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O single mais recente do cantor foi lançado em 15 de janeiro (Divulgação)

Conversamos com Nick Cruz sobre o single “Então Deixa”, principais influências e representatividade

Se você gosta de pop com melodias fáceis de ficar na cabeça, é bom ficar de olho em Nick Cruz. Depois de ter lançado “Me Sinto Bem” em 2019 e “Até de Manhã” no ano passado, o cantor capixaba apresentou ao público na última sexta-feira (15) o terceiro single da carreira, intitulado “Então Deixa”.

A canção retrata uma paixão intensa, daquelas que fazem as pessoas esquecerem tudo o que está ao redor. Ali, tendo em vista o Janeiro Lilás (mês da visibilidade trans), o artista aproveita para espalhar a mensagem do amor sem preconceitos: “Então deixa / Quem quiser falar / Hoje é a gente que manda / Sem ter hora pra acabar”.

Ouça aqui:

Por videochamada, conversamos com Nick Cruz para saber como tem sido iniciar a carreira musical em meio a pandemia, a trajetória que o trouxe até aqui e os planos que tem para 2021. Durante o nosso papo, o artista ainda falou sobre a importância da representatividade e das pessoas que o inspiram.

Confira na íntegra!

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Papelpop: Em “Então Deixa”, você fala de um amor sem amarras e preconceitos de maneira leve e descontraída. Acha importante que esse tema também seja abordado assim? Queria te fazer essa pergunta, já que estamos no Janeiro Lilás. 

Nick Cruz: Sim. Eu acho que o universo trans é muito abrangente. Tem muita gente que veio de uma criação bem distante do que vemos hoje. Acho importante trazer esses assuntos de uma forma leve justamente para que as pessoas consigam absorver mais facilmente, em especial, as mais velhas. Até porque creio que, dentro das nossas bolhas, a galera mais nova vem sendo discutido isso com mais profundidade – o que é super importante também. Eu pretendo atingir a grande massa, que talvez não seja o meu maior público, mas faz toda a diferença.

E eu achei interessante que você assinou contrato com a Warner, dando início a uma nova fase da sua carreira e a pandemia veio com tudo logo na sequência. Como você recebeu isso? 

Eu assinei o contrato com a Warner no final de 2019 e pensei: “Caramba, 2020 vai ser o ano! Vai dar tudo certo!”. Só que veio a pandemia e toda essa tristeza… No fim, eu aproveitei esse espaço — com todo o privilégio que tive de estar com uma gravadora e ter uma estrutura super importante para poder respirar, focando na música — para usá-lo da melhor forma: produzir com os materiais que tinha em casa, criar músicas novas e outros conceitos. Aproveitei para aflorar a minha criatividade. Ah, e eu foquei em malhar também [risos]! Deu super certo.

Olhando para sua trajetória, gostaria que me falasse um pouco sobre o seu primeiro contato com o mundo da música. Soube que você tem algumas influências que vieram de dentro de casa… 

O meu começo na música foi muito novinho e inconsciente, enquanto cantava no karaokê de casa com a minha mãe. Ela, por mais que não seja alguém profissional, sempre foi muito ligada à música desde nova. A minha madrinha, que é a melhor amiga da minha mãe, atualmente trabalha com música também, abraçando os sonhos das pessoas lá do interior, de onde eu vim. Foi ali que surgiu essa curiosidade pelo mundo da música até que encontrei artistas com os quais me identifiquei muito. Foi aquela coisa de ser fã e querer imitar as técnicas vocais, roupas e tudo o mais. Ah, e também teve o meu irmão que tocava violão. Como eu era criança, não podia tocar em nada para não quebrar. Eu ficava só assistindo, mas ele tocando me intrigava muito. Mesmo sem saber distinguir o sentimento que era tão grande, eu achava muito lindo e admirava bastante. Inclusive, hoje meu irmão não toca violão e eu toco um pouquinho melhor do que ele. É maneiro esfregar isso na cara dele [risos]!

E de fora de casa? Quem te inspira? 

Olha, quando era criança, a gente ouvia muito MPB tipo Tim Maia, Ana Carolina, Maria Gadú, Maria Bethânia e Caetano Veloso. Quando adolescente, eu ouvia muito pop internacional porque gostava de Britney Spears, Justin Timberlake, Chris Brown, Justin Bieber. Hoje em dia, me identifico com coisas extremamente diferentes, mais para dentro do meu universo. Me inspiro muito em Gloria Groove, Liniker e Linn da Quebrada.

Em entrevistas anteriores, você disse que é um desafio muito grande dar a cara a tapa no mercado brasileiro sem ter tido um exemplo trans masculino para seguir. Ainda sente isso? 

Sinto. Sinto muito! Quantos meninos trans ainda mais novos do que eu querem se inspirar em algo e só têm imagens cis para se identificar, que é um universo e uma ideologia muito distante da nossa? Ao mesmo tempo, isso me dá muita força para que eu possa estar levando um pouquinho dessa representatividade para as outras pessoas. Mesmo tendo um trabalhando ainda pequeno, eu recebo algumas mensagens de pessoas trans falando que gostam muito do meu trampo, se identificam bastante e acham legal de acompanhar. É uma delícia e não tem preço! Mas, sim, é muito triste o cenário. Eu queria mais representatividade nesse meio.

Quando você percebeu que conseguiria bancar isso, sabe? Quando percebeu o poder que sua voz poderia ter? 

Como saí de casa cedo, tive que trabalhar com muitas coisas para me manter. Já trabalhei como pedreiro, ajudante de eletricista, em mecânica, com comida e inúmeras outras coisas. O meu melhor amigo, o Jefferson, me apresentou esse universo de milhões de trabalhos diferentes para que eu pudesse sobreviver até que um dia eu falei que gostava de cantar. Nós morávamos juntos e, por isso, eu disse: “Eu tenho um amigo que tem um teclado. Ele pode vir aqui?”. Nós ficávamos em casa tocando e gritando até que o Jefferson falou: “Cara, eu tenho um amigo chamado Renato que toca em barzinho. Você quer tocar em barzinho?”. Eu disse que queria e ele pediu para eu ensaiar um repertório. Os bares geralmente pedem quatro horas de repertório. Eu não tinha nem vivência para isso. O Renato, que era meu amigo, tocava sertanejo para complementar. Cada vez que me apresentava no bar, era a mesma emoção. Isso só foi crescendo e começamos a procurar outros meios de evoluir fora dos barzinhos, já que aquele não era o meu público. O senhor estava sentado tomando uma cerveja e eu ali tocando Lady Gaga para ele [risos]…

Ah, outra coisa que queria comentar é que vi uns covers que você publica no Youtube. Como seleciona quais músicas que quer cantar para colocar lá? 

Eu adoro indicações para saber o que meu público gosta de ouvir e saber até o que posso trabalhar na minha música em relação a ritmo etc., mas também gosto de pegar coisas em que já me sinto muito confortável porque sei que farei melhor. Como às vezes vem uma demanda grande para mim, eu tento fazer isso não se tornar um trabalho, sabe? Então eu pego aquelas músicas que conheço mais e acho que o cover pode ficar legal para caramba. Vem do coração mesmo.

Bom, para finalizar: você faz resoluções de ano novo? O que mais você espera para 2021?

Quero lançar milhões de outros clipes, com conceitos diferentes e abordar outros temas. Esse clipe que lancei agora, que se chama “Então Deixa”, eu considero um divisor de águas na minha vida. É uma música que amei fazer porque foi com uma pessoa muito especial e minha amiga, Budah. O meu plano para 2021 é que essa música dê muito certo, chegando no coração de cada pessoa desse Brasil e do mundo. Eu também quero trazer muito conceito para os meus trabalhos e fazer a galerinha pensar, saindo da zona de conforto de falar sobre relacionamentos comuns.

 

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