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A faixa "Maior Que Nós" ganhou um clipe nesta quinta-feira (Divulgação/Foto: Heloisa Vecchio)

Hotelo fala ao Papelpop sobre fases do amor e o EP “Meio”, que acaba de ser lançado

Com canções que falam sobre a fase intermediária de um relacionamento, a banda Hotelo lançou nesta quinta-feira (14) o EP “Meio” pela Sony Music. O lançamento faz parte do projeto “Início, Meio e Fim”, que teve a primeira parte disponibilizada nas plataformas digitais em novembro de 2020 e agora acaba de ganhar mais uma leva de músicas.

O melhor de tudo é que, entre as faixas recém-lançadas, está uma parceria do Hotelo com Vitor Kley. A faixa, intitulada “Maior Que Nós”, já chegou acompanhada de um clipe super divertido que mostra os altos e baixos de uma relação amorosa depois que a euforia do início já passou. Vem ver:

Nós, do Papelpop, tivemos a chance de bater um papo com três integrantes do Hotelo: Deco, Julinho e Tito. Durante a conversa, falamos sobre o “Início, Meio e Fim”, namoros e a arte de contar histórias por meio de músicas. Ali, conhecemos um pouco mais essa banda que esbanja positividade de forma despretensiosa e bem-humorada.

Bora conferir?

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Papelpop: Ansiosos pelo lançamento das novas músicas? Eu reparei que elas têm uma vibe despretensiosa, com assuntos bem cotidianos. Acham que isso facilita a conexão com o público? 

Deco: Sim! Eu acho que sim por você conseguir trazer a pessoa muito para o universo da música. Ela consegue visualizar melhor e tem mais chance de se identificar. É quase uma técnica de composição. Nós até temos uma canção chamada “Lavando Louça”. Sempre damos um jeitinho de colocar essas coisas nas nossas músicas.

Papelpop: Entendi! E várias canções do Hotelo têm uma pegada bastante narrativa, né?  O que acham que é essencial na hora de contar uma história por meio da música sem perder o toque pessoal, mas possibilitando que o público se identifique? 

Julinho: Nós nos inspiramos não só nas nossas histórias, mas também nas de pessoas próximas. Absorvemos tudo! Trouxemos isso para o “Início, Meio e Fim”. Falamos de várias situações que realmente aconteceram. Acho que este é o lance: trazer as suas histórias, mas também trazer coisas de pessoas próximas que possam acrescentar para que tudo fique mais mágico.

Papelpop: A história que vocês contam no novo projeto é sobre as fases um relacionamento. Esse conceito surgiu quando? Vocês já queriam fazer algo temático para suceder o “Mapa Astral” ou simplesmente aconteceu? 

Tito: Nós tínhamos tido uma experiência super legal com o conceito de “Mapa Astral”, com um norte a ser seguido sonoramente. Tendo isso, dá para projetar o que será feito, como vai ser o clima do disco. Deu super certo! Quando percebemos que estava na hora de fazer um novo trabalho, pensamos que seria legal trabalhar com outro conceito. Aí acho que foi uma mistura de algumas músicas que já existiam e se encaixavam com outras que foram feitas quase do zero, além de umas que foram adaptadas, sabe?

Julinho: O legal é que tudo se juntou. Sentimos que as pessoas têm que ouvir esse disco completo, do início ao fim e na ordem, para sacar as histórias, as mudanças de ritmos e como o relacionamento vai evoluindo.

Papelpop: Como foi ir para o “Início, Meio e Fim” depois da experiência que tiveram com “Mapa Astral”, colaborando com vários artistas e experimentando diferentes ritmos musicais? 

Tito: Fazendo um paralelo com o que você falou sobre experimentar ritmos [musicais]… no “Mapa Astral”, nós queríamos que o ritmo de cada faixa tivesse relação com a letra e o signo de que estávamos falando. A experiência de traduzir isso musicalmente foi o aprendizado que trouxemos para o “Início, Meio e Fim” para que o ritmo, a harmonia e o clima de cada música falasse sobre as diversas etapas de um relacionamento.

Deco: O “Mapa Astral” foi um álbum que nos fez crescer em todos os sentidos, como pessoas e artistas. Ele nos trouxe muitos fãs e foi um aprendizado muito grande. Para lançar o “Início, Meio e Fim”, nós já estávamos muito mais maduros. Acho que conseguimos transparecer isso através das canções e instrumentos.

Papelpop: Ainda pensando no estilo de música que vocês fazem, queria fazer uma outra pergunta! Sei que vocês são amigos de artistas como Vitor Kley, Anavitória, Lagum e tal. Vocês acham que se influenciam musicalmente? 

Julinho: Acho que nós somos os mais antigos dentre eles, os que têm banda há mais tempo, mas todo mundo acaba se influenciando porque temos essa amizade que vem  de fora dos palcos. Nós vemos o cara tocando violão aqui em casa e fica inevitável absorver o que tem de melhor naquilo, sabe? Quando você vai compor, acaba pensando: “Nossa, tenho que fazer uma música tão boa quanto aquela”. É inspirador e desafiador, porque tem muita gente talentosa nesse meio. É muito bom ter essas pessoas a nossa volta. Evoluímos bastante ao longo do tempo e acredito que essas amizades ajudaram nesse processo até pelo fato de observarmos a forma como eles trabalhavam profissionalmente com música, porque vários já fazem muito sucesso.

Papelpop: Que bacana! Para o álbum “Início, Meio e Fim”, sei que vocês acabaram escrevendo algumas músicas tristes para falar sobre términos, apesar do estilo do Hotelo ser canções com uma vibe mais alto astral. Por curiosidade, que tipo de música preferem ouvir quando estão mais para baixo: as tristes ou as felizes? Gosto de perguntar isso para os artistas…

Deco: Quando estou na fossa, eu não gosto muito de ouvir música de fossa porque vou ficar mais na fossa ainda, mais lá no fundo do poço mesmo [risos].

Julinho: Eu sou igual o meu amigo pisciano ali!

Deco: É então… mas eu acho que você tem que se respeitar e entender que “putz, eu não estou bem e não posso sair para balada, tipo ‘foda-se estou solteiro'”. Acho que você tem que parar realmente, respirar, entender o que aconteceu e apreciar essa fase por mais que ela seja triste, além de saber que, em algum momento, vai passar.

Tito: Eu discordo. Sou um pouco diferente. Acho que, se você já vai direto para o alto astral, do próximo momento, uma hora a conta vai chegar do que você não viveu naquele momento de fossa. Pessoalmente, eu acabou ouvindo um pouco de música triste, mas adoro o momento em que você coloca uma música energética, para cima e pensa: “Caraca, por que estou aqui deitado? Vambora!”. Eu acho que esse é o momento mais legal.

Julinho: Por isso que é legal ter uma banda, sabe? Eu não tinha pensado dessa forma… Um fato curioso é que nós fizemos uma pesquisa com os nossos fãs e eles disseram recentemente: “O Hotelo é muito good vibes e amamos isso, mas sentimos falta de uma fossinha”. Aí pensamos que era a hora de colocar algo assim nesse disco e gostamos. É bem capaz que, no próximo, tenho algumas assim…

Papelpop: Então vocês estão sempre de olho nas redes sociais para saber o que os fãs estão falando?

Deco: Sim, a gente sempre agradece muito os fãs. Inclusive, o “Início, Meio e Fim” foi financiado por meio de um crowdfunding [ou financiamento coletivo]. Graças aos fãs, conseguimos realizar o sonho de gravá-lo.

Julinho: Não existia Sony nessa época, né?! Éramos uma banda independente.

Papelpop: Nossa, que legal! Fiquei pensando nisso porque tem muito artista que não lê os comentários nas redes sociais por causa do hate.

Julinho: É que ainda não temos muitos haters. É maravilhoso ler os comentários [risos]! Sempre estamos de olho nas mensagens enviadas pelo Instagram, interagindo.

Papelpop: Agora pensando que o novo álbum fala sobre as três fases de um relacionamento, queria saber qual é a preferida de cada um de vocês e se ela coincide com a etapa que vocês mais gostam do disco. Me contem!

Deco: Falando especificamente do CD, a minha parte predileta é o fim. Só que, obviamente, na vida amorosa, o fim não é a minha fase favorita. A que mais gosto é o meio, porque é muito massa quando já explodiu aquela paixão e você se liga que é muito lindo ter a companhia da outra pessoa. Acho que é um amor muito bonito, porque o início tem aquela coisa de “estar meio nas nuvens”, mas depois você aterra um pouco e isso é muito maneiro.

Julinho: Ai, eu gosto muito do início do álbum porque ele traz alegria. Eu gosto muito de músicas alegres. Em relação aos relacionamentos, acho que isso vale também. Essa fase de descoberta, de conhecer alguém é muito gostosa porque envolve acertar e errar, mas está todo mundo tentando acertar.

Tito: A minha parte favorita do disco é o meio. Tem músicas ali que eu não vejo a hora de tocar ao vivo. Por outro lado, o começo de um relacionamento é o melhor, tem um arrepio que é mágico e empolgante.

 

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Ouça o EP “Meio” nas plataformas digitais:

Spotify | Deezer | Apple Music

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