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“Rihanna e Anitta acreditam no meu trabalho”, diz MC Lan em entrevista ao Papelpop

Novamente ele, MC Lan! Sucesso com funks poderosos, parcerias que dão o que falar, o cantor chama atenção nas redes sociais pela espontaneidade e os muitos projetos que lança. No currículo, ele tem até talk-show.

Nesta sexta-feira (28), o artista liberou o single “I’m F.R.E.A.K.”, uma colaboração com Desiigner, rapper que colocou a música “Panda” no topo da Billboard Hot 100. Com versos provocativos e uma batida forte, Lan mostra mais uma vez a junção da música brasileira com artifícios internacionais.

O Papelpop ficou bem curioso para saber mais sobre a canção, bem como a respeito do álbum “Bipolar”, a ser lançado ainda este ano. O projeto tem feats. de Ty Dolla Sign, Psy, Anitta, Ludmilla e mais.

Nesta entrevista ele fala sobre o novo single, amizades com Kanye West e Rihanna, possível parceria com Lady Gaga e até uma fase emo embalada por músicas da banda Fresno.

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Papelpop: Você tá muito internacional com esse álbum cheio de feats. de vários países! Seu novo single, “I’m F.R.E.A.K.”, tem colaboração do Desiigner. Como rolou essa parceria?
MC Lan: Tudo começou muito estranhamente…lá atrás com o Skrillex. Ele acabou me apresentando o Diplo, que ajudou a fortificar minha amizade com o Skrillex, que me apresentou o Ty Dolla Sign. O Dolla Sign, eu acabei trombando com ele em New York no ano passado, fomos para o Brooklyn, numa festinha reservada. Lá dentro, conheci o Kanye West e ele acabou virando muito meu amigo, conversando mais comigo até do que com os gringos que estavam em volta dele. [West] foi um cara super gentil, quis conhecer minha cultura, me abraçou de uma maneira super amável, tá ligado? Acabei convidando o Kanye pra participar de uma música minha, mas ele recusou e falou: “Olha, eu não posso participar porque eu virei gospel, não faço mais músicas mundanas. Mas vou conversar com uns amigos meus pra eles te conhecerem porque eu gostei de você”. Pô, o Kanye e Ty Dolla abriram as portas pra várias pessoas…não só o Desiigner. Me apresentaram ao Pablo, que é um brasileiro que mora nos Estados Unidos e tem me ajudado muito, só tenho a agradecer por essas conexões. Graças a esse meu desenrolo com os caras, não precisei pagar pra fazer música com eles, porque a maioria dos americanos você tem que pagar…estamos fazendo pela amizade mesmo, pelo amor à música que cada um tem, pela verdade, sabe? O Desiigner tá participando de um dos únicos funks do álbum, “Bipolar” não tem muito funk, e ele que mandou a ideia junto com o produtor Noc. E o Desiigner que entrou na nossa vibe, queria um funk brasileiro, falou: “Primeira música nossa tem que ser um funk brasileiro com a sua cara, com cara da favela de São Paulo e Rio de Janeiro”. Acho que as pessoas esperam um trap, uma coisa muito americana e vão se surpreender e espero que gostem. Acho que esse é o momento da gente mostrar nossa cultura pro mundo, o Brasil tem muito a oferecer, com uma cultura muito rica e só depende da gente!

O nome da música é todo pontuado, como se fosse uma sigla. Mas, é uma sigla mesmo ou é somente um estilo?
É uma sigla! Mas é uma sigla que eu não posso falar aqui agora…é uma sigla só de palavrões, rs. As pessoas vão ter que pensar quais palavrões existem com essas letras…quando eu soltar o que significa, talvez viralize na internet. Eu poderia mentir, mas não, são dois xingamentos dos EUA e dois xingamentos daqui. O “E” é como se fosse a junção. Veio de uma brincadeira que a gente fez, quando a gente se conheceu, ele [Desiigner] me perguntou o que significavam algumas coisas, aí expliquei e ele falou: “Então esse é o nome da nossa música”. Aí colocamos em sigla porque senão todo mundo ia queimar a gente. E tipo assim, isso só mostra como os caras estão entrando pela verdade, de coração mesmo e só tem a agregar, não só o Desiigner, mas todos artistas que entraram no álbum “Bipolar”.

“I’m F.R.E.A.K.”, que é o terceiro single do álbum…a com Runtown, “Vai maluca”, não foi single, foi só uma música que eu quis soltar mesmo. O Runtown é compositor do “R9” da Rihanna e…o Beam do “Rave de Favela” é compositor da música “Work”. Então, a Rihanna tá abrindo muitas portas pra mim. Eu falo pouco sobre isso, mas eu não cobrei pra ela colocar “Malokera” no desfile da marca dela. Ela perguntou se a gente ia cobrar e eu não cobrei, isso conquistou ela mais ainda…Tem muitas histórias sendo faladas, de quem apresentou música pra ela. Mas, a real mesmo, o dono da música tá falando pra você: não teve nada de DJ que mostrou. O Skrillex chegou pra mim e falou: “A Rihanna quer colocar no desfile dela, eu e Troyboi vamos entrar lá e a gente escolheu a “Malokera”, pode ser que ela não goste da música, mas vamos mostrar pra ela”. Aí a Rihanna ouviu, gostou, até mandou mensagem no meu Instagram, só pediu pra eu não tirar print, nem nada. Eu conheci o Kanye West e não tirei foto, conversei com a Rihanna e não tirei print…Acho que os artistas de lá tão se conquistando comigo por isso. Eu tô querendo a amizade deles, não tô aqui pela fama deles ou pelo dinheiro deles. Tá nascendo primeiro a amizade e depois vem a música. Hoje em dia, tenho contato com Justin Bieber, DJ dele, empresário dele, mas a gente nunca conversou sobre música, a gente conversa sobre outras coisas, respondo os Stories dele, ele dá risada. Com Ty Dolla também, virou uma troca mesmo. Acho que é legal a gente mostrar que nós somos iguais, só falamos uma língua diferente. Somos um país de primeiro mundo que está na mão de pessoas de 3º mundo governando, se é que você me entende. Esse é o momento de a gente evoluir o Brasil. O Brasil tá no hype e temos que fazer isso virar um sucesso, algo consolidado.

E com uma amizade com essa galera, quem sabe rolem músicas um dia, né?
Sim. Porque, por exemplo, com Kanye não rolou música, mas me ajudou a fortalecer várias amizades com os gringos. E fazendo música sem pagar…eles olham pra mim e brincam: “Caramba, você é um dos únicos que consegue criar aqui…entrar e sair sem pagar nada”. E o legal é se quero usar Cyclone ou óculos Juliet no clipe, o Diplo usa. Isso que é legal. Não existe nada mais verdadeiro do que isso. Você sabe, a Anitta é uma pessoa muito profissional e perfeccionista. A música “Rave de Favela”…a gente fez na segunda, ela gravou no dia que mandei pra ela, na quinta-feira fui para os EUA, gravamos o clipe na sexta e depois clipe já tava na rua…foi feita em uma semana, estourou na outra e foi pro topo do Spotify. E eu falei pra Anitta: “Vou falar a real pra você, eu tô falando palavrão nessa música, falando coisas obscenas, mas nada que te queime. Eu tô sendo muito verdadeiro, não sendo o Lan, sendo mais o Caio nessa música, falando o que a gente passa na balada”. E isso conquistou ela, quebrou o tabu de que ela não falava palavrão, ela até foi pra músicas explícitas depois com outros artistas. Eu tô tentando fazer o pessoal entender que música explícita não vai queimar o artista, fazer você menor. Lá fora, Cardi B faz música explícita, Nicki Minaj faz também, a Megan Thee Stallion, a Lizzo…vários que falam palavrão e isso não vai constranger ninguém. Tipo, existem públicos e públicos. Acho que não existe nada mais Pop do que ser popular e nada mais popular do que você falar a língua do povo de alguma maneira.

O clipe é feito em animação e li que você que deu a ideia, depois de ter sido convidado pra ser um personagem no jogo “Raised In Oblivion (RIO)”. Você curte o mundo dos games?

O clipe homenageia os jogos dos anos 90. Começou nos 80, com Atari, games da cobrinha. Não sei se é da sua época, mas eu joguei muito, até no celular tinha, gameboy, essas coisas. Sabe essa imagem do Mario Bros. e do Donkey Kong? A gente trouxe muito disso pro clipe. Eu e Desiigner de Mario Bros. jogando contra bundas aleatórias. É um clipe engraçado. A gente tá tentando deixar leve esse mundo underground que a gente vive. Eu sou mainstream no funk, mas eu sou underground. É estranho ser alguém que cola com a Anitta, com o Diplo, com Kanye, mas ao mesmo tempo com os caras de Diadema, usa Cyclone, fala palavrão, usa gíria e fuma haxixe. Ao mesmo tempo, também tô colando com o pessoal da política pra falar o funk ser legalizado nas ruas. Então, eu tô nessa linha tênue. Eu sei parar de falar gíria pra você agora e sei falar a todo momento. Sei dividir muito bem o personagem. Acho que os games são apenas mais um lado do Lan. Eu vou fazer um canal de games chamado Headshot, com Tom Toledo e Felipe Escudero. A gente vai fazer uns vídeos de games versus games, pra zoar mesmo. O mundo dos jogos é apenas mais um pra desbravar, tem mundo dos esportes, culinária, das artes cênicas. A gente só vai ficar no nosso mundo fechado? Os games são apenas mais uma faceta do Lan bipolar.

Há algum tempo, você cantou com Ty Dolla Sign na música “Malokera”. E há alguns dias, no Instagram você postou uma foto com ele e escreveu “Vocês querem novidades?”. Dá pra adiantar alguma coisinha dessa novidade?

A gente fez uma troca. Ele lançou uma música com Kanye West e Skrillex, aí tá lançando uma com a Nicki Minaj e depois lança um single comigo. Ele também vai participar de outro single meu com Jeremih, que é outro artista monstruoso lá de fora. Vai ser um love song, um black song, com composição do Khalid, que é da mesma empresa da Normani. Enfim, estamos socializando com pessoas legais. O Ty Dolla me fez conhecer pessoas que nunca imaginei, considero ele quase um padrinho porque tá me ajudando e trazendo outras artistas para ver minhas coisas. Não vai ter só uma músicas, muitas novidades com Ty Dolla. E…novidades com muitas pessoas, galera vai se surpreender, vai tremer…eu tô me tremendo. Tem muita novidade legal chegando!

E o seu álbum “Bipolar” vem cheio de colaborações poderosas. O que esse projeto significa pra você?

Significa a evolução, não só a minha, mas do funk e onde isso pode chegar. Não só também do funk, dos artistas de favela e onde podem chegar. Muita gente não acredita no meu trabalho, mas Rihanna e Anitta acreditam. Eu achava que eu ia ser só um meme na época da “Xanaina”, agora quase concorrendo ao Grammy com “Rave de Favela”. Eu só tenho a agradecer a Deus e ao público que me dá segundas, terceiras chances na vida. Eu sou muito verdadeiro, acho que até por isso não tentaram me cancelar…até tentaram, mas acho que não dá pra cancelar alguém que tá na verdade. Tem como cancelar um artista, mas eu não sou um artista…do mesmo jeito que eu converso com Kanye, eu converso com você, tá ligado? Mesma pessoa com todo mundo, sou legal com todo mundo e não é pra forçar. A gente quer mostrar uma união e o “Bipolar” tá aqui pra isso. Nossa, tem muitas nações no álbum! Tem Ásia, Rússia, Oriente Médio, Estados Unidos, Canadá, México, América Latina em peso. Então, não é só o Lan que é bipolar, mostra a bipolaridade do mundo…o Ty Dolla cantando funk de um lado, De La Ghetto com Reggaeton, funk com rap e artistas que nem imaginávamos cantar coisas destes estilos, tudo pra fazer um álbum foda. Nunca imaginei ter no mesmo álbum Wiz Khalifa, Lali…Psy, Ty Dolla, Skrillex e Anitta, e um fechamento com Mano Brown, essa é graça do álbum. Você olha e pensa: “Que álbum estranho!”, mas essa é a graça do álbum.

Em maio, você contou que ia rolar um feat com a Lady Gaga, mas acabou desistindo. Na época, você disse: “Talvez eu não seja a pessoa ideal para esse feat e não esteja preparado para fazer algo com ela. Enfim, amo a Gaga, mas tenho resiliência e auto crítica“. Você ainda pensa assim ou acha que a situação poderia ser diferente depois dela ter lançado um novo álbum recentemente? Sou muito fã dela e acho que seria uma combinação, no mínimo, surpreendente e interessante!

Eu sou muito fã dela! Eu sou Little Monster, haha. É o que eu falei antes, hoje em dia tenho amizade com o Justin, com a Billie Eilish…não tenho uma amizade com a Gaga, mas quando respondo os Stories dela, ela curte ou manda Emoji e você sabe como isso já é uma vitória, né? “A Gaga mandou um rostinho feliz! Um joinha!”, tá ligado? A Gaga é um dos muitos sonhos que eu tenho, ela tá no meu topo de sonhos. Ele é formado por Beyoncé, Gaga, Bruno Mars e talvez a Pabllo Vittar esteja neste momento porque são pessoas que eu gostaria de fazer algo muito foda. A Pabllo Vittar, eu sou louco pra fazer algo junto. Ela queria que eu participasse de um remix de “Buzina”, mas eu não quis, queria que ela participasse de um funk, mas a gente acabou perdendo um pouco o contato. Na verdade, eu queria a Vittar comigo e Anitta em “Rave de Favela”, mas não deu tempo de fazer. Acho que ainda vai rolar algo, muita novidade pra chegar. Mas a Gaga…ela mandou pra gravadora querendo um funk brasileiro e a gravadora me mostrou e ela me escolheu. Só que aí eu falei: “Olha, não me sinto preparado pra entregar o que ela espera”. Porque talvez ela esperasse que eu entregasse somente uma parte brasileira, mas eu queria entregar algo que agregasse de verdade, não quero que ela leve nas costas a música. Talvez não tenha público pra isso ainda. Eu quero trombar a Gaga e falar: “Agora sim, Gaga. Podemos fazer algo pra dominar o mundo e acabar com tudo!”. Não quero fazer algo que seja 50% de pessoas amando, 50% odiando e fazendo meme. E ela super respeitou isso, gostou mais ainda de mim por isso. Se hoje em dia ela responde DM, acho que é por isso. Vou te dar um exemplo, eu mandei uma mensagem pra Ariana Grande, ela não me respondeu, mas ela curtiu o “I love you” que eu mandei…só de a pessoa ter notado. Não quero passar o carro na frente da boiada. Eu quero conquistar meu público lá fora, mesmo que pequeno, pra depois fazer algo. É o caminho natural, é o que a Anitta tá fazendo. Pra eu fazer algo com os melhores do mundo, tenho que fazer com quem tá caminhando. A Gaga é um sonho! Vai ser realizado logo menos, mais próximo do que todo mundo imagina. E falei pra ela que queria encontrar ela quando estiver lá fora e ela mandou: “Okay, let’s go”. E a Miley Cyrus colocou “Rave de Favela” na live dela, aí comecei a seguir ela, sempre mando mensagem pra ela e ela responde. Essas amizades que estão nascendo, com pessoas deste nível. E são pessoas vencedoras, que sofreram tanto mas chegaram lá. E essa é a graça de tudo, usar até os memes a nosso favor, de formas que agreguem. Olha o Mario Jr. do TikTok, tá virando artista. A Pabllo Vittar mesmo, quando ouvi “Amor de Que” pela primeira vez, eu ri do que ela tava falando na música e olha o que virou. A Gaga também, no início muita gente dava risada com “Poker Face” e “Just Dance”, aí explodiu! Eu olhava a Gaga e pensava: “Sabia, essa mina é zica!”. Acho que não tem nada mais legal do que a gente poder somar, mostrar nossa cultura, somar como somei com Rihanna, Kanye, tô sendo verdadeiro com eles e eles comigo. Se você for verdadeiro, a verdade vale aqui e na China. Até o final do ano, vem muita novidade, você vai se surpreender.

Esses dias você comentou uma foto do Lucas da Fresno e o pessoal adorou saber que você curte a banda (e até citou outras). Já pensou um dia combinar o seu som com o deles? Tem uma música deles, “Sua Alegria Foi Cancelada”, que já ganhou um remix funk…

Eu, Lucas e Di Ferrero vamos soltar uma música juntos, estamos até brincando que vai ser um “black-emo”…um black song com rock, uma guitarrinha. Vocês vão ver o Lan cantando uma sofrência. A fase emo do Lan, é só mais uma das muitas do Lan bipolar. Tenho certeza que você também teve uma fase assim na sua vida, todo mundo teve. A gente ia nos rolezinhos, acho que é uma fase que não tenho vergonha nenhuma, tenho orgulho. Eu posto, dou risada, vou postar a minha foto emo no Instagram. Pô, a gente tem que ter vergonha de matar, roubar, abusar de mulher, agredir alguém, sabe? Agora, a gente não pode ter vergonha de fases nossas. No final do meu show, nos drive-ins, vou começar a tocar rock em forma de funk. Vou entrar sem camisa, com uma guitarrinha, um óculos Juliet, peruca de emo e cantando: “Eu vou te esperar!”. É isso que quebra os tabus. Meu talk-show, por exemplo, o “Nas Ideias com o Lan”, coloquei o Carlinhos Maia pra conversar com Léo Dias, tem Flay e Chimbinha, que mal conversou com a mídia depois de terminar com Joelma. Quando você sabe quem é, não tem vergonha dos erros do passado…você vive tranquilamente. Meus erros tão aí pra todo mundo ver…todo mundo sabe que já roubei, trafiquei, mas meus acertos também. Quando eu quis parar de usar droga, parei. Quando eu quis parar de beber, eu parei. Todos sabem que sou da zoeira, mas tento ser visionário. Eu estudo muito, sou nerd, não coloco ninguém em furada no trabalho, sou muito workaholic. Na Warner Music, o pessoal me chama de “Anitto”… faço tudo, participo de tudo. Então, o Lan emo é só mais uma fase. E ao invés de me queimarem com isso no funk, que é um lugar machista… eu mesmo soltando a foto mostra que tô tentando quebrar esse tabu, temos que trazer muito mais as mulheres, os emos, roqueiros, gays, trans, todo mundo!

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Bora de stream em “I’m F.R.E.A.K.”:

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