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O novo single já está nas plataformas digitais (Divulgação)

Conversamos com Jão sobre novos singles: “Vai ser sempre um retrato fiel do que estou vivendo”

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Diante do lançamento de “Coringa”, que chegou às plataformas digitais na noite da última quarta-feira (24), nós tivemos a chance de conversar com o Jão mais uma vez. Na entrevista por videochamada, falamos sobre o novo single, “BBB”, futuras colaborações musicais, além de séries e filmes que têm servido de inspiração para o cantor.

Jão também nos contou que as filmagens do clipe de “Coringa” tiveram vários imprevistos, resultando em situações bem engraçadas. Apesar dos perrengues, ele se mostrou bastante orgulhoso do resultado, que pode ser conferido abaixo porque o vídeo acabou de estrear no Youtube. Ele continua a história contada em 2018 com “Imaturo”.

Vem ver!

Leia a entrevista:

***

Papelpop: Oi, Jão! A primeira coisa que você vai ter que me contar é: o que é um “amor coringa”?

Jão: Eu acho que “Coringa” é uma música libertária. A palavra “coringa” tem alguns significados, mas a carta coringa é de onde vem a inspiração para a música porque serve para qualquer situação. Por isso, amor coringa é um amor que explora a liberdade, o desapego. É um amor que explora o momento vivido sem pensar muito no que vai acontecer amanhã.

E o clipe já vai ser lançado logo na sequência. Ele traz algumas referências a “Imaturo”. De onde essa ideia surgiu?

Jão: Sempre fui apaixonado por clipes desde criança. Gosto muito de ver e dissecar as coisas. E sempre adorei quando as pessoas criavam narrativas que percorressem a carreira delas, sabe? É muito legal quando fazem continuações de trabalhos. É legal ver como as coisas evoluem e as perspectivas mudam conforme o trabalho vai acontecendo. Então sempre foi uma vontade muito grande [resgatar “Imaturo”] e, lógico, isso também era um desejo dos fãs, porque acho que “Imaturo” é o meu clipe mais querido por eles. Calhou que “Coringa” foi perfeita para isso acontecer, chegando na hora certa.

O que vai ficar mais marcado para você dos bastidores desse vídeo? Imagino que sempre tenha alguma história engraçada, um problemão inesperado ou sei lá…

Foi um caos completo [risos]!

[Risos] Foi? Por quê? 

Nós gravamos no Rio de Janeiro. Foram duas diárias e mais alguma coisa. Foi muito complicado. Já seria muito complicado gravar esse clipe em qualquer circunstância, ainda mais na situação que estamos vivendo, onde as coisas funcionam pela metade e está todo mundo correndo para lá e para cá. Tiveram algumas situações… Em uma delas, tinha uma cena que íamos filmar dentro de um túnel. Ele precisava estar fechado, mas não estava. Tivemos que gravar com o túnel aberto em uma véspera ou saída de feriado. A cidade estava lotada! De vez em quando, alguém da equipe corria para o meio da pista e gritava para parar os carros: “Só um minutinho! Ajuda, ajuda, ajuda!”. Aí o pessoal entrava no meio da pistava, gravava tudo, voltava para o canto e avisava: “Vai! Agora pode passar”. As pessoas não quiseram colaborar muito, mas acho que conseguimos. E tinha algumas cenas em que nós usaríamos metralhadoras cenográficas, obviamente, só que fomos advertidos pela polícia a não usar. Poderia dar algum problema e não usamos, mas foi melhor assim.

Isso tudo vem como um gostinho do seu próximo álbum, certo? Me explica como “Coringa” representa a nova leva de músicas?

Acho que é uma evolução muito natural para mim, sabe? Meus álbuns e minhas músicas sempre vão ser fotografias muito fiéis [da minha vida]. É claro que gosto de criar um universo muito grande sobre aquilo que estou cantando, além de fantasiar e explorar ali dentro, mas cada um deles vai ser sempre um retrato fiel do que estou vivendo. Foi assim com “Lobos”, “Anti-Herói” e agora com a construção do novo disco. Eu sempre me considerei um artista pop. Acho um pouco estranho quando as pessoas não me encaixam como um artista pop porque sempre foi como eu me defini. Para mim, esse é o meu lugar. É onde eu me sinto confortável de estar. Me sinto muito confiante com o que estou escrevendo e fazendo. Estou me sentindo muito dono das minhas músicas em todos os sentidos. Está sendo uma experiência gostosa criar os sons, encontrar as novidades que quero explorar e qual tipo de pop quero colocar na rua.

Em outras entrevistas, você comentou que as novas músicas têm uma sonoridade bastante diferente do que já fez. Por outro lado, você também disse que está se sentindo o mais confortável que já esteve com o atual projeto. Como isso é possível? Achei muito curioso. 

Meu primeiro disco não foi um acidente. Eu queria muito fazer um álbum a qualquer custo. Não tinha muitos parâmetros. Ninguém me comparava a nada. O primeiro álbum é sempre o mais fácil de fazer porque você nunca lançou nada previamente, ninguém espera nada de você. Ele foi fácil, mas tinha um medo de: “Será que o que estou fazendo é certo? Será que essas são as músicas certas para mim? Será que estou me expressando da maneira que gostaria?”. “Anti-Herói” foi um caos completo! Sem comentários [risos]. Hoje eu me sinto mais dono do que estou fazendo, sabe? Sempre escrevi as minhas músicas, mas hoje participo mais da produção. Eu sei o que quero, o que falar, os termos técnicos. Sei conversar com o cara que vai mixar, com quem vai remasterizar e com os músicos que vão gravar a partitura que escrevemos. Independente do sucesso comercial, de como a música vai ser recebida, eu estou muito feliz com o que estou fazendo. Nesse sentido, estou me sentindo muito confiante.

E por que acha que “Anti-Herói” foi um caos? 

“Anti-Herói” foi um caos completo pela narrativa da qual o álbum se tratava. Eu estava em um momento muito ruim da minha vida pessoal, em um lugar muito esquisito. As pessoas ao meu redor estavam tipo: “Esse cara não está bem”. Acho que isso reflete no disco, o que é incrível. Não gosto muito de ouvi-lo. Quando ouço “Anti-Herói”, ele me remete um pouco a como estava me sentindo na época. Só que acho isso muito legal! Quando eu tiver 80 anos, vai ser muito incrível ouvir meus discos e saber que fui corajoso de fotografar a minha vida. É como um álbum de fotos que uma pessoa teria se não trabalhasse com música. Em “Anti-Herói”, eu já estava muito dentro do processo, mas a parte de colocar as coisas no disco e tal… Enfim, foi uma época não muito legal [risos].

Você continua se inspirando em outros álbum, filmes e séries para compor? Se sim, o que ouviu ou assistiu muito durante a criação de “Coringa” e das outras músicas novas?

Eu continuo fazendo muito isso. Sempre tive um desespero com aqueles momentos de falta de criatividade, com um bloqueio criativo gigante. Tenho inúmeras mensagens no grupo da minha equipe falando: “Não sei mais escrever nada, nunca mais vou compor porque não consigo!”. Eu aprendi a lidar com isso e saber que, quando acontece, “foda-se, eu preciso viver”. Isso acontece porque não tenho experiências novas suficientes ou não ouvi coisas novas o bastante para escrever. Acho que filmes me trazem muitos estalos. “Coringa” nasceu de um instrumental que eu tinha feito há um tempo. Ele tem um quê de “Prenda-Me se For Capaz”, um dos meus filmes preferidos. A música tem esse quê de perseguição, de filme anos 1960. Gosto muito disso, que se traduziu para o clipe, apesar de ele ser moderno e mais voltado para o futuro. O clipe tem essa cara cinematográfica. E eu assisti muito “WandaVision” nos últimos tempos [risos]. Não entrou muito no processo da música em si, mas tem me inspirado porque é muito boa. O que é bom inspira a gente.

Quando você estava falando do clipe, lembrei de uma cena em que vocês estão cantando a música no carro. Isso me fez pensar: “O que faz uma música ser do tipo de cantar no carro? Existe isso? ‘Coringa’ é uma música de cantar no carro?”.  

Jão: É uma música de cantar no carro, com certeza! É uma ótima maneira de descrever. Eu tenho alguns blocos de descrições de músicas. Uma delas é correr na floresta e outra é cantar no carro. Acho que meus outros discos eram mais introspectivos por conta de tudo o que eles tratavam. Eu enxergo o álbum de agora sendo cantando por mais pessoas juntas, enquanto os dois primeiros visualizo sendo cantados mais sozinhos. Então “Coringa” é uma música propícia para você ouvir dirigindo depois da praia, subindo a serra no fim de tarde, chegando em casa de noite, antes da balada… Eu gosto muito desse sentimento pós-praia. Acho que ela tem essa sensação.

Ah, e eu vou ter que falar sobre os rumores da sua participação no BBB. Todo mundo só falava disso há um tempo. Você tem ideia de onde os boatos surgiram? Como você se sentiu vendo a galera discutindo o assunto? 

Eu não tenho absolutamente ideia de onde e porque isso surgiu. Nunca dei nenhum indicativo disso. Acho que calhou muito porque foi uma época em que decidi sair das redes sociais. Juro para você que não estava nem lembrando de quando o “Big Brother” iria acontecer. Eu postei uma parada avisando que ficaria foda [da internet], porque precisava de um tempo para preparar tudo o que estava fazendo. Ao mesmo tempo, surgiu o “Big Brother”. Foram muitas coincidências acontecendo ao mesmo tempo! Foi muito louco. Eu estava em uma aula de espanhol de manhã e meu celular começou a apitar de todas as maneiras possíveis. O meu primeiro pensamento foi: “Alguém morreu, com certeza”. As pessoas da minha família estavam me ligando bravas, porque não tinha avisado que estaria no “Big Brother” [risos]. Não me imagino no “Big Brother”, mas comprei a narrativa como se aquilo fosse realmente verdade. Agora, quando eu assisto, meu primeiro pensamento é: “Que bom que não estou no ‘Big Brother’!”. Todo episódio eu fico pensando: “Nossa! Nessa prova, eu estaria arrasando. Nessa briga, falaria isso”. Eu comprei a narrativa que as pessoas criaram. Acho que foram os meus fãs que começaram a dissecar meu post sobre sair das redes sociais. Eu publiquei uma foto com os meus três gatos. Eles acharam que era um mensagem subliminar e cada gato era um “B”, formando “BBB”.

Nossa?!

Eram muitas coisas [risos]! Eles fazem isso com tudo o que eu publico e, por isso, imagino que tenha surgido daí.

Para fechar, pode me contar se tem parcerias entre as novas músicas? Porque, até agora, apesar de ter participado de músicas de outros artistas, você só lançou um feat. com Diogo Piçarra, né?

Eu não posso contar quem é, mas estamos conversando sobre algumas [parcerias. Tem algumas pessoas que conversamos sempre sobre fazer música. Talvez o momento seja esses próximos meses. Então… Realmente, eu nunca lancei um feat. Sempre participei de músicas que me convidaram, mas nunca convidei ninguém para participar de algo meu sem contar o Diogo. A música com o Diogo entrou em um disco meu. Não foi nem um single trabalho. Enfim, tem duas pessoas que estamos conversando sobre cantar juntos e acho que vai rolar.

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