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música

Ainda queremos a continuação de “Telephone”, clipe lendário que completa 10 anos hoje

Dá para dizer que a música pop viveu uma espécie de apogeu na década de 2010. Foram vários os lançamentos excelentes feitos em seus primeiros anos e Lady Gaga, que vinha se convertendo em uma das principais artistas do gênero, decidiu entrar em estúdio. Era hora de produzir seu segundo álbum de estúdio e o resultado foi o elogiado “The Fame Monster“, um disco caótico, mas igualmente genial que trouxe à indústria um refresco de ideias.

Inovadora, Gaga explorava ao máximo a força das batidas pesadas, de sons moldados pra serem radiofônicos e dos refrões que em poucas semanas, mal sabia ela, tomariam conta das rádios de todo o mundo. Várias faixas se destacaram nesse processo (entre elas, gostaria de fazer uma menção honrosa à injustiçada “Dance in the Dark”). Mas nada foi tão expressivo quanto o que se viu com “Telephone“.

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A segunda colaboração da mother monster com Beyoncé mexeu com o imaginário de muita gente ao ganhar um registro visual com vibe de curta-metragem. A criação é ambiciosa e conta uma história iniciada em “Paparazzi”, clipe lançado um ano antes em que a artista interpreta uma vilã dissimulada, inconsequente. Ela assassina o próprio namorado com uma dose de veneno e após ser enviada à penitenciária, onde cumpre uma longa pena, liga para uma amiga em busca de resgate.

Há diálogos, coreografias elaboradas e uma performance cênica. São duas parceiras de crime e de vida perdidas na estrada. Dignas de um “Thelma and Louise”.

Hoje, 15 de março de 2020, seu lançamento completa exatos 10 anos. Por um instante, parece que tiramos uma soneca e despertamos em um presente inerte e imperturbável. Sim, inerte! Mais ainda imperturbável quando nos darmos conta do tempo gasto esperando uma continuação dessa história, ainda que os lançamentos não tenham parado de acontecer. Afinal, é isto o que promete a última cena e você já deve ter ouvido dizer que “promessa é dívida”. Em 2015 surgiram rumores de uma possível gravação, mas a novidade logo foi esquecida.

O diretor Jonas Åkerlund, que venceu o Grammy três vezes – duas delas ao lado de Madonna pelo clipe de “Ray of Light” e a edição do show “Confessions” – explicou recentemente em entrevista à Variety que a intenção não era exatamente essa. Ele ainda revelou que chegou a conversar com Gaga sobre a sequência do projeto, mas que não houve um consenso.

“Não era para ser realmente ‘uma série’. Eu meio que gosto da ideia de colocar ‘continua’ no final, apenas para torná-lo mais emocionante, e então esse tipo de coisa se tornou algo do tipo “Oh, espere um minuto. Vamos continuar. Mesmo!” E então encerramos ‘Telefone’ com ‘continua’ também. É divertido e seria legal ter um terceiro chegando pra valer. Mas nós realmente não discutimos a respeito. Na verdade, sim, mas eu não me lembro qual canção seria. Começamos a escrever algo, mas acabou dando em nada”.

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Com dez minutos de duração “Telephone” desafiou canais como a MTV, que eram àquela altura uma espécie de garantia, por meio de sua exibição sumária de clipes, do auge do sucesso. Segundo a própria Gaga os produtores a deixavam exausta diante de uma série de comentários que muitas vezes acabavam em censura. O motivo era o conteúdo explícito de suas produções audiovisuais, que logo passariam a ser veiculadas por outros canais como o YouTube. A indústria musical, que ainda não conhecia a febre do streaming, passava por um momento de transição.

Eleito o melhor clipe da década pela revista Billboard no fim de 2019, o clipe contou com um alto orçamento e levou exatos dois dias para ter todas as suas imagens captadas. O primeiro set foi estabelecido em uma prisão de verdade, desativada. Contou um super elenco de bailarinos e uma produção que envolvia várias trocas de roupa e até mesmo a locação de carros. Como esquecer o óculos feito de cigarro?

Já o segundo, que remete às cenas de Beyoncé e Gaga na estrada, aconteceu em pleno deserto. Foi durante estas tomadas que surgiu a necessidade de um certo improviso, visto que as duas artistas, assim como sua própria equipe, foram pegas de surpresa pela passagem do tempo. Com a proximidade da noite e seu consequente frio foi necessário alugar um quarto em um motel à beira da estrada. Surgiram aí as cenas em que Beyoncé fala ao telefone, tentando contato.

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Além de convidar a própria irmã, Natali Germanotta, pra participar das filmagens como uma das detentas, Gaga também quis exercer ao máximo sua liberdade criativa ao empregar na produção um compilado de coisas que ela adora. Os filmes do cineasta americano Quentin Tarantino, de quem sempre se disse uma grande fã, exerceram uma grande influência no resultado final. Em um episódio curioso, pouco antes de finalizar roteiro, a cantora esteve na casa de Quentin para um jantar. A partir de uma visão que teve, criou coragem e lhe fez um pedido especial.

Ela gostaria de usar o lendário “Pussy Wagon”, famoso Chevrolet Silverado dirigido por Uma Thurman em “Kill Bill Vol. 1”. Akerlund relembrou a situação:

“Ela (Lady Gaga) me mandou uma foto e disse ‘Isto está na garagem dele. Queremos isso no clipe?’ e eu fiquei tipo ‘Sim, queremos!’. E acho que não funcionou ou algo assim, então tivemos que consertá-lo.”

Outra referência à filmografia do diretor é o apelido “Honey Bee”, usado em alguns momentos da narrativa. Trata-se de um aceno a “Pulp Fiction”, filme também estrelado por Thurman e John Travolta. Tanto durante sua viagem pelo deserto, quanto antes de envenenar os clientes do restaurante em que se esconde, Gaga usa este nome para se referir a Beyoncé. Ela acena na verdade para “Honey Bunny”, o apelido de Yolanda, uma das duas assaltantes do clássico filme de 1994.

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Agora, se essa assassina é qualificada em envenenamento, qual seria sua receita mortífera? Gaga não faz cerimônia e nos mostra em uma das melhores sequências do projeto, no mais puro estilo “programa matinal”, quais ingredientes usa. O que nem todos percebem é que a lista vem inspirada em grandes sucessos da cultura geek e dos videogames. O Meta-Cyanide, por exemplo, vem de “Star Wars”. Já o Tiberium, do jogo de estratégia “Command & Conquer”.

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No ar desde 2003, a série policial “NCIS – Investigação Naval” também serviu como referências para uma das cenas do clipe. O restaurante usado para a realização da matança é na verdade uma reprodução exata de uma lanchonete famosa na produção americana. É neste ambiente, recriado com exatidão, onde se dá a icônica (e improvisada) fala de Gaga:

“Quando se mata uma vaca, tem que se fazer um hambúrguer”.

Na reportagem que aparece ao final do clipe noticiando o massacre, o apresentador do telejornal faz uma passagem ao vivo, direto do local. Na legenda surge a letra de “Telephone” em sueco. O rapaz em questão é Jai Rodriguez, famoso por ter sido guia de cultura no reality “Queer Eye for the Straight Guy”, programa americano vencedor do Emmy e que inspirou, anos mais tarde, “Queer Eye”, produção de sucesso da Netflix.

Com tantos easter eggs, “Telephone” merece ser celebrado nesta data querida. A nova leva de canções de Lady Gaga, aliás, está prevista pra chegar às lojas em 13 de abril por meio do álbum “Chromatica”. Por enquanto, a nossa dica é viver o presente dia embalado por este som.

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