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De repente, disco da Madonna de 1994 chega ao topo do iTunes por mutirão de fãs

RAINHA NO TOPO! Exatos 26 anos após o lançamento, o disco “Bedtime Stories” (um exemplar belíssimo da era do vinil, diga-se de passagem) chegou ao topo das paradas de sucesso. Como isso aconteceu? Ao longo da última semana, fãs decidiram criar a #JusticeForBedtimeStories, que incentiva a compra do disco no iTunes como uma maneira de reparação após seu relativamente baixo desempenho na semana de lançamento.

Como reflexo, o sexto trabalho de estúdio da lenda atingiu ótimas oposições. No ranking geral do iTunes US, por exemplo, alcançou o #1 nesta quinta-feira (30). Em países como Canadá, Brasil e Turquia o efeito foi semelhante: por lá também rolou 1º lugar, estando lado a lado de discos recém-lançados como “Future Nostalgia”, de Dua Lipa, e “Fetch the Bolt Cutters”, de Fiona Apple.

Vale lembrar que esse trabalho não fez tanto sucesso e que as paradas eram dominadas, em outubro de 1994, por canções como “I Will Always Love You”, tema da trilha sonora de “O Guarda-Costas” interpretado por Whitney Houston, e singles do álbum de estreia do Boyz II Men, “II”. “Bedtime” alcançou apenas o #3 na parada Billboard 200, um dos principais rankings do mundo.

O fato é que este ainda é um marco na carreira de Madonna. Pra entender, vamos voltar um pouquinho ao passado: após ter passado cerca de 4 anos desafiando o conservadorismo mundo afora com lançamentos ousados como o single “Justify My Love”, o livro “SEX” e o álbum “Erotica”, a rainha decidiu se desafiar sonoramente. Foi aí que ao lado dos produtores BabyFace, Nelle Hooper e Dallas Austin ela decidiu mergulhar de vez no R&B. O objetivo era explorar uma série de composições densas feitas ao longo do último ano, após a turnê “The Girlie Show”. Pra cantar essas letras, Madonna deixou pra trás seu alter ego Dita Parlo, sua “irreverência”, como gostavam de dizer, e deu voz a um lado mais elegante de suas interpretações.

Como tema central de suas reflexões estavam amor, tristeza e a própria fama, que havia lhe rendido duros ataques nos últimos anos. “Survival” e “Human Nature” são dois ótimos exemplos de como ela soube devolver, categoricamente, as críticas que sofreu por empregar em sua obra assuntos que até então eram tabus.

Porém, as baladas românticas foram seu maior feito. “Secret”, por exemplo, é um dos singles mais poderosos da carreira. Foi a primeira amostra do material e trouxe um clipe gravado nas ruas de Nova York, em película preto e branco. Nas imagens é possível ver um pouco mais da cena underground da cidade pela ótica da artista, que interpreta uma cantora de jazz anônima.

Também rolou uma colaboração interessante com a então iniciante Björk, que lhe deu de presente a letra da faixa-título sob uma condição: que as duas não se encontrassem, para preservar ao máximo a criatividade e deixar o projeto livre de interferências. O clipe é um dos mais grandiosos de Madonna, visto que teve um orçamento de aproximadamente US$ 1 milhão, destinado majoritariamente aos efeitos especiais. É riquíssimo em referências! Tanto que está exposto permanentemente no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (quando a pandemia passar, vale visitar, hein?).

O grande sucesso desse disco, entretanto, é a balada “Take a Bow”, que encerra a tracklist. Lançada nas rádios no primeiro semestre de 1995, a faixa teve seu clipe gravado em Ronda, na Espanha, a fim de contar a história de um romance proibido entre uma dama da alta sociedade espanhola e um toureiro. Este projeto ajudou Madonna, inclusive, a conseguir o papel de protagonista no musical “Evita”, em 1996.

Vamos celebrar! Já deu seu stream para “Bedtime Stories” hoje?

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