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Longa está disponível na Netflix desde o último dia 23 de setembro (Foto: Reprodução)

Figurinos, inspiração e mudanças de roteiro: 14 curiosidades sobre “Enola Holmes”

Diferente das moças prendadas de sua época, Enola Holmes nunca aprendeu a bordar. Educada pela própria mãe, a jovem entendeu desde cedo que poderia ser o que quisesse, em detrimento da obediência às vontades do outro – e é justamente por esse senso de rebeldia que a personagem se torna tão especial.

A astuta irmã do detetive mais famoso do mundo, Sherlock, ganha agora uma nova interpretação nas telas por Millie Bobby Brown. No filme que leva seu nome, lançado pela Netflix no fim do mês de setembro, ela parte em busca da mãe, desaparecida desde o dia em que Holmes completou 16 anos.

Sem o interesse dos irmãos em resolver o caso, ela é enviada a um internato – uma realidade que não se aplica de forma alguma à esperteza e os vários recursos que aprendeu. Ao fugir para Londres, a protagonista se descobre no meio de uma conspiração daquelas… Sabe como é: numa encrenca assim, caso faça alguma coisa, os rumos da história política podem ser totalmente reconfigurados.

Com um elenco que tem entre outros nomes Helena Hobham Carter e Henry Cavill, essa história é imperdível, né?

Pra te deixar ainda mais ligado nos detalhes, o Papelpop reuniu 14 curiosidades… Vamos nessa?

1 – O filme Enola Holmes é baseado na série literária Os Mistérios de Enola Holmes, composta por seis livros escritos pela americana Nancy Springer. A obra foi traduzida em diversas línguas, transformada em graphic novel na França e nos EUA e indicada duas vezes ao Edgar Awards de Melhor Livro Juvenil. “Gosto de introduzir personagens femininas fictícias em histórias predominantemente masculinas”, conta Springer. “Então resolvi dar a Sherlock Holmes uma irmã bem mais nova. Me diverti muito criando uma personagem à altura dele — com tanta ousadia, capacidade intelectual, poder de dedução e instinto que seria capaz de superá-lo naquilo que ele mais sabe fazer”, completa.

2 – A atriz Millie Bobby Brown passou parte da infância na Inglaterra, e estava procurando uma personagem britânica para interpretar quando sua irmã mais velha, Paige Brown, descobriu a série de livros de Nancy Springer. “Logo que comecei a ler, imaginei Millie como Enola”, lembra Paige. “Ela é metida a sabichona, mas tem certa fragilidade. É inteligente e geniosa. Sabia que o papel seria perfeito para ela”, acrescenta. As duas irmãs mostraram os livros para os pais, que alguns anos antes tinham fundado a PCMA Productions (o nome traz as iniciais dos quatro filhos, Paige, Charlie, Millie e Ava) e a produtora conseguiu fechar um contrato com a Legendary Pictures, o estúdio por trás da nova franquia Godzilla.

3 – Alias, Enola Holmes é a estreia de Millie Bobby Brown tanto como produtora quanto como protagonista de longa-metragem.

4 – Paige Brown acompanhou boa parte das filmagens e ficou orgulhosa do compromisso da irmã com o papel. Ela espera que a personagem inspire meninas e jovens mulheres em todo o mundo. “Enola é um exemplo para as garotas de hoje porque, mesmo que todos queiram que se adapte à sociedade da época, ela se rebela. Vive em um mundo misógino com pessoas como o irmão Mycroft, mas ela se empodera mesmo assim. E, no final da história, descobre quem ela quer ser, a seu próprio modo.”

5 – Nos livros de Nancy Springer, os irmãos Holmes só ameaçam mandar Enola para o internato, mas no filme ela de fato acaba indo parar lá. O diretor Harry Bradbeer, que também dirigiu séries como Fleabag e Killing Eve, confessa que a Srta. Harrison, a diretora do internato, foi ideia dele – e a atriz Fiona Shaw foi a primeira escolha para o papel. “Toda a etiqueta e as técnicas de oratória vieram da nossa pesquisa, e Fiona sempre me mandava novas ideias. Aquilo foi tudo improvisado, sabia? A ideia de ensinar as meninas como rir educadamente ou como espirrar segurando o nariz.

6 – Todos os figurinos de Enola e Eudoria foram feitos do zero pela figurinista Consolata Boyle (A Rainha, Florence: Quem é Essa Mulher?), usando tinturas e tecidos naturais de acordo com os processos dos anos 1880, quando o filme se passa. Consolata se inspirou no movimento Arts and Crafts. “Ele retomou uma estética tradicional e de raiz, então tudo era feito à mão usando corantes naturais, com imenso cuidado e atenção aos detalhes”, detalha. A figurinista também acrescentou referências sutis às sufragistas: “Como essa também é uma história de artifícios femininos, eu usei as cores do movimento (verde, violeta e branco) como uma espécie de mensagem secreta, que pode ser notada ou não”.

7 – Millie Bobby Brown pediu que Pretty Woman fosse tocada a todo volume enquanto improvisava a mudança de visual de Enola, quando a personagem chega a Londres, usando objetos de cena femininos como apliques de cabelo e pentes.

8 – Nas ruas de Londres, Enola descobre do jeito mais difícil que Linthorn vai mesmo matá-la se tiver oportunidade. A filmagem da grande briga dos dois levou cinco dias em um cenário construído só para isso entre alguns prédios antigos em Luton Hoo, norte de Londres. Como a cena deveria se passar à noite, mas Millie é menor de idade e o dia de trabalho dela terminava à tarde, a produção do filme tentou diminuir a luminosidade cobrindo todo o set com seda, mas uma família de andorinhas resolveu fazer um ninho no topo dos prédios, impossibilitando essa estratégia. Então, a equipe acabou usando guindastes gigantes para bloquear o sol.

9 – A definição da sequência de luta ficou sob o comando da coordenadora de dublês Jo McLaren. No início de sua carreira no cinema, ela foi dublê das atrizes principais em filmes como A Múmia, Lara Croft – Tomb Raider: A origem da vida, Limite Vertical, 007 – O Mundo Não É o Bastante e Fúria de Titãs 2. Seus créditos como coordenadora de dublês incluem Malévola – Dona do Mal, Operação Overlord, Cats, A Favorita, Holmes & Watson e As Aventuras de Paddington 2.

10 – Jo McLaren testou, por exemplo, quanto tempo Millie conseguiria prender a respiração embaixo d’água. A atriz admite que foi sua maior dificuldade em todo o filme. “É óbvio que eu precisava prender a respiração, mas também precisava me lembrar das falas, ter certeza de que todos os takes estavam idênticos e que o meu cabelo estava no lugar certo. E, além disso tudo, eu ainda precisava parecer muito assustada”, conta a artista. “No último take, esqueci minha fala na água e, quando subi, a água entrou no meu nariz. Nessa hora, eu pensei, ‘Ok, já deu. Não consigo mais’”, relembra Millie, que teve Fizz Hood como dublê.

11 – A casa da família Holmes foi gravada em duas locações. Benthall Hall, em Shropshire, Inglaterra, serviu como o exterior da casa. Os jardineiros e zeladores do local fizeram um ótimo trabalho em deixar os jardins crescerem e autorizar a colocação de trepadeiras na fachada para dar o aspecto de casa mal cuidada. Já o interior da casa foi gravado em West Horsley Place, em East Sussex. A mansão de 50 quartos foi construída no século XV e já recebeu a visita dos reis Henrique VIII e Elizabeth I. Aliás, a equipe de produção do filme morou lá durante semanas.

12 – Para a chegada de Enola em Londres, a produção usou a Antiga Escola Real Naval de Greenwich, na capital inglesa. “Precisávamos criar um verdadeiro choque cultural para a chegada dela à cidade. Então, montamos um set gigantesco em Greenwich, com muitas fachadas de loja e ruas sem calçamento, centenas de figurantes, 30 cavalos e dezenas de veículos, entre eles, carruagens, carroças e ônibus de dois andares, com muitos animais rurais soltos pelas ruas”, detalha o diretor de arte Michael Carlin, conhecido por trabalhos como A Duquesa e Colette.

13 – Siân Grigg, a maquiadora do filme, foi indicada ao Oscar de Melhor Maquiagem e Penteados por O Regresso, com Leonardo DiCaprio. Ela trabalhou com o ator em praticamente todos os filmes dele desde Titanic. Venceu o BAFTA por seu trabalho com DiCaprio em O Aviador, de Martin Scorsese, e foi recentemente sua maquiadora pessoal em Era uma Vez em… Hollywood, de Quentin Tarantino. Siân também trabalha regularmente como cabeleireira e maquiadora pessoal das atrizes Kate Winslet e Kate Hudson.

14 – O jiu-jitsu não aparece no filme à toa. Um grupo de inglesas de fato usou a arte marcial japonesa para lutar pelo direito ao voto no início do século XX. O primeiro contato das sufragistas com o jiu-jitsu aconteceu durante uma reunião da União Social e Política das Mulheres (WSPU, na sigla em inglês). Uma mulher chamada Edith Garrud tinha uma escola de artes marciais no bairro do Soho, em Londres, junto com o marido e, por volta de 1910, ela já dava aulas exclusivas para as sufragistas.

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“Enola Holmes” já está disponível na Netflix.

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