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Entrevistada por Reese Witherspoon, Zoë Kravitz fala sobre a quebra de estereótipos em Hollywood

Na capa maravilhosa de Outubro da Harper’s Bazaar, Zoë  Kravitz foi entrevista pela colega de elenco de Big Little Lies, Reese Witherspoon, e comentou sobre desafiar os estereótipos em Hollywood, sua família, moda e maquiagem.  Seu photoshoot para a edição do mês não teve – pasmem – NENHUM tratamento de imagem, ou seja, nadinha de Photoshop!

Kravitz deu closes lindíssimos mostrando sua beleza natural e, ao ser perguntada o que acha do impacto que causa nas mulheres jovens, respondeu:

“Eu encontro todas essas lindas jovens mulheres não-brancas com tranças que sentem uma conexão comigo. Tenho certeza de que é bom ver alguém com quem você pode se conectar na mídia. Quando eu estava crescendo, quase todo mundo que eu via em um filme era branco e loiro e tinha peitos grandes. Não que isso não esteja bem, mas você se pergunta: “Estou sozinha aqui? Não sou desejável ou interessante?”

Reese então comenta que as pessoas têm sido realmente responsivas à vontade de Zoë de falar honestamente sobre os estereótipos raciais em Hollywood.

“Eu não estou necessariamente tentando apontar o dedo para ninguém. Eu só quero que esses escritores, muitos dos quais provavelmente são brancos, estejam cientes das coisas que me afetam e provavelmente afetem outras pessoas também. Estou tentando falar e mudar as coisas para que Hollywood possa ter mais consciência das coisas. Minha maior preocupação é quando eu leio roteiros que têm descrições de personagens como ‘Stacy, 22, alegre’, então você lê mais quatro páginas e vê ‘Sarah, 22, afro-americana’, o que deixa claro que todo mundo é branco.”

 

A colega então pergunta se Kravitz está vendo mudanças nos scripts que está lendo em relação a mais representatividade:

“É uma mudança lenta, mas acho que está acontecendo. Acabei de receber um papel que foi escrito para um homem. No roteiro, ainda é um homem. Eu acho tão legal que eles não sentiram a necessidade de mudar isso. Eles apenas disseram: ‘É um homem, mas vai ficar o mesmo’.”

Continua:

“[São] como deveriam ser, sabe? Eu como uma mulher negra com tranças e tatuagens, não deveria ser vista como capaz de só interpretar uma hippie [no cinema]; Eu também deveria ser capaz de interpretar uma advogada ou uma médica ou uma comediante ou o que quer que seja! Gay, hétero, todas as coisas. Devemos começar a abrir nossas mentes sobre o que é ser uma pessoa vivendo em 2018.”

Então Reese comenta que a mãe de Zoë, Lisa Bonet (a estrela de Cosby Show), e sua avó (Roxie Roker, que interpretou o primeiro casal interrracial da TV em The Jeffersons) estavam quebrando estereótipos com o trabalho que faziam, e pergunta se a atriz sabia desse legado desde criança, o qual ela responde:

“Eu não acho que eu realmente entendi até muito mais tarde na minha vida, porque [para entender] você tem que ter uma perspectiva maior do que está acontecendo no mundo. Quando fiquei mais velha, percebi: ‘Ah, é por isso que a minha avó era casada com um homem branco no programa.’ Eu tenho pais mestiços, então eu não vi isso como uma grande coisa. Então, quando fui educada sobre como era o mundo, percebi: ‘Isso é grande coisa’. Foi corajoso da parte dela ir até lá. Eu não acho que a intenção dela era mudar as coisas. Na verdade, era verdade: ela era casada com um homem branco.”

 

Witherspon pergunta se ela acha que as mídias sociais ajudaram a promover a representatividade, e Kravitz comenta:

“A mídia social nos conecta de uma maneira bonita e responsabiliza as pessoas por suas ações, por sua tomada de decisão no casting ou por uma piada ou história ignorante. É ótimo que exista essa grande responsabilidade agora, mas, ao mesmo tempo, sinto que a mídia social é realmente perigosa porque fica fácil apontar o dedo para as coisas. Eu acho que isso faz com que os artistas tenham medo de arriscar ou ser algo diferente de si mesmos, porque eles vão ser ditos de que é inapropriado. Como atriz, acho isso assustador.”

E, por fim, Reese comenta que tem uma crush no estilo da amiga, e pergunta como ela consegue “se maquiar com coisas que a fariam se parecer com um palhaço”, e diz: “Minha filosofia sobre maquiagem sempre foi destacar o que você ama em si mesma, se divertir e não usá-la para se cobrir”.

Fotos: Camilla Akrans

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