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No Lollapalooza, Lenny Kravitz se joga na galera, canta clássicos e faz show impecável sob a chuva

A mesma tempestade sinistra que fez cair parte do line-up do Festival Lollapalooza na tarde deste sábado (6) tornou ainda mais brilhante a apresentação de Lenny Kravitz, uma das maiores atrações da segunda noite do evento.

Mesmo importunado incontáveis vezes com a quantidade de água que pouco a pouco empossava no palco (uma situação que solicitou uma força dos assistentes pra secar o local entre uma música e outra), o cantor entregou ao público brasileiro, seu velho conhecido, uma apresentação pra ninguém botar defeito.

Com suas já tradicionais calças justíssimas de couro, óculos escuros e um cabelo deslumbrante, Lenny subiu ao palco no horário previsto, às 18h20, em uma caminhada despretensiosa, lenta e dolorosamente sexy – algo que só ele sabe fazer. Da mesma forma com que saiu, empunhando sua guitarra, subiu até o topo de uma escadaria e promoveu uma onda esmagadora de êxtase apenas com os riffs iniciais de “Fly Away”, clássico radiofônico do disco “5”, lançado em 1998.

Embora a lista de canções escolhidas para a ocasião tenha sido reduzida, se comparadas as passagens do astro pelas versões argentina e chilena do mesmo festival, não faltaram momentos de troca.

Responsáveis por sinalizar de forma ainda mais clara o carinho mútuo existente em sua relação com os fãs, bastava que a a banda desse os primeiros acordes de canções como “Dig In” e “American Woman” (esta última cover do The Guess Who) para que esta relação se mostrasse ainda mais ímpar. É aquele negócio, só a imersão completa na música, aqui maximizada pelo rock, pode explicar essa sensação.

Além do gênero, que segue sendo sua plataforma-mór, não faltaram também referências à black music. Com influência de ritmos como o reggae, o blues e o jazz, o cantor seguiu embalado por uma orquestra que trazia, além de instrumentos eruditos como saxofones e trompetes, a presença de Gail Ann Dorsey. Pra quem não sabe, a música norte-americana foi integrante da banda fixa de David Bowie por mais de duas décadas. Um monstro no palco e na guitarra, viu? <3

Com um show milimetricamente pensado, cheio de canções que marcaram época e por que não as nossas vidas, um único defeito saltou aos nossos olhos: a ausência de canções de seu disco mais recente, o ótimo “Raise Vibration”, lançado no ano passado.

Da lista de novas faixas, só foi tocada a envolvente “Low”. Mesmo assim, a setlist foi extremamente bem distribuída entre seus lançamentos. Fala sério, ver Lenny Kravitz sussurrando junto ao microfone fez com que todo mundo se sentisse envolvido. Um sonho…

Com o uso preciso de seus (vários) instrumentos, o show do cantor também foi marcado por introduções e solos de piano, órgão, guitarra e baixo, como aconteceu em “It Ain’t Over Till It’s Over”, usada como janela para um segmento de baladas composto ainda por faixas como “Believe”, uma mensagem bela de otimismo.

Já aquela adrenalina característica dos shows de rock ficou por conta dos momentos que antecederam o bis. Com a chuva dando sua primeira trégua, Lenny citou Jorja Smith e Jain, outras duas atrações do festival, ao agradecer ao público por aguentar firme sob a garoa incessante.

Para Slash, seu parceiro criativo e amigo de longa data, rolou uma menção honrosa às portas de “Always On The Run”, clássico do disco “Mamma Said” (um dos nossos favoritos) e antecessor de “Where All We Running”.

Após “Again” e “Let Love Rule”, dois hinos extraordinários de um catálogo nada menos que monstruoso, foi feito um pedido de “conexão” com a galera, o que mais pareceu no fim das contas um presente para os persistentes fãs colados na grade.

Animado, Lenny desceu as escadas e se jogou, cantando entre apertos de mão ansiosos, abraços apaixonados e lágrimas felizes. Um daqueles clássicos momentos que somaram, junto a “Are You Gonna Go My Way”, faixa de encerramento, ainda mais a sua grandiosidade. Quer dizer, se é que isso ainda é possível em se tratando de alguém que já é inalcançável.

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