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Scalene fala ao Papelpop sobre feat. com Ney Matogrosso, música brasileira e novo álbum

Chegou às plataformas na última quinta-feira (29) mais um trabalho de estúdio da banda Scalene, o sensível “Respiro”. Em busca de trabalhar conceitos como a trégua, o descanso e a folga, o quarteto brasiliense partiu em busca de sons e da construção de mensagens que significassem totalmente o contrário do que se enxerga nestes tempos críticos.

Entre as 14 faixas, que pregam direta ou indiretamente uma oposição a este momento tenso, estão composições carregadas de delicadeza – expressas inclusive na essência dos nomes convidados para as colaborações.

Além dos belíssimos instrumentais de Hamilton de Holanda, abrilhantam o projeto as vozes suaves de Xênia França e Ney Matogrosso, assim como a presença de convidados especiais como Titi Müller. Juntos, eles tornam a busca da Scalene por novos horizontes e experimentações, leia-se aqui imagéticas e sonoras, ainda mais rica.

Por e-mail, conversamos com o vocalista Gustavo Bertoni a respeito deste momento. Entre outras coisas, ele contou pra gente mais detalhes a respeito da estética empregada no disco e disse que este nada mais é do que um reflexo do estado atual da banda, que completa em 2019 dez anos de existência. Vem ler!

Papelpop: O disco acabou de sair, como tem sido acompanhar a recepção do público?

Gustavo Bertoni: Divertido e gratificante. Muita mensagem bonita da galera mergulhando na ideia do Respiro. Repercussão tem sido ótima e é interessante ver como as pessoas lidam com mudanças e expectativas. Sabíamos que seria um álbum que surpreenderia a todos.

“Respiro” traz uma série de mensagens. Como vocês chegaram até essa palavra, o que os inspirou para essa escolha?

Tomás trouxe a ideia um dia em estúdio e todo mundo concordou na hora. Ótimo que é meio auto explicativo e retrata bem o momento da banda. Completando dez anos de banda, estamos dando uma respirada pra começar os próximos dez da melhor forma possível.

Reparei também um grande cuidado com a estética. Os ensaios fotográficos feitos para esta era dialogam muito com a vibe do álbum e a capa, igualmente, tem bastante significado. Como vocês descobriram o trabalho da Alice Quaresma?

Comprei um vinil chamado “Outro Tempo” na June Records em Toronto por indicação do vendedor super gente boa lá. O estilo da capa me cativou muito e tinha muito a ver com o que imaginava pro álbum. Entrei em contato com ela e trocamos mó ideia sobre os temas do disco e o processo de criação dela, que é relativamente parecido com o que foi o nosso nesse disco.

Neste disco vocês mergulham mais a fundo em influências da música brasileira. No álbum anterior vocês já vinham flertando com gêneros desse estilo… o que motivou esse interesse?

Foi crescendo aos poucos em nós a vontade e urgência de se entender melhor como artista brasileiro, alinhado à buscar se entender melhor como cidadão mesmo. Sair um pouco das bolhas dos gêneros e cenas e fazer música brasileira sem pensar em gênero.

Ainda sobre música brasileira, notei a presença forte de elementos da Bossa Nova em algumas faixas e eu não posso deixar de citar João Gilberto, que perdemos recentemente. Ele foi uma referência pra vocês?

Não tão direta, mas gostamos muito dele e o Marcus Preto (diretor artístico) até incluiu algumas musicas dele na playlist que serviu de pesquisa pro álbum. Um verdadeiro gênio, grande perda. Fiquei sabendo que ele era fã do Yogananda, achei muito fera.

Nesse papo sobre ícones, “Respiro” traz entre outros featurings Xênia França (que também estrela um dos novos clipes) e Ney Matogrosso! Como foi gravar com eles?

Foi maravilhoso. Uma troca muito gratificante e rica em estúdio com eles. Tanto pelos papos pré-gravação, quanto pelo momento da gravação em si. Xênia trouxe uma densidade e uma ressignificação pra letra maravilhosa, timbre lindo que passa sabedoria. O Ney nos deu uma aula de interpretação e entendimento da língua portuguesa. Postura e oratória elegante e muito carinhosa. Uma honra. Contamos com participações instrumentais do Beto Mejia na flauta e do Hamilton de Holanda no bandolim. Beto é um grande melodista e amigão nosso desde 2010 quando ele tava no Móveis. Hamilton é uma aberração hahaha o cara lê a matrix… super simples e dentro da cabine de gravação um mestre. Experiências incríveis.

E quanto a shows… O que podemos esperar nos palcos daqui em diante, vocês tem preparado especial?

Tocamos um show super curto no Rio na sexta passada, na Game XP. Nenhuma musica nova, mas um ambiente completamente novo! Tava sinistra a estrutura. Vamos incluir aos poucos as musicas novas no show e lá pra outubro começar a turnê focada no disco. Tamo com muito show já marcado e varias outras demandas, escolhemos preparar esse show sem pressa.

 

“Respiro” está disponível em todas as plataformas digitais. Já ouviu hoje?

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