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2018 será o ano do sertão eletrônico?

O sertão é eletrônico. Cada vez mais aquele som com violas, sanfonas e voz agudas estão sumindo do mapa. O ano mal começou e já temos dois bons exemplos da prova que o sertanejo quer estar presente não apenas nos festivais boiadeiros, mas na pista de dança. Simone e Simaria convocaram Alok para “Paga de Solteiro Feliz”, e Lucas Lucco levou Pabllo Vittar para o seu “Paraíso”.

Lucas Lucco é um cara que sempre arrisca em seus lançamentos e não foi uma grande novidade ter uma roupagem mais pop e cheia de sintetizadores. O cantor crossfiteiro sempre desafiou os limites do sertanejo e bancou feats de Dennis DJ, MC Bin Laden, MC Lan, MC G15 e até Neymar. O refrão poderia ser interpretado por Di Ferrero, Scalene ou Supercombo. Facilmente.

Quando foi divulgado a parceria entre Simone e Simaria com Alok, eu achei que poderia ser um divisor de águas, uma nova etapa do sertanejo universitário. De um lado está o cara que colocou a música eletrônica brasileira nos charts do mundo inteiro e, do outro, o maior expoente feminejo da atualidade.

O resultado não foi uma faixa de sertanejo talhada pelo DJ goiano, mas uma sertaneja com traços tímidos de EDM. Parece ter sido uma versão light do que poderia ser. Se não tivesse o Alok no clipe, poderia ser uma faixa apenas da dupla.

Não é de hoje que o sertanejo está com um pezinho no pop ou na EDM. Quando a ramificação do sertanejo universitário ganhou força no começo dos anos 2000, vimos uma penca de nomes novos disputando espaço no cenário como Luan Santana, Fernando & Sorocaba, Jorge & Mateus, Guilherme & Santiago, Michel Teló, Maria Cecília & Rodolfo, João Neto & Frederico, João Pena & Gabriel, Zé Henrique & Gabriel e Marcos & Belutti.

A intersecção entre eles era deixar o berrante e as características tradicionais do sertanejo para uma roupagem mais jovial, mais acessível. Foi se o tempo em que o sertanejo era aquele som feito para o trabalhador na roça e que cantava as aflições, angústias e ambições da pessoa no campo. O sertanejo foi para cidade, quer farrear e ostentar.

A busca por outros estilos para dar fôlego ao sertanejo em outras pistas não para na música eletrônica. Na última temporada, Gusttavo Lima convocou o Hungria, um dos maiores nomes da nova safra de rap, para a música “Eu Vou te Buscar” – uma das mais tocadas em rádios em 2017.

Ainda em 2017, o funk também esteve presente nos charts por conta de colaborações com sertanejos. O nome que foi mais cotado para participações foi a de Nego do Borel. O cantor carioca gravou cantigas com Wesley Safadão, Fernando e Sorocaba, Luan Santana, Maiara e Maraisa…

A transição daquele formato acústico ao vivo, deu-se para apresentações inspiradas no TomorrowLand. Basta pegar qualquer DVD de sertanejo no mercado como Wesley Safadão, Pedro Paulo e Alex, Fernando e Soracaba e comparar esta transição.

Há quase duas décadas o sertanejo se aproxima do pop de alguma maneira. Sendo com colaborações ou trazendo elementos de outros ritmos para incrementar o som da bota e chapéu. Estes últimos singles soam tímidos e não fazem jus com o real estrago que poderiam fazer. O ano acabou de começar e vamos ver quem é que vai lançar a música que represente esta nova fase.

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O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras.

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.


* A opinião do colunista Brunno Constante não necessariamente representa a opinião do Papelpop. No entanto, por aqui, todas as opiniões são bem-vindas. :)

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