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Tolentino canta sobre raiva e desejo no single “Aqui”; leia a carta de apresentação ao Papelpop!

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Oi, gente! Quem lê as matérias do Papelpop já deve ter visto meu nome por aqui. Eu sou o Tolentino, tenho 21 anos e sou um artista paulistano. Paralelamente a isto, colaboro com o Papelpop desde 2016. Tenho escrito sobre discos que amo e comentado a obra de artistas que considero muito reais. Tove Lo, Jaloo, Troye Sivan, Allie X, Aurora… todos eles já compartilharam comigo ideias sobre arte e criação e isso despertou sentimentos muito intensos em mim mesmo. Foi muito bonito o fato de ter percebido que meus artistas favoritos eram humanos também e que eu podia falar com eles estando no mesmo patamar. Essas experiências permitiram que eu começasse a criar minhas próprias músicas.

Não estranhe este texto. Esta na verdade é uma carta de apresentação que assino neste 10 de julho quando lanço o meu quinto single, que decidi batizar como “Aqui”. Não me sentia tão feliz há tempos como me sinto agora, tendo a chance de falar sobre coisas especiais, feitas com carinho e cuidados extremos. Esta é uma faixa sobre sentimentos comuns a todos nós, em que canto essencialmente sobre desejo. Desejo de viver a juventude com alguém que não queira te prender, desejo de se sentir confortável ao ponto de ficar literalmente de joelhos por um amor, desejo de poder esquecer, caso as coisas não deem certo… E as variações que esse sentimento carrega consigo. Isso leva meu fio narrativo a passear pela raiva. São estes os sentimentos que mais me vêm à mente quando me sinto sozinho.

Em dezembro de 2019, mais ou menos na época em que toquei na Semana Internacional de Música de São Paulo – SIM SP, mais precisamente na Noite do Novo Pop Brasileiro, fui tomado por uma grande solidão. Morando sozinho, havia acabado de terminar um namoro. Não tinha motivos ou vontade de sair de casa. Hoje, pensando bem, era um panorama até parecido com o que muitos de nós temos vivido no isolamento social. Mas nesse caso tudo acontecia porque eu tinha acabado de terminar a faculdade e não tinha a mínima ideia do que fazer. E quem me fez companhia foram os livros e meus discos preferidos. FKA Twigs, Patti Smith, Paulo Leminski, David Bowie, Vitor Martins, David Byrne, todos eles “me abraçaram” de alguma forma.  

Mas ainda afundado nesses dias, acendendo velas pela casa inteira e prometendo em vão começar alguma mudança na vida, tudo o que realmente fazia era apreciar e aprender o poder da palavra. Não exatamente no sentido místico, das energias que a gente profere, mas da força da intenção e do fazer sentir.

Algumas semanas depois, meu amigo Rodrigo Kills (um dos integrantes do duo Cyberkills, que entre outros trabalhos tem no currículo remixes oficiais produzidos e lançados por Pabllo Vittar, Gloria Groove e Linn da Quebrada) me mandou uma mensagem via WhatsApp. Dizia que tinha uma ideia nova, mas fui pego de surpresa. Eu nunca tinha composto em cima de uma canção criada por outra pessoa. Ouvi aquilo e tudo pareceu muito certo. Não consigo criar frases que expressem o tanto que admiro o Rodrigo. Passaram-se alguns dias e senti a necessidade de pegar o celular e cantar algo em cima daquilo. É geralmente assim que componho: boto pra gravar e surge uma música inteira. Tenho minhas manias e particularidades também.

Logo depois começamos a trocar e-mails com stems (que é como chamamos os arquivos brutos das camadas das músicas) e dentro de uma semana tínhamos “Aqui” já produzida. A minha voz foi gravada em casa, como sempre fiz, mas meu marte em virgem não sentia que meus vocais soavam do jeito certo. Não exatamente por uma falta de entrega, mas… era mais sobre o jeito com que isso se encaixava dentro da faixa. Eu tinha referências bem específicas pra mixagem como, por exemplo, Lana Del Rey em “Ultraviolence” e Frank Ocean em “Blonde”.

Foi então que descobri, através de um post feito por Thiago Pethit (outro artista nacional que admiro muito), que o produtor Diogo Strausz estava fazendo mixagens de faixas de artistas novos. Em troca, recebia doações para instituições que apoiam pessoas em situação de vulnerabilidade durante a pandemia do novo coronavírus. Inclusive, ficaria honrado se você der uma olhada neste link e contribuir com o que puder para alguma dessas iniciativas, se tiver uma graninha sobrando por aí.

Diogo e eu, como é de praxe, trocamos alguns e-mails e de cara ele sacou as referências que eu gostaria de usar. Não só isso, mas também trouxe ideias muito importantes. Nunca imaginei que uma faixa minha passaria pelos ouvidos de alguém como ele, que já trabalhou com Gal Gosta e Duda Beat. Minha cabeça aí ficou aquele emoji explodindo, sabe?

Com a faixa finalizada, tive a ajuda de dois grandes amigos para criar os visuais: Sophia Lautert, que é diretora de fotografia e minha ex-roommate, e Brian Camargo, que é diretor de arte e meu companheiro de baladas (ele sabe o quanto amo dar as caras em uma festa, mas nunca ficar por muito tempo). Nós nos conhecemos a fundo e foi fácil decidir o caminho de inspiração: fotos instantâneas e filmes pintados à mão, numa pegada Robert Mapplethorpe, fotógrafo pelo qual compartilhamos uma paixão.

Com a capa feita tive uma visão mais clara de como os visuais poderiam ser traduzidos em um vídeo (que ainda não sei se é um lyric ou um clipe). Escrevi, dirigi, fotografei e montei todas as partes sozinho, somando à minha obra uma nova lâmina, empregada pela primeira vez: a dança. Tenho estado obcecado pela dança contemporânea do pop (ainda mais na era dos challenges do TikTok!), mas também com um olho na história. Pina Bausch, que mulher! Acredito que o lance de transformar um pequeno gesto num grande movimento é mais ou menos o que faço: vivo atrás de pequenas dores ou alegrias e tento fazer delas algo grandioso. É sobre colocar um megafone colado no peito, nas palavras de Lorde.

Confesso que me sinto um tanto assustado ao lançar esta faixa. Acho que as próximas vão parecer bem mais fáceis, porque a letra de “Aqui” revela coisas que fui incapaz de dizer em voz alta, nem mesmo para a minha terapeuta. O fato é que eu não tenho ideia de quem vou ser em cinco, dez anos… mas agora, neste momento, tenho me apegado à ideia de que vai ser algo interessante, especialmente se eu tiver com quem compartilhar os meus processos, as minhas criações. Obrigado por ler até aqui, obrigado ao Papelpop por fazer parte disso.

Com muito amor e honestidade,

Do seu próximo rockstar preferido

T.

 

“Aqui” já está no mundo.

 

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