Foto: Paul Bellaart)

Entrevista: Duncan Laurence fala sobre o hit “Arcade”, bossa nova e gosto pelo drama

Com “Arcade”, Duncan Laurence venceu o Eurovision em 2019, se juntando a nomes como ABBA e Céline Dion entre os premiados por essa competição musical tão famosa na Europa. Desde então, o sucesso da música só cresceu e ela até viralizou no TikTok.

Para saber mais sobre a história do hit, nós batemos um papo com o cantor holandês pelo Zoom. Todo empolgado na frente de um piano, várias plantas e um quadro do John Lennon, ele nos contou o dramático acontecimento que inspirou “Arcade”.

Na conversa, também falamos sobre drama, bossa nova, fama, haters, planos para 2021, o primeiro álbum do Duncan, o papel dos artistas como influenciadores e o filme “Rio”. Ele se mostrou bastante empolgado para nos visitar assim que for possível.

Antes de conferir a entrevista, vem ver o clipe de “Arcade”!

A entrevista pode ser lida abaixo:

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Papelpop: Duncan, parabéns pelo sucesso de “Arcade”! Quando você percebeu que tudo tinha mudado e agora estava famoso?

Duncan Laurence: Demorou alguns dias para perceber que eu tinha ganhado o Eurovision. Foi uma grande aventura, como estar em uma grande montanha-russa, um momento lindo da minha vida. Realmente demorou alguns dias, talvez semanas para eu ficar tipo: “Espera um segundo… Eu ganhei isso? Uau! Isso é incrível”. Ainda estou processando, de tempos em tempos, tudo isso que está acontecendo.

Como tem lidado com toda essa exposição, escolhendo o que vai compartilhar com o público ou não?

Bem, eu acho que, como em todo trabalho, você tem a vida profissional e a privada. Se as pessoas da minha vida privada querem ficar nos holofotes, elas são mais que bem-vindas. É que apenas muitas das pessoas ao meu redor, especialmente meus pais, estão tipo: “Eu sou professor e só quero fazer o meu trabalho. Não quero ficar muito envolvido em toda essa coisa. Nós te amamos e apoiamos. Você tem que alcançar todos os seus sonhos, mas vamos estar aqui, atrás do palco te dando suporte”. Então, toda vez que me perguntarem coisas da minha vida privada, vou ficar tipo: “Bem, isso não é nada da sua conta”. Porém, se for algo relacionado a inseguranças ou algo pelo qual eu esteja passando, acredito que seja importante me abrir sobre isso. Acho que é muito importante compartilhar essas coisas, especialmente quando você está sendo observado e ouvido pelos outros. Temos que amadurecer a nossa forma de pensar para que possamos compartilhar as coisas principalmente por causa de tudo o que anda acontecendo, como a pandemia, aquecimento global e tal. Precisamos uns dos outros. Precisamos nos abrir com os outros. Espero que, em ao menos uma pequena quantidade, eu possa ser de alguma forma um exemplo em termos de abertura.

Então, para você, ser artista vai além de “somente” entregar músicas para o público e fazer turnês? Influenciar positivamente é uma das suas missões como artista?

Sim! Isso foi sempre muito importante para mim. É óbvio que estou apenas começando a vida de artista. Eu não tenho tanto seguidores quanto o Justin Bieber ou sei lá. Apesar disso, sempre amei artistas como Beyoncé ou Lady Gaga, por exemplo, que realmente deixam uma marca no mundo e dizem: “Temos que compartilhar amor porque, caso contrário, ficaremos uns contra os outros. Ninguém quer isso”. Como alguém que está crescendo como artista, minha prioridade número um não é apenas música, mas conexões verdadeiras e honestidade. Música é a minha forma de me conectar com os outros.

Você costuma ser bastante aberto em relação ao bullying que sofreu na infância. Por isso, gostaria de saber como lida com os haters hoje na internet. A solução é ignorar ou enfrentar?

Eu sou um pouco sortudo. Não vejo ódio no meu Instagram e outras redes sociais. Acho que, se você dá amor, é isso que recebe. Esse princípio é bem simples, mas funciona. Apesar disso, às vezes há mensagens de ódio. Se de alguma forma vejo algo que afeta meus fãs, por exemplo, eu realmente me imponho e digo algo sobre. Mesmo que seja apenas algo como “ei, você está feio hoje”, eu diria: “Bem, você tem dias ruins também…”. Simples assim! É muito humano se defender e não apenas aceitar tudo o que dizem a você. Ao mesmo tempo, estou tipo: “Não me importo com você falando com sua foto de perfil de boné falando coisas ruins sobre mim. Não me importo! Estou vivendo meu sonho, minha vida”. Na maioria das vezes, eu reajo sem ser rude. Espero que a pessoa tenha um fim de semana maravilhoso e adoraria vê-la em um show, dar um abraço enorme nela. Afinal, espalhar amor é a melhor coisa que se pode fazer em relação a mensagens de ódio. É tão bom! Faz bem. É algo que todos sabemos e deveríamos fazer um pouco mais de vez em quando.

O alcance dessa sua mensagem em relação ao amor ficou ainda maior após o sucesso de “Arcade”. O que acha que tornou essa música tão popular?

Eu não tenho ideia porque isso é com os ouvintes [risos]. Se eu fosse tentar adivinhar, diria que a música se tornou tão popular porque existe algo nela que é pessoal, aberto, honesto e fala sobre coração partido de um jeito que, esperançosamente, as pessoas possam se identificar. Espero que seja isso!

Qual é a história por trás dela?

A história por trás dessa música é baseada na trajetória de uma amiga da minha família. Quando eu era mais novo, ela infelizmente faleceu. Ela tinha o amor da vida dela. Eles ficaram juntos por muito tempo e se separaram alguns anos antes de ela falecer. No dia em que morreu, ela se manteve olhando para a porta do quarto e percebemos que esperava a chegada dele para dizer adeus, mas isso nunca aconteceu. Existia um amor não correspondido naquele quarto sobre o qual eu gostaria de escrever. Foi assim que escrevi “Arcade”, combinando com a minha experiência de coração partido e o lance de ser um garoto de cidade pequena se mudando para a cidade grande a fim de estudar música e alcançar meus sonhos. Juntei esses dois mundos.

Obviamente essa é uma tragédia. Porém, de modo geral, você gosta de um pouco de drama na vida para se inspirar?

Eu amo um pouco de drama especialmente quando se trata de música. Música emocional é algo com o qual realmente podemos nos identificar. Eu também sou atraído pelo lado emocional da música. Gosto de ouvir Ariana [Grande] e Dua Lipa sempre que consigo para apenas dançar e não pensar sobre o mundo por um segundo, sabe? Apesar disso, quando se trata da minha música, eu gosto de olhar para coisas que me inspiram e fazem os outros sentirem no coração aquele sentimento de “ai”. Gosto disso. É um momento de desabafo. Essa é a minha música. É o que busco alcançar. Na maioria das vezes, isso vem com uma história um pouco triste, mas sempre tento acrescentar algo positivo e esperançoso nas minhas letras ou até mesmo no arranjo de alguma coisa para soar reconfortante.

Você lançou seu primeiro álbum recentemente, certo? Qual faixa você acha que melhor representa todo o projeto?

Se contar “Arcade”, acho que duas das minhas músicas favoritas do álbum são “Sleeping On The Phone”, que envolve uma história super pessoal, e “Umbrella”. Essas são duas canções que mostram um pouco do que amo fazer: contar uma história, mas também criar um mundo relacionado à música. Junto com “Arcade”, elas também mostram a direção que estou seguindo com os meus próximos lançamentos.

Vi você falando em outras entrevistas que algumas das músicas lançadas foram influenciadas pela turnê que fez na Europa após vencer o Eurovision. Isso me fez pensar que, se tivesse a chance de vir ao Brasil algum dia, a nossa música poderia servir de inspiração para você… Você já conhece algo sobre a música brasileira?

Eu cresci ao redor de muita música portuguesa porque meu padrasto era de Lisboa, mas hoje escuto muita música brasileira também. Sei que existe um gênero musical que envolve especialmente o violão, é super melódico e geralmente cantado por homens com vozes muito suaves. Eu me apaixonei verdadeiramente por ele. Isso vai soar muito estúpido [risos]. Quando assisti o filme daquele pássaro, “Rio”, tinha uma música linda chamada “Fly Love” [cantarola um trecho]. Desde então, eu fiquei tipo: “Essa é a música mais bonita que já ouvi na vida”. Eu adorar ir a shows de artistas no Brasil especialmente desse gênero musical que é apenas o violão e a voz. Mal posso esperar por esse momento. Espero conseguir fazer um show aí também. Seria maravilhoso!

Quais são os próximos planos para 2021?

Neste verão [do hemisfério norte], estarei trabalhando no estúdio. Estive finalizando muitas canções nesta semana. Então, há algumas músicas vindo em breve. Depois de me apresentar na próxima edição do Eurovision, vou entrar no estúdio e espero me preparar para shows ao vivo novamente. Quando o mundo estiver pronto, espero viajar para países como o Brasil, mas também Los Angeles a fim de escrever novas canções e apenas ser criativo, aproveitar seriamente a chance que me foi dada. Espero criar músicas lindas que as pessoas vão amar, ouvir e querer compartilhar.

 

Ouça o álbum de estreia do Duncan nas plataformas digitais:

Spotify | Deezer | Apple Music

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