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Glória Maria relembra a Pedro Bial quando fumou Ganja na Jamaica: “Até hoje não sei se eu voltei”

O “Conversa com Bial” retornou na noite desta segunda-feira (18) e, para comemorar os 70 anos da TV nos solos brasileiros, teve como convidada a talentosa Glória Maria.

A pioneira relembrou momentos da carreira, como as viagens que fazia. Um dos momentos internacionais mais iônicos aconteceu no Globo Repórter, quando fumou Ganja na Jamaica. Ganja, caso não saiba, é usada pela nação rastafari jamaicana de forma secular, enteógeno consumido dentro de rituais específicos e rituais espiritualmente “controlados”. O termo tem origem hindi, pode ser visto como sinônimo de maconha, uma vez que se refere a “uma preparação a partir da cannabis sativa”.

A jornalista revelou que o efeito foi tão forte que ela ficou horas sem saber onde se encontrava.

“Eu fumei aquele negócio na mais radical e pura comunidade rastafari da Jamaica. Nós negociamos três meses, assinamos um papel dizendo que a gente respeitaria todos os regulamentos, inclusive rezar na entrada e fumar na saída. Depois que a gente saiu de lá, ficamos na recepção do hotel por umas cinco, seis horas, sem conseguir voltar para o quarto. Ninguém sabia onde estava. Até hoje não sei se voltei.”

Mas nem tudo na carreira foram flores. Gloria relatou o racismo que sofreu durante a ditadura civil-militar.

“‘Tira aquela ‘neguinha’ da Globo daqui’. E eu passei todo o governo [João] Figueiredo ouvindo”

A repórter acredita que nada realmente mudou nesta questão de preconceito contra pessoas negras:

“A diferença é que hoje as coisas ganham uma proporção maior. Nada mudou, a discriminação continua igualzinha. As pessoas acham que hoje é pior. Não, não, não. Quem não gosta de preto, não gosta. Quem é racista é racista. Não adianta a Glória Maria apresentar o Jornal Nacional, o Globo Repórter, o Fantástico. Ela é negra? Então, tem que ser discriminada ou diminuída. (…) Dizem assim: elas não percebem’. Percebem, sim. Elas sabem que são racistas e gostam de ser. E quem é racista tem o prazer de ser racista, tem prazer em diminuir o outro seja do jeito que for”.

Também comentou como está passando pela quarentena da Covid-19, revelando que já estava isolada devido ao tumor no cérebro.

“Meu Deus, que ano impensável é esse em que estamos vivendo. E a vida me pegou de jeito (…) Graças a Deus eu escapei mais uma vez e já estou terminando a imunoterapia. Como eu sobrevivi, não sei, é só Deus quem sabe…”

Juntando à má notícia do diagnóstico, a mãe faleceu em fevereiro deste ano devido a insuficiência respiratória. Apesar do baque, ela vê tudo isso por um viés positivo:

“Na véspera do Carnaval, a minha mãe passou mal devido a uma insuficiência respiratória, que eu não sei se já era o coronavírus, e, no meio do caminho para o Hospital Pró-Cardíaco, ela morreu. Alguma coisa está acontecendo na minha vida que é muito mais que a pandemia. Está acontecendo tudo ao mesmo tempo (…) Nunca fiz a pergunta ‘por que comigo? Por que eu? Não. Tudo isso na verdade foi uma bênção. Deus me concedeu a graça de ter mais uma vida pra viver.”

“Conversa com Bial” vai ao ar de segunda à sexta após o “Jornal da Globo”.

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