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Filme tem como protagonista a atriz Andrea Riseborough (Foto: Reprodução)

O que a imprensa tem comentado sobre “Possessor”, novo (e inquietante) filme de Brandon Cronenberg

De longe um dos filmes mais elogiados de 2020, “Possessor” acaba de chegar aos cinemas drive-in norte-americanos. Com direção de Brandon Cronenberg, filho do também cineasta David Cronenberg, o longa teve sua estreia afetada pela pandemia e, por enquanto, não tem data pra chegar ao Brasil. Por outro lado, é bom ficar de olho: a novidade tem recebido elogios mundo afora por reproduzir uma narrativa de terror tecnológico que remete de certa forma à realidade acarretada pela pandemia.

Para além do sangue e da violência exibidos em prévias anteriores, o complexo enredo está centrado na ação de uma agente que, trabalhando para uma respeitada organização secreta, passa a ter o direito de usar um tipo específico de tecnologia que permite a feitura de implantes cerebrais. O objetivo é simples: invadir o corpo e a mente alheios a fim de que as ditas “cobaias” cometam homicídios.

A estratégia acaba sendo a base de um negócio lucrativo em que pessoas com muito dinheiro passam a investir nos serviços a fim de realizar seus mais íntimos desejos. Nessa escalada bárbara e desenfreada em busca de monopólio nem tudo acaba saindo como o esperado quando uma falha da agente Tasya Voz (Andrea Risenborough) ameaça colocar tudo a perder.

Agora, por que você deve ficar de olho no longa e torcer pra uma estreia mundial no streaming? Bem, eis aqui alguns motivos. Quem viu diz com propriedade que a narrativa se firma como algo terrivelmente próximo da nossa realidade, como é o caso da revista Vulture, que escreveu o seguinte:

“Se ‘Possessor’, em última análise, parece mais uma prova do excelente gosto de seu diretor em influências do que um filme que esfria enquanto caminha, a experiência se estabelece como algo absolutamente perturbador. (…) É a nossa realidade, só um pouco mais estranha e pior. Todos parecem estar resignados a esta invasão”.

Entre as 16 resenhas que compõem a média 9,4 na plataforma Rotten Tomatoes, agregadora de críticas e análises, está a do prestigiado jornal The New York Times. No texto, publicado no início deste mês, o jornalista Glenn Kenny destacou o caráter inquietante do roteiro.

“‘Possessor’ é uma obra chocante que passa de inquietante a estressante com uma rapidez implacável. Ou seja, a perspectiva deste filme é ser niilista, ou, ao contrário, uma exploração moralmente neutra dos piores extremos da ansiedade existencial.”

A Variety, outra importante publicação norte-americana, chamou por sua vez a atenção para o nível técnico do projeto, o qual descreveu como “surpreendente”.

“No início, Cronenberg mostra [a protagonista] Tasya estudando a linguagem corporal e a maneira de falar da vítima, mas uma vez que ela ocupa seu corpo, deve encontrar maneiras de mostrar que também está lá dentro. Há coisas óbvias, mas também há momentos mais sutis quando, por exemplo, acontecem fatos inesperados que vem para deixar a história cada vez mais complexa (…). De certa forma, “Possessor” também descreve a psicologia dos atores e o que é pedido a eles quando assumem papéis emocionalmente exigentes.”

Já a revista The Hollywood Reporter, considerada um termômetro do que há de mais quente na sétima arte do Hemisfério Norte, comentou a dualidade dramática da trama, que faz com que seja impossível tomar partido.

“Há uma lógica emocional na ação e nas imagens, levando os espectadores junto mesmo que eles não tenham certeza se estão torcendo pelo homem inocente ou por seu agressor problemático”.

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“Possessor”, vale lembrar, ainda não tem previsão de estreia no Brasil.

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