Menu Papel POP

Duffy critica “365 Days” por glamourizar tráfico sexual, estupro e sequestro

MAIS SOBRE:

Duffy escreveu, nesta quinta-feira (02), uma carta aberta criticando a Netflix por glamourizar “a realidade brutal do tráfico sexual, sequestro e estupro” no filme “365 Days” [via NME]:

O filme polonês, que chegou à plataforma de streaming em junho, conta a história de uma mulher que foi sequestrada e presa por um mafioso italiano a fim de conquistá-la. Atualmente, o longa está no Top 10 dos mais assistidos no Brasil e Duffy pediu aos fãs que reflitam sobre essa narrativa.

Este apelo é bem pessoal a cantora, já que, em fevereiro deste ano, contou o motivo de ter se afastado da cena musical por tantos anos: ela havia sido sequestrada e mantida refém por vários dias, período em que foi drogada e estuprada.

Agora, em carta-aberta direcionada ao CEO da Netflix, Reed Hastings, Duffy se pronunciou: “Não quero estar nessa posição para ter que escrever a você, mas a virtude do meu sofrimento me obriga a fazê-lo, porque uma experiência violenta que eu sofri é o que você escolheu apresentar como ‘erótica adulta'”.

“365 Days glamoriza a realidade brutal do tráfico sexual, sequestro e estupro. Essa não deve ser a ideia de entretenimento de ninguém, nem deve ser descrita como tal, nem ser comercializada dessa maneira.

 

Escrevo estas palavras (palavras que não acredito que estou escrevendo em 2020, com tanta esperança e progresso conquistado nos últimos anos), pois cerca de 25 milhões de pessoas estão atualmente sendo traficadas ao redor do mundo, sem mencionar as ​​quantidades de pessoas incontáveis.

 

“Me entristece que a Netflix ofereça uma plataforma para esse ‘cinema’, que erotiza o sequestro e distorce a violência sexual e o tráfico como um filme ‘sexy’. Não consigo imaginar como a Netflix poderia ignorar o quão descuidado, insensível e perigoso isso é.”

Continuou:

“Até levou algumas jovens, recentemente, a pedirem jovialmente ao Michele Morrone, o ator principal do filme, para sequestrá-las. Todos sabemos que a Netflix não hospedaria pedofilia, racismo, homofobia, genocídio ou qualquer outro crime contra a humanidade. O mundo corretamente se levantaria e gritaria. Tragicamente, as vítimas de tráfico e sequestro são invisíveis e, em ‘365 dias’, o sofrimento é transformado em um ‘drama erótico’, conforme descrito pela Netflix.

Duffy pediu a Hastings que usasse os recursos do streaming para produzir e transmitir conteúdo que retrate a verdade da “dura e desesperada realidade” que o filme vendeu como entretenimento.

Ela terminou dizendo:

“Se todos vocês da Netflix não tirarem nada desta carta aberta, a não ser essas palavras finais, ficarei satisfeita. Vocês ainda não perceberam como ‘365 Days’ causou grandes danos àquelas que sofreram as dores e os horrores que este filme fascina, por entretenimento e por dinheiro. O que eu e outras que conhecemos essas injustiças precisamos é exatamente o oposto – uma narrativa da verdade, da esperança e da voz.”

Comentários

Topo