música

Como gastar 3 mil reais em shows nos primeiros meses de 2018

Chega o começo do ano e as pessoas começam a se preocupar com matrícula da faculdade, IPVA e na fatura de cartão de crédito que o espírito natalino gerou. Eu me preocupo em quanto vou gastar em shows. Nem precisa ser para o ano inteiro, mas ter uma ideia do que vai ser nos primeiros meses é bem importante. Fazendo uma conta por baixo de cada apresentação que eu gostaria de ir, eu teria que desembolsar mais de três mil reais.

A lista é extensa (eu sei) e tem nomes nacionais e internacionais. Chico Buarque, Lollapalooza, Radiohead, Gorillaz, Phil Collins, Johnny Hooker, Katy Perry, Depeche Mode, Harry Styles, Niall Horan, Radiohead, Shakira… O cálculo de 3 mil reais foi a compra do ingresso sem taxa de conveniência, alimentação, birita e transporte.

Para ‘economizar’ eu deixei o luxo de estar na área VIP e enfrentaria as apresentações em uma pista comum. Ou seja, daria para colocar fácil um valor de quatro mil reais no primeiro quadrimestre de 2018. Gastar quase mil reais por mês em shows não fica apertado para qualquer orçamento. Vale lembrar que o salário mínimo atual é de 937 reais..

“Deve ter algum jeito de reduzir para deixar isso mais acessível”

Já tivemos a revolução no mercado da música com a entrada das plataformas de streaming. Desta maneira, a pirataria foi reduzida de forma drástica, os fãs podem ouvir milhões de músicas em seu celular e os artistas ganham um dimdim com cada play. O meu desejo para 2018 é que tenhamos um novo passo para shows. Da mesma maneira que era impossível comprar um disco para cada artista que você curtir, deve ter algum jeito de reduzir para deixar isso mais acessível sem apelar para falsificar uma carteirinha de estudante.

Não estou falando de assistir ao show por algum aplicativo, mas de estar presente no evento mesmo. Não sejamos simplistas em comparar o streaming com os shows de um artista, mas se tivesse algum método de reduzir o valor final para o fã seria um novo boom para o ecossistema musical. Teríamos mais pessoas indo para shows, os artistas iriam receber pelo cachê, as produtoras conseguiriam investir em mais atrações e por aí vai. Mudar o panorama atual é complicado da mesma forma que implementar uma cobrança mensal para ouvir músicas em um aplicativo há alguns anos.

É muito claro que o preço do ingresso é alto assim, pois já calculam que uma boa parte do público irá usar carteirinha de estudante para entrar no show. Em uma boa parte do mundo não existe este valor mais barato para quem estuda e o ingresso segue em um preço padrão para todos. Eu sei que um desconto para quem estuda alivia e muito, mas esta prática cai por terra quando a maior parte burla o processo.

Você acha que é possível ter um jeito sustentável para revolucionar o acesso de shows para todo mundo? Esta ideia vale ouro.

O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras.

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.


* A opinião do colunista Brunno Constante não necessariamente representa a opinião do Papelpop. No entanto, por aqui, todas as opiniões são bem-vindas. :)

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