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Bryan Behr conta ao Papel Pop sobre seu novo EP “Capítulo 1”, carreira na pandemia e inspirações.

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Conversamos com Bryan Behr sobre seu novo EP “Capítulo 1” e o single “Eu Sou Sentimental” e como, com apenas dois anos de carreira, o catarinense vem  “cantando estórias” da sua vida através de suas músicas com melodias que misturam referências de diversos gêneros como folk, pop, rock e MPB. O cantor-compositor compartilhou com a gente como tem sido o desenvolvimento do EP que lança a primeira parte de um projeto que, quando concluído, se transformará no terceiro álbum de estúdio do cantor: “Assim como em livros, existe essa coisa de momentos, como se organizarmos a narrativa em roteiro para que o personagem, que é quem tá ouvindo, se sinta acolhido pela história”. 

Ainda não viu o clipe maravilhoso do single “Eu Sou Sentimental”? Corre aqui, ó:

 

Bryan também nos contou sobre sua vida na pandemia, inspirações musicais e como foi a produção desse EP que é tão pessoal para ele. A entrevista na íntegra você confere abaixo:

 

PP: Parabéns pelo EP e o clipe lindo de “Eu Sou Sentimental”! Conta pra gente um pouco mais sobre esse novo projeto?  

Bryan: Então, o EP se chama Capítulo Um porque ele faz parte de algo maior, ele faz parte de um álbum que eu decidi separar em EP em forma de capítulos, como histórias de um livro. No Capítulo Um eu busquei sair um pouco da caixa, desde na composição até nos arranjos, baseado em coisas novas que eu comecei a ouvir de um tempo pra cá. E acho que, assim como em livros, existe essa coisa de momentos, como se organizarmos a narrativa em roteiro para que o personagem, que é quem tá ouvindo, se sinta acolhido pela história. Em “Eu Sou Sentimental” eu quis trazer essa visão caótica da vida que diz muito sobre inseguranças, vulnerabilidades e frustrações – que é algo que eu nunca fui muito de compartilhar já que as minhas músicas foram sempre mais românticas! Mas o ano de 2020 mudou muito as coisas e meio que me colocou num lugar em que eu senti que tinha que compartilhar isso com as pessoas. Me vi lançando clipes em que eu pedalava em lugares paradisíacos, todo apaixonado e tranquilo e tipo, a gente tava no meio de uma pandemia!!! Ninguém tava experienciando coisa que nem essas! Então de alguma maneira, eu senti uma necessidade muito grande de escrever sobre esse meu eu caótico, que todos vivem no dia a dia. Então esse primeiro capítulo é muito diferente de tudo que eu já fiz, e o objetivo é que os próximos que estão por vir, sigam nessa inovação do meu som! 

 

O EP tem cinco faixas, como foi o processo de escolha de cada uma? Porque pelo o que eu entendi, a ideia do seu álbum é de ser um compilado de EPs que serão lançados ao longo do ano, né? Como foi se limitar a uma escolha específica de faixas? Quando componho eu componho para procurar as coisas que eu sinto, sempre foi assim desde que escrevi minha primeira música. Eu sempre escrevo muito porque eu preciso, e porque se deixar de escrever, eu fico louco. Isso é assim até hoje. Então sempre é o maior sacrifício na hora de produzir um disco, escolher repertório, porque eu tenho muitas músicas! Então eu tenho que passar uns 3 dias só escolhendo e analisando o que as faixas podem conversar entre si e tal. É muito doido porque teve um momento que o EP estava pronto e não tinha ainda “Eu Sou Sentimental”, era uma outra música no lugar dessa e num dia eu acordei e senti no meu coração que não era isso e que o meu EP não tava pronto. Eu sabia que precisava de uma música realista pro momento! Precisamos falar sobre o que as pessoas sentem. A gente sempre canta as coisas lindas da vida, mas é tão necessário também cantar as coisas que a gente sofre, que eu precisava desse grito de “eu sou sentimental, dizem que isso é ruim”, me colocando também nesse lugar vulnerável. Algo que todas as pessoas são! Então eu senti que precisava muito falar sobre isso e vou continuar a falar nos próximos capítulos! 

Qual o andamento dos outros EPs? Você está trabalhando com um prazo ou tem mais liberdade na hora de criar, tá curtindo o momento?

No momento eu estou passando um tempo na casa de um tio depois de ter me reunido com alguns compositores que eu gosto demais! A gente se juntou pra compor mais músicas ainda, porque eu quero muito entrar no estúdio com músicas novas e diferentes – com outras sonoridades e tal! Como eu estou vindo desse prisma de observação da vida, eu queria muito trazer outras coisas pros próximos capítulos. É engraçado porque eu desde o começo, sempre tive essa coisa na minha carreira de querer fazer tudo sozinho e quando você começa a conhecer pessoas que são extremamente talentosas e que podem trabalhar com você, eu comecei a me abrir! Eu comecei a receber, por exemplo, a ideia de um outro compositor, de um artista visual, etc. Tem muita gente envolvida nesse projeto novo e eu só descobri há pouco tempo que essa troca pode ser extremamente positiva. É sobre ouvir mais as pessoas, sabe? Acho que é sobre se libertar de uma insegurança de querer fazer tudo sozinho e jogar pro mundo esse processo de troca que pode ser tão lindo. A produção do primeiro capítulo tem um pedaço de alguns lugares do mundo: a edição dos vídeos foram feitos em Chicago, a master em Miami, eu gravei no Rio, a capa do single foi feita na Colômbia… Então, “Eu Sou Sentimental” antes de nascer pro mundo já viajou pra tantos lugares que eu acho lindo demais! 

 

Sua carreira é relativamente recente, né? Como está sendo o processo de lançamento de conteúdo durante esse momento doido que estamos vivendo? 

É muito doido porque agora é o momento que eu vinha me preparando pra compartilhar minhas músicas pro mundo e sair tocando o que eu não toquei a minha vida inteira pra ele! Isso foi tirado de mim como foi tirado de todas as outras pessoas, né? Eu acho que é o que mais mexe comigo nisso tudo. O “A Vida é Boa” não teve nenhum show. Nada. Então eu quero muito que a gente consiga resolver isso da melhor maneira possível porque assim, eu posso gravar 79 capítulos que vai ser incrível, mas nada como um show, entende? O artista é artista quando ele sobe num palco e apresenta essa troca. A gente escreve para que as pessoas se identifiquem e cantem junto, se não fosse pra isso, eu ficaria compondo pra mim dentro do meu quarto pra sempre! Não faria sentido! E não é nem por ego, é sobre a frustração de eu lançar uma parte de mim pro mundo e não poder ter a troca que eu queria com as pessoas porque todos nós estaremos presos no mesmo lugar. É muito louco pensar isso! 

 

Pelo o que eu vi nos comentários do YouTube dos seus clipes, sua música tá ajudando muita gente durante esse período turbulento que estamos vivendo com a pandemia, etc! Como é isso pra você?

Eu acho que esse é o papel do artista, né… Seria muito egoísta da parte do artista deixar de lançar algum conteúdo porque o momento não é o melhor, muito pelo contrário, agora que é o momento de não parar! É o momento de mostrar coisas boas pras pessoas, nem que seja jogar um ponto de interrogação pra dentro da casa delas! Tem até uma passagem do Bob Dylan em “Blowing In The Wind” que sempre mexe muito comigo porque fala sobre saber o papel do artista e não parar mesmo na situação mais complicada que o seu povo esteja vivendo. Toda vez que eu leio alguma mensagem de fãs, de gente que curte a minha música, eu tento sempre manter esse brilho no olhar, de tipo “é isso aqui, eu tô aqui pra fazer isso aqui”. É muito fácil você se perder nas 100 mensagens que eu recebo, sabe? Tem que parar e refletir como isso é grande, uma pessoa que coloca o nome da filha de Lívia por causa de uma música sua? Isso não é comum, isso é gigante. Eu tento sempre deixar muito vivo na minha mente de que isso não é normal e usar essa força que me mandam como um combustível. 

 

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Quais são algumas das músicas que fizeram e estão fazendo o mesmo por você nesse momento?  

Caraca! Essa pergunta é difícil! Existem músicas que realmente funcionam tipo um comprimido mesmo, tipo remédio! Vou citar os artistas que eu escuto sempre que preciso me sentir melhor: Marcos Almeida, Novos Baianos, Norah Jones, Harry Styles… Mas desses que a gente ouve quando precisa, que alimenta a alma da gente, é essencial citar Lenine e Nando Reis – não consigo ouvir a voz do Nando e ficar triste, de verdade, quero ser 5% do artista que ele é. 

 

Sendo um artista que produz muito sobre o amor, quais são outros artistas, na sua opinião, que melhor sabem falar sobre esse sentimento? 

Lenine. Não tem como citar outro! Ele é o melhor! Quando ele canta, toca na minha alma. 

 

Minha última pergunta é pra você descrever sua música em três palavras! 

Eu sou sentimental [risos]. 

 

***

 

Ouça o EP “Capítulo 1” nas plataformas:

Spotify | Deezer | Apple Music

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