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Entrevistas históricas em que cantoras questionaram os estigmas e o machismo no entretenimento

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Empoderamento, sexo, religião, política… todos estes temas já foram abordados pelas grandes divas da música pop em seus respectivos trabalhos. Apesar de serem muitas vezes controversos, esses projetos serviram para que nomes como Madonna, Cher, Lady Gaga, Rihanna e Shakira advogassem a favor de causas importantes para as mulheres, capazes de assegurar sua liberdade no mais amplo sentido da palavra. Além de serem representantes de um desejo comum por um mundo com mais equidade de gênero e respeito, elas também seguem lançando luz sobre o machismo que cerca a indústria musical.

A Intimus, que lança neste mês de março a campanha #ChegadeEstigma, sabe bem disso e busca reconhecer atitudes como essas por meio de uma ação importante e muito criativa que tem como objetivo discutir o sexismo e suas mazelas na sociedade. É justamente por isso que nós decidimos reunir trechos de entrevistas com ícones corajosos, que sempre estiveram na linha de frente da batalha contra os estigmas, inspirando. Vamos relembrar algumas dessas ocasiões?

Cher sobre a autonomia feminina diante da necessidade de um homem provedor

A primeira entrevistada a ser citada nesta lista precisa obrigatoriamente ser a Cher! Além de ser um ícone do cinema, tendo vencido o Oscar e o Golden Globes várias vezes por suas atuações brilhantes, a artista também é conhecida por sua perspicácia, que se reflete não raro em suas falas. Nós podemos enumerar várias ocasiões em que ela nos deu lições de como ser uma mulher empoderada, inteligente e, sem sombra de dúvida, à frente de seu tempo. Mas o maior exemplo disso talvez tenha acontecido durante uma conversa, em 1996, com a conceituada jornalista Jane Pauley. 

Naquele momento, Cher divulgava o disco “It’s a Man’s World”, que trouxe entre outros hits “Walking in Memphis” e um discurso pautado pelo feminismo. Durante o bate-papo, a cantora decidiu contar uma história curiosa que aconteceu com ela e sua mãe. Certo dia a atriz Georgia Holt disse à filha que ela deveria encontrar um pretendente rico para se casar, visto que uma união desse tipo poderia trazer a ela um grau de estabilidade financeira maior do que o que ela já possuía. Cher, sempre maravilhosa, respondeu que não precisava disso porque ela mesma já era “um homem rico” e que os tais boys funcionavam em sua vida mais ou menos como uma sobremesa. Se esta for servida, ótimo! Caso contrário, não fará a menor falta.

Lizzo sobre os padrões e as cobranças na indústria musical

Em dezembro de 2019 Lizzo esteve no Brasil para uma breve turnê de divulgação. Além de se apresentar em um evento privado no Rio de Janeiro, a voz de “Truth Hurts” atendeu à imprensa em uma das salas do hotel em que estava hospedada. Em entrevista a um dos maiores jornais do país, ela foi questionada sobre não ter ganhado todas as indicações do Grammy. Dos oito prêmios aos quais concorria, ela voltou para casa com 3. Se liga na resposta:

“Que diabos ganha a droga dos 8 prêmios? Eu ganhei três! Quantos Grammys você tem? (risos) Me perguntar isso não é justo, estou grata e feliz.”

Não satisfeito, o entrevistador quis saber como as pessoas reagiram inicialmente nos Estados Unidos quando viram que ela era uma mulher gorda, que não seguia todos os padrões físicos de beleza.

“Bom, acho que eles pensaram ‘Veja como ela é bonita e perfeita’. E eu fiquei tipo ‘Eu sei’ (risos). Quer dizer, o que é uma beleza convencional? Eu ando pela sala, todos param e me olha, o que é mais bonito do que isso?”

A próxima pergunta foi a seguinte: “Mas você acha que o seu sucesso aconteceu porque você é diferente do que estamos acostumados a ver?”. Lizzo, pleníssima, respondeu o seguinte: 

“Eu não acho que seja por causa disso que sou bem sucedida. Eu sou bem sucedida porque sou muito talentosa e trabalhei duro. Eu acho que o que você vê é definitivamente o que você tem. Mulheres sempre vão ser criticadas por existirem em seus corpos e não acho que eu seja diferente de qualquer grande mulher que veio antes de mim”.

Assista a partir de 1:07:

Lady Gaga sobre o preconceito em torno da sensualidade

Maior fenômeno da música pop em atividade nas últimas duas décadas, Lady Gaga alcançou o sucesso rapidamente por meio de suas composições geniais, sua atitude poderosa e visuais que transbordavam criatividade. Isso não a eximiu de enfrentar o machismo por meio de críticas a respeito da sensualidade empregada em seu trabalho. Em 2008, assim que lançou o disco “The Fame”, seu primeiro trabalho de estúdio, Gaga esteve diante de um repórter que a confrontou a respeito do uso do erotismo em seus videoclipes e apresentações ao vivo.

Ele quis saber se ela não ficaria preocupada com a possibilidade de seu público focar apenas na estética por vezes sexual de seu trabalho, posta em detrimento de suas habilidades como compositora e performer. Em resposta ela foi breve ao dizer que não se sente ameaçada. O rapaz insistiu e rebateu perguntando qual seria então o maior marco de sua carreira. Além de coroar a comunidade LGBTQ+, ela dá uma lição sobre como a sociedade aceita posturas ousadas vindas de um homem, mas torna isso um fator de agressão e desmerecimento ao trabalho de mulheres na indústria.

Rihanna sobre a relação equivocada entre felicidade e relacionamentos

Rom pom pom pom, rom pom pom pom! Com a Rihanna o machismo e qualquer outra de suas vertentes não tem vez. Em 2016 ela deu uma breve entrevista à Associated Press enquanto passava pelo tapete vermelho de um shopping center em Atlanta, nos Estados Unidos, onde apresentaria nas próximas horas seu novo perfume masculino. Após fazer algumas perguntas, a repórter quis saber o que a voz de “Man Down” levaria em consideração na hora de eleger seu próximo namorado. A resposta foi simples: “Não estou procurando um homem, vamos começar por aí”. Assista:

Ariana Grande sobre a futilidade atribuída ao universo feminino

Durante uma entrevista a uma estação de rádio em 2016 Ariana Grande ouviu do apresentador do programa um questionamento bastante peculiar. “Se você tivesse que usar sua maquiagem ou seu celular uma última vez, o que você escolheria?”. Sem perder tempo, a artista questionou a futilidade da pergunta e de outros apontamentos feitos durante a conversa a respeito do universo feminino. Segundo ela, homens e mulheres têm a obrigação de aprender juntos. Sem julgamentos e acusações superficiais para cima das garotas!

Shakira sobre o machismo e o conservadorismo

Imagine que o ano é 2014 e o featuring de Shakira e Rihanna esteja bombando nas rádios, chegando sem dificuldade ao topo das paradas de sucesso. O clipe então, nem se fala! As duas sendo maravilhosas e dançando em uma parede. Na mesma proporção em que “Can’t Remember to Forget You” se transformou em um hit, houve também quem se incomodasse com esse sucesso. Pelo Twitter, o vereador colombiano Marco Fidel Ramirez, conhecido por defender pautas de viés conservador, encaminhou um pedido à Autoridade Nacional de Televisão da Colômbia para que o clipe da faixa fosse censurado.

À ocasião, ele acusou a pop star de apresentar ao público um conteúdo “sem vergonha de lesbianismo e imoralidade. Um perigo para a juventude e para pessoas fracas que podem ser contaminadas e induzidas a praticá-lo”. Em visita ao país semanas depois de a declaração ter sido feita, Shakira foi questionada pela agência de notícias EFE a respeito. Sua resposta não poderia ter sido mais justa:

“Em um país como o nosso, onde existem tantas necessidades, com um sistema de saúde que precisa ser melhorado, um sistema de educação que tem que crescer, empregos que precisam ser gerados… um vereador gasta a sua voz e seu tempo para falar de um clipe de uma artista como eu? Significa que estamos muito mal de vereadores, não?”

Assista ao momento exato a partir de 2:35:

Madonna sobre o cerceamento da liberdade sexual feminina

O mundo parou nos primeiros anos da década de 1990 para acompanhar os passos dados por Madonna. Em 1992, mais precisamente, ela promovia o comentado álbum “Erotica” e decidiu atender à imprensa durante uma pausa nas gravações de um videoclipe. Na ocasião, M se sentou para conversar com um repórter britânico que quis discutir, entre outras pautas, sobre o livro “SEX”, outro projeto ambicioso lançado naquele mesmo ano. Este talvez seja seu trabalho mais controverso visto que a artista convida o leitor a conhecer suas próprias fantasias sexuais a partir de fotografias e contos eróticos assinados pela própria M, bem como por seu alter ego, Dita Parlo.

No meio do bate-papo o apresentador a questiona se há alguma mensagem no livro, em uma clara demonstração de menosprezo. Em resposta, a rainha toma as rédeas da entrevista sem que ele perceba e começa a fazer questões a respeito de suas impressões pessoais sobre a obra. Ele se diz assustado com uma foto em que Madonna aparece se masturbando diante de um espelho. A resposta dada pela cantora é nada menos que maravilhosa! Para fazer pensar a respeito da liberdade sexual feminina.

Perceba como todos os dias, estando menstruadas ou não, mulheres de todo o mundo se veem diante de barreiras impostas pelos estigmas e precisam lidar com comportamentos que envolvem perguntas como “Você está muito irritada hoje” ou “Está chorando por esse filme?”. Você certamente já ouviu alguma dessas frases, infelizmente… Mas a Intimus, conforme adiantamos, se preocupa com isso e quer que mulheres de todo o mundo, tal qual as estrelas citadas, busquem desmistificar posturas que de alguma forma sejam restritivas. Na arte e em nossas vidas, isso não pode acontecer. 

No mês de março a marca lança uma campanha maravilhosa chamada #ChegadeEstigma em que a intenção é promover um diálogo mais aberto e esclarecido sobre a menstruação com toda a sociedade, sempre questionando os estereótipos. A fim de dar suporte, encorajar e empoderar, tem sido promovida uma série de ações nas redes sociais em que é possível compartilhar com amigos e familiares materiais esclarecedores sobre o ciclo menstrual e sobre como questionar os vários estigmas relacionados a menstruação.. 

São várias alternativas já disponíveis no site! Há cartazes, GIFs e figurinhas prontos para serem compartilhados, bem como a própria hashtag #ChegadeEstigma que mulheres podem usar para contar suas experiências e reforçar uma rede de apoio que tem como objetivo informar e tornar a sociedade mais consciente. O que você está esperando para fazer parte do movimento?

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