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Wanessa em foto promocional de "Universo Invertido" (Divulgação/Hyan Pereira)

Wanessa Camargo fala ao Papelpop sobre novo álbum, autoconhecimento e força feminina

Nesta sexta-feira (9), Wanessa Camargo lançou o álbum “Universo Invertido”, que já trouxe um videoclipe para a faixa “Sozinha”. Ao anunciar o projeto, a cantora, que completou 20 anos de carreira neste ano, contou que grande parte do material estava escrito há anos.

As canções tratam da importância o autoconhecimento da mulher: “Em nossas incontáveis diferenças, estamos conectadas através do ser mulher”, escreveu a artista no anúncio. Por isso, o Papelpop bateu um papo com Wanessa para saber mais sobre esta nova era.

A diva falou sobre o clipe de “Sozinha”, todo o conceito por trás do novo álbum, a importância de autoconhecimento, força feminina, sororidade e mais: “A gente nasce com uma cartilha pronta, predestinados a seguir um caminho que não foi escolhido por nós”.

O papo completo você lê abaixo:

Papelpop: Você tá adentrando a nova era “Universo Invertido” e soltou o clipe de “Sozinha” nesta sexta. O que você gosta de fazer sozinha, sem ter ninguém por perto?

Na verdade, o que eu faço quando estou sozinha é exatamente o que faço no clipe, haha. Eu fico dançando, cantando no banheiro, fazendo meu show pra mim mesma. Gosto muito de fazer isso, me soltar sozinha.

Assista ao clipe de “Sozinha”:

Eu li que você já escreveu esse material do novo álbum há mais de quatro anos. Por que lançar agora? Chegou a pensar em não lançar e se dedicar a outra proposta?

Pois é, na verdade, todo processo de “Universo Invertido” foi feito em etapas diferentes. Tem músicas que foram feitas há cinco anos, tem músicas que foram feitas há dois anos, há um ano e música que produzi agora. Então, assim, ele tem processos diferentes. E, de acordo com tudo que estava acontecendo agora, como o mundo funciona, eu fui muito envolvida a acreditar que seria melhor lançar todo esse material como singles. Mas, de um tempo pra cá, eu venho desacreditando disso. Eu percebo que é muito mais legal você contar uma história. Eu gosto muito da ideia de álbuns, como se fosse um livro contando uma história. Foi por isso que eu tive a decisão, com 20 anos de carreira, dentro do processo todo que eu fui criando, dentro da comemoração desses 20 anos, em mostrar para as pessoas os meus versos desse universo. “Uni” separado de “versos”… “uni” que sou eu e as minhas versões para as pessoas em músicas, documentários, em projetos que começaram como fragmentos deste universo… pedacinhos que foram se juntando e agora compõem o primeiro universo, que é o “Universo Invertido”, que vem de uma perspectiva forte feminina. Achei importante passar para as pessoas o que eu estou passando pela minha vida, que é um processo de cura, aceitação, amor próprio, de libertação. Ainda estou nesse processo e o meu lado feminino tem sido muito intensificado. Estou me descobrindo muito como mulher, aceitando muito a minha feminilidade e a minha força feminina. Então, eu comecei a perceber que essas músicas que tenho feito ao durante esses tempos falam muito desse lugar feminino que estou hoje, desse lugar como ser humano. Então fez muito sentido contar esta história, juntar essas músicas no “Universo Invertido” e contar essa história pra vocês.

Você sempre reforçou no seu trabalho a ideia de empoderamento feminino – o que está ligado de certa forma ao autoconhecimento. Houve um momento X que você entendeu a importância de “se conhecer”? Sendo também uma influenciadora, qual a importância de se passar mensagens assim?

Eu sempre gostei de assuntos que dessem libertação pra nós, mulheres, ou qualquer ser humano de modo geral. Há um ano, percebi que eu tinha muita coisa pra curar dentro de mim… fisicamente, emocionalmente, mentalmente, espiritualmente. Eu queria passar por um processo de cura. E eu descobri que a única forma de começar a me curar era pelo processo de autoconhecimento. Para que esse autoconhecimento me libertasse de crenças limitantes, de prisão que eu estava passando, pelas coisas que eu acreditava e me coloquei. E pra que eu possa encontrar o amor próprio, né? Esse poder todo feminino, esse poder humano que a gente tem. E é através do amor que a gente faz isso, é através dele. Então, pra mim, foi muito importante esse autoconhecimento pra que eu possa ser um ser humano consciente, vivendo aqui, compartilhando e buscando um propósito de vida mesmo. E eu nunca me considerei influenciadora de nada… fico feliz se eu puder influenciar o bem daquela pessoa. Alguma coisa que tenha na minha vida e possa fazer o bem pra ela, seja em palavras, entrevistas, mas principalmente através da música, que é o principal canal de expressão que eu tenho, onde dou o meu melhor e faço com tanto carinho. Pra mim é importante eu passar…hoje eu vejo a importância disso, de passar a verdade, de quem eu sou, no que acredito e desejo para as pessoas: que encontrem um caminho de luz, como eu também quero encontrar.

 

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Hoje é o grande dia em que os nossos universos se colidem! ☄️ Link da estreia do clipe de “Sozinha” nos stories.

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Volta e meia a gente se depara com casos de machismo e comportamentos abusivos na cena musical. Recentemente, rolou uma situação desconfortável em que você precisou se posicionar. Qual a importância de se ter sororidade hoje dentro desse contexto de indústria e em que diversas vezes há um silenciamento da vítima?

É importante! Como a gente vive numa sociedade machista e patriarcal, não são só os homens, nós mulheres também temos mentalidades machistas algumas vezes. E sem culpar ninguém, aqui ninguém é culpado, a gente carrega bagagens que a gente nem sabe que não são nossas. A gente nasce com uma cartilha pronta, predestinados a seguir um caminho que não foi escolhido por nós. E cabe à gente, com a vida, vivências, descobrir que a gente pode se desconstruir e construir as nossas ideias, nossas crenças baseadas em algo real, que é eterno. Pra mim, o real tem que ser eterno, nada transitório. O que transitório é sempre ilusão. Então, é muito importante, principalmente porque nós mulheres estamos acordando aos poucos e aprendendo sobre a nossa feminilidade, pra que a gente possa apoiar a colega, a amiga, irmã que tá passando por um processo doloroso. Então, quem puder já ter consciência e ajudar, é sempre importante dar a mão nesse momento.

Você completou 20 anos de carreira neste ano. Ao longo desse tempo, rolaram inúmeras conquistas, mas também aposto que houve momentos um tanto desgastantes. Quais as melhores lembranças e os maiores desafios desse tempo de estrada?

É legal passar por esse processo de celebrar os 20 anos de carreira. E foi muito importante, pra mim, fazer os mini documentários porque eu pude relembrar também o que eu vivi nesses 20 anos e que já tinha esquecido, né? Que estão marcados em mim de alguma forma, dentro do meu inconsciente, mas que eu não tive a chance de reavaliar, de olhar de outra forma, pra que eu pudesse ressignificar tudo aquilo que vivi. Quase um processo terapêutico. Eu vivi momentos incríveis! E, quando eu falo incríveis, são os altos e baixos. Tem momentos felizes, lindos, que são de shows, de encontros, parcerias, viagens, estúdios. Tem tanto momento lindo. E não são só os grandiosos, que você tem um milhão de pessoas na sua frente. Momentos pequenos, que de repente nunca esqueço… alguém chegar pra você no meio da rua e falar que passou por um processo difícil e minha música ajudou ela a encontrar uma saída, a fez ter esperança. Esse é um momento marcante, que você nunca mais vai esquecer. E tem momentos que você se sente com medo, se sente sozinha, esses são os desafios, sabe? Quando você se sente desestimulada. Meu maior desafio foi me libertar das correntes do mercado, da expectativa, dos números, de me libertar dessa expectativa de gerar um sucesso… de entregar pra gravadora ou escritórios certos resultados que não são controláveis, por mais que você invista dinheiro. Não dá pra a gente saber. É muito enlouquecedor porque isso dá um troço no coração, gera uma ansiedade desnecessária na gente. Porque a gente nunca vai saber o que vai dar certo neste mercado musical. Música é um troço misterioso, você não sabe. Às vezes você acha que aquela música não vai dar certo e vira um hit. Aí aquela que você imaginava que era um hit não vira nada no sentido de número. Então, quando você consegue, com maturidade, com tempo e vivência, falar: “Não quero mais viver isso. Não escolho mais esse caminho”, senão vou parar de cantar, sair deste caminho que sempre foi um lugar de carinho e ficar presa – que foi o que aconteceu comigo algumas vezes nesses 20 anos de carreira. Poder olhar pra isso e falar: “Meu Deus, que bom que eu consegui. Obrigada!”. Porque hoje eu faço meu trabalho pelo prazer de fazer e não pelo de ter um resultado. Esse foi o maior desafio. Chegar neste lugar que eu tô hoje e eu agradeço imensamente a Deus por chegado, porque agora eu faço algo que eu amo novamente.

Vi que às vezes no Instagram que você usa a marcação “W Land”. Se você fosse criar um planeta seu, o que não poderia faltar?

Ai, um planeta W Land seria completamente diferente! A gente viveria meio na natureza. No meu planeta, chocolate não ia engordar! A gente ia poder comer um monte de coisa sem engordar, haha. A gente ia fazer o exercício em pensamento e já seria um exercício. A gente iria pegar um livro, ia tocar nele e toda informação já estaria dentro do seu cérebro. Mas, brincadeiras à parte, seria um mundo onde todas as pessoas tivessem encontrado o amor próprio e cada um acreditasse na sua capacidade de ser… de ser melhor, de fazer e realizar. Onde todos se sentissem dignos de existir e ser amados, só por existir. Aí a gente teria um mundo lindo.

E pensando na Wanessa mãe, esposa, que está em casa durante o período de isolamento social. Tem alguma série em que você tá viciada? Algum livro? Como têm sido seus dias?

Ai, esse isolamento social, acho que eu já fazia há alguns anos, porque eu sou uma pessoa que adora ficar em casa com os piticos, com a família. Eu gosto de chamar as pessoas para estarem em casa, não sou muito mais de festa. Acho que já fiz tanta festa na vida que tô um pouco cansada. Daqui a pouco acho que volta, tudo é cíclico. Mas eu tô num momento que adoro jogar um baralho com as amigas. E, de série, tenho assistido tanta coisa! Eu assisti “Dark”, foi a última que eu vi. Tem uma que eu tô adorando que chama “Away”, com a Hilary Swank, é sobre uma astronauta e é uma série muito, muito incrível. Ela é capitã da NASA, é bem interessante. E tem um livro que acabei de ler que mudou a minha vida, é o “Caibalion”, dos Três Iniciados. Agora estou lendo também “Amor, Liberdade e Solitude”, do Osho, mas esse livro já tô lendo há algum tempo, é um livro que tô lendo sempre. Esses dois livros são os que li mais recentemente e estão na mente. E os nossos dias têm sido super tranquilos, né? A gente teve altos e baixos, onde as crianças ficaram mais estressadas. Esse processo da escola, do homeschooling, tem sido um processo pra gente também, como pais. E é bem difícil porque a criança se desestimula, perde muito aprendizado, não é igual à escola. Então, a gente tem que ter paciência redobrada, porque as crianças ficam loucas dentro de casa e a gente não sabe o que fazer. A gente tem tido até a benção de ter conseguido fazer algumas viagens e estar numa quarentena com algumas pessoas que a gente escolheu a dedo e também tinham contraído o Covid, porque a gente contraiu no comecinho de março. Então, a gente até passou por esse processo no início e ficamos mais tranquilos porque a gente já tinha pego e, consequentemente, estávamos imunes, mas fazendo todos os cuidados pra que a gente não passe pra outras pessoas, né? A gente tem tido momentos lindos como família, estar pertinho dos filhos. E eu acho que vou sentir falta quando eles voltarem a ter uma rotina mais agitada, de horários, sentirei falta dos meus pimpolhos estarem em casa fazendo bagunça o dia inteiro.

Você é uma das cantoras que também se jogou no mundo dos cosméticos. Lançou recentemente um produto de maquiagem, né? Qual sua relação com esse universo da make?

Sim, também tenho as minhas vaidades, eu gosto de me sentir bem. Eu gosto de me sentir cuidada, preparada pra qualquer coisa. Então, a parte de cosméticos me interessa muito, descobrir produtos novos, tecnologias cada vez melhores. Eu acho muito importante a gente cuidar do nosso templo, nossa casa, que é nosso corpo. Seja cabelo, pele, corpo, enfim. Acho importante a gente estar aliada a produtos bons. E, recentemente, tenho estado muito feliz com essa parceria que a gente fez com uma marca que chama Hintz. A gente está lançando produtos específicos para cuidados da pele, skincare, limpeza, tem tônico e coisas pra limpar a pele, que é muito importante. E eu tenho muita dedicação às sobrancelhas, expressão da sobrancelha é tudo. E tem unhas postiças, que, pra mim, tem sido um grande achado na minha vida, porque não tenho tempo de estar com a unha arrumada sempre, é um produto que tô feliz de lançar porque uso sempre, tô usando agora! É um quebra-galho maravilhoso, pra estar com a unha sempre bem cuidada, pra se apresentar. Eu acho que é importante a gente estar bem, por dentro primeiro e depois estar por fora. E, realmente, estar bem por fora reflete que você está cuidando de você por dentro.

Bora ouvir “Universo Invertido” nos streamings:
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