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“Chromatica”: primeiras impressões num faixa a faixa do novo álbum de Lady Gaga

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Fim da espera! Acaba de chegar às plataformas digitais o sexto álbum de estúdio de Lady Gaga, o LG6, o famoso “Chromatica“. O trabalho mega aguardo pelos fãs precisou ser adiado por quase dois meses em virtude da pandemia do novo coronavírus, mas agora está em nossos ouvidos, finalmente.

São 16 faixas no total, que quebram um jejum de 4 anos na carreira da mother monster sem álbuns de pop, propriamente ditos. Entre as novidades estão parcerias com Ariana Grande, BLACKPINK e Elton John. O que esperar disso, hein?

Estou dando play agora pra ouvir faixa por faixa. A regra dessa matéria é ouvir pelo menos duas vezes cada uma e escrever, obviamente, as primeiras impressões. Pode ser que existam aqueles casos em que eu não curta tanto uma música agora e depois ela cresça e melhore. Então não me levem a mal. Vamos lá? Sem enrolar:

1. “Chromatica I”

É uma intro e depois o nome do disco se repete e vira um interlude, tá? Não vou fazer review desses.

2. “Alice”

Gaga não é nenhuma Alice. Mas ela quer ser levada para o País das Maravilhas mesmo assim. É a casa dela, como a própria canta na música. Esse disco irá fazer isso com a gente também, pelo que notei. Temos esse desejo de escapar, de sair do terror que vivemos atualmente. Para melhor ainda mais a viagem, a Gaga escolhe a dance e a house music para tocar, gênero conhecido por um poder de libertar e marcar identidades. Isso já acontece nesse faixa, uma produção com muita influência de dance do anos 90s, 2000s… É como se “Alice” fosse uma introdução para a história que vem depois…

3. “Stupid Love”

Não curti tanto quando saiu. O clipe também não ajudou a deixar ela mais legal porque, convenhamos, não está à altura de um clipe da Gaga. Mas agora, ouvindo “Stupid Love” junto com as outras faixas, dentro desse contexto pink futurista poperô dance music, ela encontra uma casa interessante e faz mais sentido. Você entende percebendo o ambiente no qual essa criança foi criada, sabe?

4. “Rain On Me” (com Ariana Grande)

Todo mundo já ouviu essa parceria. É um acerto. Nasceu “hino”, como a internet gosta de falar. Ariana chega, como sempre, pra acrescentar nos vocais, tudo vira diversão pop das minas, dançando na chuva (e dá pra sentir elas molhadas sem nem precisar ver o clipe). O peso da house music já começa aqui, com os graves, o piano… Os sintetizadores no refrão trazem uma pegada bem eletrônica pra faixa.

Aqui, Gaga finca de vez aquela voz mandona e profética dela, que ordena, como uma espécie de general do pop – tal qual vimos em “Born This Way”. Ela puxa o grave e manda um “rain. on. me”, como se estivesse mandando, obrigando a gente a dançar e gostar da faixa. Nem precisava mandar, Gaga. Já estava fácil desde o começo do play.

5. “Free Woman”

Esquece a letra aqui. Não por ela ser ruim, muito pelo contrário. É que o grande trunfo da música é o peso libertador da dance music, do grave forte, da batidinha de trip-hop na ponte da música… Ouve essa bem alto que assim funciona muito bem. Ela é meio transcendental. Dá pra sentir aquela liberdade (da tal “free woman”), aquela liberdade que a pista de dança (que a gente não frequenta há mais de dois meses…) traz também. Estamos sendo levados mesmo pro País das Maravilhas.

6. “Fun Tonight”

Acho a letra mais legal que a música. Aliás, é uma história bem “Gaga” de acompanhar. Dá pra visualizar ela terminando com um cara no meio da pista de dança, como já aconteceu em “Telephone” (neste caso, acho que ele era quem terminava).

Na letra, ela diz que não está mais se vendo, que deixou de ser ela mesmo e não está se divertindo. “You love the paparazzi, love the fame, even though you know it causes me pain, I feel like I’m in a prison hell“. Eu amo essa parte porque ela conta que o cara ama paparazzi, fama, mesmo sabendo que isso a causa dor e que a deixa de saco cheio. Pode não só ser um recado direto pro boy que ela não quer mais, mas também uma mensagem pra nós ou pra gravadora, que insiste nos trabalhos anteriores (“fame” e “paparazzi”). Viajei? De toda forma, essa música (e pelo visto, esse disco), está consertando esse possível problema porque é um fan service delicioso.

7. “Chromatica II”

Bacana.

8. “911”

Essa me lembra muito a faixa anterior, “Fun Tonight”. Mas nessa eu tô fazendo aquela dancinha de robozinho, sabe? Um dos meus braços caiu e tá balançando sozinho. Minha cabeça ficou olhando imóvel pra parede. Você não acha que essa é uma música bem Gaga de começo de carreira? Sinto a mesma impressão em “Stupid Love”. É pop, é boa. Mas é uma produção um pouco previsível, concorda?

9. “Plastic Doll”

Adoro o grave. Lembra um pouco a faixa “Monster”, do “The Fame Monster”. Taí uma gata do pop que se auto-referencia. Gaga não é a bonequinha de plástico de ninguém, como ela avisa na letra. Você não brinca com ela porque isso machuca. É mais um fan service aqui, hein? Lembra os trabalhos anteriores, sim. É pros fãs amarem.

10. “Sour Candy” (com BLACKPINK)

É uma das que mais gostei. Só consigo pensar na house music 90’s de Crystal Waters nessa faixa. Tem cheiro também sabe do quê? Daquele hino do house, “Plastic Dreams”, do Jaydee. Uma delícia, divertidíssima… Dá gosto de ouvir. O refrão é bem pop, bem fácil, as meninas do BLACKPINK entram com vocais delicados e armam o terreno pra Gaga, a dona da boate, chegar pisando firme com a voz marcante dela. Tem DNA de Germanotta aqui. Ela tá dura por fora, mas se você olhar dentro, ela tá “sour candy”. Mais uma vez, aquela voz aparece, a voz que ordena da Gaga, a general do pop dance do ano de 2020.

11. “Enigma”

Adoro os vocais dela aqui. Chegaram as palminhas e agora chega também o muito presente piano da house music. Já estou dançando. Um começo poderosíssimo, com a Gaga trazendo esse vocal “powerhouse” conhecido do gênero. É a cantora mergulhando de cabeça no gênero musical nascido em Chicago, logo depois da disco music. Gosto porque a faixa não é nada pretensiosa, é bem dançante, bem produzida. Adoro a parte em que tudo para e ela chega gritando “Did you hear what I said?”. Tudo funciona. É a entrega do que propõe a dance music em sua essência. Ela entrega essa sensação de liberdade, escapismo e poder… Gaga diz que a gente pode ser o que a gente quiser no refrão e a gente acredita, sim. Grande faixa! Talvez uma das minhas favoritas da Gaga, de todos os tempos.

12. “Replay”

Gosto. É uma música boa. Mais um dance hits 2000s. Mas é aquela faixa que serve pra fazer um volume no conteúdo, né? Não incomoda, não atrapalha… Essa tem uma pegada mais disco music, aliás. Preciso ouvir mais vezes porque talvez cresça. Ainda é uma primeira impressão.

13. “Chromatica III”

Não. Lacrou com o violino.

14. “Sine From Above” (with Elton John)

Gaga tá em busca de sinais, de uma luz. Ela conta que desde criança está procurando por isso. No refrão, a música cai num eletrônico pesadão. Chega a voz de Elton John, bem mais grave, num contraponto ótimo com a voz muito alta da amiga. Fechei os olhos e fiquei imaginando os dois dançando juntos com lasers e muita fumaça na boate. Para ficar ainda mais loucona dance 90s, a faixa entra num drum n’bass no final. Nunca imaginei, na vida, ver o Elton entrando numa música pop da Gaga, numa farofa dance boa desse tipo. Esse fator surpresa é o que mais marca.

15. “1000 Doves”

Nessa aqui Gaga começa dizendo que precisa ser ouvida, por favor. Ela está completamente sozinha, chorando, pedindo pra que não a deixem. Já sei que é música pra chorar na pista de dança, assim como faz muito bem a Robyn. A música cresce e ganha força no refrão, quando a artista diz que precisa ser libertada para voar como se fosse mil pombos. É a faixa, talvez, menos dançante de “Chromatica”, a mais “viajandona”. Se existisse uma definição na música, como existe no cinema, para aqueles filmes que você pega um carro, viaja e tudo acontece no percurso, essa música seria definida como “road music”. Mesmo mais transcendental, “1000 Doves” não abandona o pianinho e o groove da dance music. É um disco pra dançar. Vocal fica muito poderoso no final. Gostei dessa.

16. “Babylon”

Opa, opa, opa! Já me taggearam numa possível polêmica nessa faixa aqui, comparando “Babylon” com “Vogue”, da Madonna. Menos, gente! Não tem nada disso. É uma música bem Lady Gaga, por sinal. O pianinho de house music que chega ali é famoso em músicas do tipo e é por isso que Madonna também o traz na faixa dela. É a única semelhança. Ambas músicas nasceram do house.

“Babylon” é a música mais “closeira” do disco. É uma delícia. Beeeeem viada, Gaga com a voz dela falando, dando ordens, firmando mais uma vez essa marca registrada. Amo! No final, o instrumental some e as palminhas chegam junto com um coral e a voz. É house music poperô anos 90 total! Tem mais cheiro de Pet Shop Boys, talvez… Uma das melhores do álbum. Você pode desfilar em casa com ela, tá? O único problema é que ela acaba. Falando sério. É bem curta. Curta demais.  Você fica com vontade de dançar mais. Aguardando por um remix de mais de 10 minutos dessa.

***

Resumo breve do que achei? É um disco que fala sobre seguir adiante, sobre a necessidade de se sentir livre e poderosa. É sobre auto-afirmação e independência. Esse é o tema que liga a maioria das faixas e está presente não só nas letras, mas também na sonoridade. O uso da house music ajuda nesse sentido. É um estilo que nasce com a ideia principal de liberdade, de dançar para se afirmar, para se encontrar. Gaga usa esse som dançante para o mesmo, para encontrar liberdade e reforçar a identidade dela. É um disco bom, com diversas faixas boas, pop e dançantes. Vou ouvir mais. Minhas favoritas? A excelente e cool “Babylon”, o pop perfection de “Sour Candy”, com as BLACKPINK; a cheia de personalidade “Enigma” e o dueto poderoso e pop de “Rain on Me”, com Ariana Grande.

O que vocês acharam na primeira audição?

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