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Foto: W. Henrique

Ana Clara fala ao Papelpop sobre mulheres no samba e o EP “Fã Declarada”, que acaba de chegar

Com a chegada da sexta-feira (28), que tal se jogar no samba? A cantora Ana Clara, nascida em Santa Catarina, acabou de lançar uma música inédita. Intitulada “Fã Declarada”, a faixa já chega acompanhada de um clipe super romântico que é estrelado por casais de diferentes de diferentes estilos, cores e gêneros.

Vem ver!

Junto com a nova música, ainda acontece o lançamento de um EP, que também se chama “Fã Declarada”. Além da canção inédita, o projeto traz quatro faixas com uma nova roupagem, sendo elas: “Se é Saudade ou Amor”, “Para com Isso”, “Quando Fiz Amor com Você”, “Sem Você Não Dá” e “Um Amor pra Durar”

Esse é mais um aquecimento para a gravação do novo DVD da Ana Clara, que promete surpreender em estilo, letras, melodias e cenários. Para saber mais sobre o que vem aí e discutir o lançamento de “Fã Declarada”, o Papelpop bateu um papo com a artista pelo telefone.

Na ligação, a cantora acabou tocando em assuntos envolvendo a nova geração do samba, a experiência de ser uma mulher dentro desse gênero musical, a importância da diversidade em produções culturais e os desafios impostos pela quarentena. A conversa rendeu!

Bora conferir?

Papelpop: Ana, para começar eu tenho uma pergunta mais para quebrar o gelo. Sua nova música se chama “Fã Declarada”. Você é muito fã de alguém a ponto de ficar meio paralisada se encontrasse a pessoa ao vivo? Fiquei pensando nisso porque você já cantou com grandes nomes da música, tipo a Alcione… Tem alguém que te abalaria?

Ana Clara: Cara, eu acho que não de ficar paralisada, mas eu sou muito fã da Ivete [Sangalo]. Se Deus me der a oportunidade de cantar com ela, olha para o outro lado porque vai dar problema (risos)!

A nova faixa já chega junto com um clipe. Por curiosidade, ele foi gravado antes da quarentena? 

Ele foi gravado durante a quarentena. Foi bem difícil porque a equipe era super reduzida. Foi bem complicado de se trabalhar com 10% [da equipe]. Mas a gente gravou ao ar livre, né? Talvez, se tivesse gravando de outro jeito, teria que ter tido mais coisas diferentes, mas enfim…

Eu fiquei sabendo que ele traz casais de todos os estilos, cores e gêneros. Para você, mostrar diversidade é algo importante? 

Com certeza! Eu estava até conversando sobre isso com outras pessoas. Na verdade, eu sou cantora de um gênero bem machista, em que a gente não vê muita diversidade. Acho que é o primeiro clipe que tem beijo gay dentro do samba. Isso é importante, faz diferença. Poxa, a gente vive um momento muito oportuno para falar sobre essas coisas… Sou totalmente contra qualquer tipo de preconceito. Esse clipe veio para quebrar tudo isso. Eu não sou daqui de São Paulo. Sou catarinense, branca, loira, sambista e brasileira. Os estereótipos que as pessoas criar não têm nada a ver. [O clipe] é um trabalho diferente, que ficou muito bonito. E, meu, ser feliz é o que importa, sabe? É legal, aos poucos, as pessoas começarem a entender certas coisas e achá-las normais. A gente está aqui para ser feliz. Quero que as pessoas recebam isso de coração aberto.

Acha que essa vontade de fazer a diferença, de alguma forma, está ligada ao fato de o samba ser um gênero bastante conhecido por falar sobre problemas sociais, políticos etc.? Afinal, você está inserida nesse contexto, né?

Ah, pode ser… Eu não fiquei pensando muito na reação das pessoas. Fui mais por mim, mas estou muito na expectativa do feedback, saber se as pessoas vão curtir. De qualquer forma, acho importante a gente falar sobre esse assunto. A gente está no século 21!

Bom, além de ter um clipe, a música “Fã Declarada” ainda vai ser lançada junto com um novo EP. Eu sei que projeto traz algumas músicas não inéditas com uma produção musical mais robusta. Como você espera que essa nova roupagem afete a experiência de quem está ouvindo o EP?

Então, as músicas que tinham sido lançadas antes só com voz e violão foram para fazer um esquenta para o DVD. O tempo passou e a gente viu que não ia conseguir gravar por conta da pandemia. Por isso, a gente resolveu lançar o EP. Ele já tem algo muito próximo do que vai ser a gravação oficial. A intenção [do EP] é que as pessoas possam se familiarizar e entender como vai ser o DVD – com banda e muito mais alto astral, porque isso levanta a música. Só voz e violão às vezes fica meio chocho. Com a vinda da banda, as pessoas começam a entender como é que fica o trabalho. Acredito que o pessoal vai curtir muito. Quem tinha ficado meio na dúvida agora vai se jogar.

Todas essas novidades são meio que fruto de de toda a sua trajetória, né? Acho interessante como você vem representando uma nova geração do samba, sendo uma mulher dentro de um gênero em que as mulheres ainda não tem muito espaço e a gente não vê novos nomes com muita frequência. Pode falar um pouco sobre isso?

Claro! Eu fico feliz por ser mulher e poder representar todas as outras. Estou aqui para mostrar que todas as mulheres podem estar onde elas quiserem mesmo com todas as dificuldades dessa caminhada, porque realmente não foi fácil chegar até aqui. Quando vejo que já se passaram 12 anos, percebo que muitas coisas têm mudado. Do ano passado para cá, sinto que as pessoas têm me respeitado mais, me visto de um jeito diferente e aceitado melhor o fato de eu estar aqui. Isso é importante porque o que o povo diz é nosso combustível. Fico feliz em saber que a minha missão está sendo cumprida de um jeito ou de outro. Me sinto muito orgulhosa de fazer parte dessa nova geração feminina.

Por falar em mudanças, queria saber como a quarentena afetou o seu trabalho. Vi que você está bem mais ativa nas redes sociais, fazendo lives e tudo o mais. Por que isso? Para ficar mais próxima do público? Para se manter na ativa? Me conta!

Acho que as lives vieram realmente para aproximar o público do artista. Obviamente, não é a mesma coisa que fazer um show, né? Cara, é muito difícil ficar todo esse tempo sem cantar, sem fazer as coisas. A recepção das lives foi muito boa. Fiz duas e participei de algumas de outras pessoas. É um momento de descontração. Acho que esse é um momento importante para as pessoas respeitarem mais quem vive de arte, sabe? Porque quem ficou em casa teve acesso a filmes, séries, lives, tudo e mais um pouco. Então, foi um momento de ver a importância de quem trabalha com isso.

O plano é manter tudo isso até o final do ano? Quais são as expectativas para o restinho de 2020?

Se Deus quiser, quero que dê para gravar o DVD. Trabalho, foco e energia totalmente direcionados nesse projeto de gravação do DVD. Também estou ansiosa para ver quando as coisas vão voltar ao normal porque a falta do show, do calor das pessoas é muito grande.

 

Vem de stream no novo EP:

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