Menu Papel POP

Falamos com a Banda Eva sobre seus 40 anos de história e o novo disco ao vivo: “Foi mágico”

MAIS SOBRE:

A Banda Eva é parte das memórias de muita gente, especialmente aquelas do Carnaval, né? É porque a música deles, há mais de quatro décadas, tem sido sinônimo de hinos pra gente curtir o calorzão com os amigos, de momentos bons. E é exatamente na intenção de criar ainda outras novas memórias de momentos bons que vem o mais novo material lançado pelo grupo, o “Eva 4.0”, feito a partir de um registro ao vivo, feito em 2019 na cidade de Belo Horizonte (MG).

“Estava chovendo em BH a semana inteira e no momento que a gente pisou no palco, parou de chover”, revela com viés de magia o vocalista da banda, Felipe Pezzoni, que assume um papel muito importante, antes já ocupado pelas divas Ivete Sangalo e Emanuelle Araújo. O trabalho sintetiza de forma muito interessante os sucessos do histórico do grupo através de releituras bem atuais, inclusive com participações muito conhecidas do público de todas as gerações também, como Wesley Safadão, Leo Santana, Mumuzinho e Ivete Sangalo.

Por telefone, o Papelpop bateu um papo com o cantor, sobre o processo de preparo para um registro tão marcante e os rumos deste novo momento do grupo. Vem ver:

Papelpop: Com 40 anos de banda, dá pra dizer que quase não existe outro grupo com tanto tempo de estrada no Brasil, né? Qual a principal característica do trabalho de vocês agora, neste novo capítulo da carreira?

Felipe Pezzoni: Cara, é muito difícil [de dizer], porque não tem banda com essa idade, que roda e faz show ainda. E teve tantos vocalistas, revelando tantos artistas. É uma coisa inédita. Sinto muito honrado em fazer parte disso e estar escrevendo um capítulo tão importante da história do Eva. Me sinto muito realizado, especialmente com o feedback da galera. Hoje a gente já se conhece bem, sabe o caminho a seguir. A gente conta, nesse DVD, uma história já conhecida do público, mas de uma forma completamente diferente, com uma verdade muito nossa. A gente atualiza essas histórias que já foram contadas, por uma nova perspectiva.

E essa nova perspectiva também é se reflete no som atual de vocês, né?

Sim, a gente teve que revisitar as músicas e atualizar, como num software. A gente trás um olhar de futuro, pra que o público mais antigo tenha uma nova versão e o público jovem possa se identificar. Esse é o grande desafio desse DVD. Trazer algo a mais.

E esses novos sons foram influenciados por algum artista que vocês têm ouvido?

Vêm diretamente das nossas referências, que são diferentes dos meus antecessores [membros do grupo]. A gente escuta outras coisas e sonoridades, possibilidades e opções, que estão acontecendo no mundo e tal. Mas a gente não esquece de onde viemos, com a percussão e tudo, mas tem o eletrônico, uma pegada mais pop. Parecido com o que a gente curte no nosso dia-a-dia.

O trabalho tem diversas participações maravilhosas, como Ivete Sangalo e Wesley Safadão. Como foram escolhidas as participações?

É justamente trazer de novo o olhar, que todo mundo – até os artistas da nova já geração -, canta, já cantou ou conhece as músicas do Eva. O legal é que cada artista gravou um clássico e uma música inédita, trazendo esse novo olhar. Uma conexão com um novo segmento. 

Como foi feita a escolha do repertório para cada artista que participou do projeto? Teve a ver com as letras deles também?

Foram dois grandes desafios: primeiro, compilar 40 ano de história entre as clássicas pra um DVD. Foi bem difícil, aí a gente foi nas músicas que mais marcaram a história da banda. Depois, com as inéditas, [o desafio] foi achar a música ideal que conversasse com os dois universos.

Dentre as inéditas, qual representa melhor o momento da banda?

Velho… tem uma música que chama “Ou É”. Gosto muito do caminho dela. É meio que um samba reggae descontraído, eletrônica e moderna. Tem muito a ver com esse momento do Eva, da nova sonoridade. Mas todo o DVD tem bem a nossa cara, com nossa pegada.

Sobre a gravação do DVD, vocês sentiram uma pressão maior em estar fazendo um registro, mesmo sendo num show que vocês já fazem há bastante tempo?
Ah, tem sim! Principalmente sendo um DVD de 40 carnavais de uma banda tão importante. Mas por incrível que pareça, todo o processo do DVD foi muito leve e fluido. As participações também, todo mundo estava a fim de estar lá e cantar com a gente. O evento foi impecável, não só a parte da gravação, mas todo mundo, que foi ficou encantado. Estava chovendo em BH a semana inteira e no momento que a gente pisou no palco, parou de chover. E ficou sem chuva por umas seis horas e depois a gente continuou mesmo assim. A gravação foi feita numas duas horas e depois a gente fez mais um carnaval lá pra galera, num total de umas seis horas pra quem foi lá curtir.

Em 2013, quando você entrou na banda como foi o sentimento? Porque imagino que você deve ter crescido ouvindo os sucessos do grupo, né?

Foi mágico, principalmente pelo momento que eu estava vivendo, de provação. Estava no fundo do poço, no sentido de estar buscando algo, como artista independente, sem dinheiro e tal. Parece que era um teste pra ver se eu estava preparado. Então foi quase que aquele filme “À Procura da Felicidade”, me identifico muito. É uma provação e, quando chega, você fica “valeu a pena”. Mas num primeiro momento foi complicado [para fãs mais antigos do grupo], porque o ser humano não lida muito bem com mudanças, né? Foi um momento conturbado de aceitação do público, mas agora a gente vive um outro momento. A música é minha vida.

Vem ouvir o “Eva 4.0”, feito desse registro, com a gente:

Comentários

Topo