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PJ Harvey, Dolly Parton e mais: cinco músicas inspiradoras sobre menstruação

A música está cheia de grandes exemplos de mulheres empoderadas que usaram suas composições para falar sobre temas que desde sempre foram tratados como tabus. A menstruação é uma dessas pautas, visto que ao longo da história se viu cercada de estigmas, chegando até mesmo a ser vetada ao ser vista como tema de novas canções. Ano após ano e disco após disco, em um processo libertador, algumas intérpretes decidiram reverter esta situação e passar a tratá-la com o máximo de orgulho possível, assumindo esse momento que é parte da natureza feminina. 

Tratando a situação da forma mais natural possível, elas também decidiram se eximir de uma posição de fragilidade, não raro associada ao seu gênero. A Intimus, que lança neste mês de março uma campanha incrível que visa conscientizar toda a sociedade sobre a importância disso, sabe o quanto esse processo é indispensável. Vamos relembrar alguns exemplos?

PJ Harvey, “Happy & Bleeding” (1992)

“Então a fruta floresce do avesso
Estou feliz e sangrando por você
A fruta floresce do avesso
Estou cansada e sangrando por você
Esta fruta estava machucada
Caída e triste
Fora de época, feliz eu sangro
Muito atrasada”

Em 1992 a jovem Polly Jean Harvey se preparava para o lançamento de seu primeiro álbum de estúdio, “Dry”. Uma das faixas do projeto é “Happy and Bleeding”, uma canção marcada pelo som do violão. Em sua letra, ela se vê tomada por um estado de pavor ao perceber que não menstruará na hora certa. Indo na contramão de estigmas que de alguma forma podem transformar a menstruação em algo pavoroso, Harvey descreve por meio de seus versos frutas sendo batidas, assim como cria metáforas assustadoramente belas para o processo. Em outras palavras, apesar de narrar um momento de confusão, ela exalta a beleza do sagrado feminino.

Dolly Parton, “PMS Blues”

“Vocês sabem que tem que nos perdoar
Porque não damos a mínima pro que fazemos
Tenho aquela TPM em que não paro chorar 
E nem os pratos de voar”

A rainha do country, Dolly Parton, canta sobre a menstruação de uma maneira totalmente oposta à de PJ Harvey. Nos versos de “PMS Blues”, single lançado em 19, ela escreve uma espécie de carta de amor às mulheres que sofrem com os efeitos da TPM. Deixa bem claro que há empatia e que está tudo bem em não se sentir apta a sorrir ou a engolir sua vontade de ficar furiosa em virtude dos altos índices de hormônio. Cada mulher pode e deve se sentir livre para se expressar como bem entender, sem se preocupar com os estereótipos.

Mary J Blige, “PMS”

“Tomei uma atitude e não estou falando com você
Eu não ligo para o que você pensa de mim
Eu não preciso que você chore ao meu lado
Eu não preciso disso, não, não
TPM”

Na mesma linha afrontosa de raciocínio usada por Parton, Mary J Blige reage aos efeitos da TPM com repulsa. Em “PMS”, lançada em , a cantora fala diretamente para todas as garotas que sentem alterações de humor, dores nas costas e se veem em dias de extrema frustração. Em uma espécie de introdução recitada, é como se ela pegasse todas as mulheres do mundo pela mão e dissesse: “Tudo bem extravasar o que você sente”. 

Janet Jackson, “Feedback”

“Faça um test drive bem foda, mas logo aviso que estou pegando fogo
Sou tão barra pesada quanto o primeiro dia de menstruação
Me dedilhe como uma guitarra e estoure meu amplificador
Quando escutar algum retorno, continue e toque mais alto
Quebre tudo, me dê mais disso, vamos lá”

Em 2007 outro grande ícone do pop, Janet Jackson, decidiu lançar como lead single de seu décimo álbum de estúdio a faixa “Feedback”. A composição funciona mais ou menos como um convite a um pretendente para que ele passe a noite ao seu lado, explorando todas as possibilidades sexuais entre ambos. Empoderada, Janet deixa bem claro seu desejo de se satisfazer, comparando sua intensidade ao primeiro dia da menstruação. 

Heavens to Betsy, “My Red Self”

“Qual é a cor, a cor da vergonha? eu sei que é vermelho
Eu sei que é sangue, vermelho sangue 
Este é um período muito longo
Muito estranho para você entender?
Então você me faz esconder a verdade de você mesmo!
Você me faz esconder meu próprio vermelho de você”

O rock n roll definitivamente é um gênero que nunca se intimidou diante de tabus. A Heavens to Betsy, banda americana de punk formada no início dos anos 1990 nos Estados Unidos, aproveitou o embalo do discurso do movimento riot grrrl e a voz maravilhosa de Sleater-Kinney Corin Tucker para falar sobre a TPM. O tema foi apenas um adendo ao seu repertório que já contava anteriormente com faixas sobre aborto, orgasmo e a liberdade dos corpos femininos. Com “My Red Self”, elas se converteram na primeira banda no mundo a falar de menstruação, acompanhadas por uma melodia acolhedora, marcada por riffs poderosos de guitarra.

Carne Doce, “Falo”

“Quem sabe eu tô naqueles dias
Acho que tô naqueles dias
Alimentando a fantasia
De que ao falar farei justiça
Se eu falo é me desculpa
Se eu falo é com licença
Se eu falo é obrigada”

Para encerrar nossa lista, um exemplo genuinamente brasileiro. A banda de rock Carne Doce, fundada pelo casal Salma Jô e Macloys Aquino em Goiânia, se destacou na cena nacional em 2016 com o disco “Princesa”. No repertório, canções narradas pelas mais variadas óticas femininas. Uma das faixas que mais chamou a atenção do público foi “Falo”, um rock progressivo de mais de 6 minutos em que a vocalista narra, de forma irônica e um tanto visceral uma série de situações envolvendo comportamentos de seu parceiro – vários deles carregados de estigmas femininos.

Viu como falar sobre torna as coisas mais naturais? A fim de questionar essas posturas, a Intimus criou uma campanha maravilhosa batizada como #ChegadeEstigma. O intuito é estimular e ampliar o diálogo sobre menstruação entre todos, questionando estereótipos pré-estabelecidos. A fim de encorajar, apoiar, dar suporte e empoderar, serão feitas ações nas redes sociais onde cada uma poderá compartilhar com os amigos e familiares materiais relacionados ao ciclo menstrual e sobre como questionar os vários estigmas relacionados a menstruação. O conteúdo já está disponível no site oficial da marca e pode ser acessado clicando aqui.

Além da hashtag #ChegadeEstigma, fazem parte ainda da ação cartazes, GIFs e figurinhas personalizadas. O que você está esperando para se unir? Lembre-se: uma sociedade informada é uma sociedade consciente!

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