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Quais foram os hits brasileiros de 2017?

Estamos a poucas semanas da conclusão de mais um ano, e logo mais vão começar as listas com o melhor que tivemos. Como não amar listas? Mesmo que você não concorde, é interessante sacar outros gostos e comparar com a sua bolha. Programas dominicais e publicações consagradas gostam de eleger os destaques que passaram por esta temporada.

Uma das categorias mais difíceis é cravar qual foi a música do ano, por diversas razões. A música que mais bomba no Spotify ou Deezer não necessariamente aparece nas rádios mais populares. Antigamente, um pouco menos de uma década, o carimbo de uma grande canção era estar presente na trilha de uma novela, mas, hoje, não é uma garantia segura.

A cantiga do ano é uma mistura de diversos fatores, métricas de consumo, tendências, mas, no fim das contas, é aquela música que qualquer pessoa sabe um pedacinho, não incomoda quando está tocando no carro, tem uma coreografia que até jogador de futebol comemora no gol, ou uma paródia do Whindersson Nunes.

Para mim, o hit do ano é uma miscelânea de diversos ritmos e conta com um time de peso. Lançada em fevereiro, “Você Partiu Meu Coração” é uma música de Nego do Borel com Anitta e Wesley Safadão. Não tenho dúvidas de quando formos lembrar de 2017, esta música será citada.

O cantor lançou ainda dois singles nesta temporada “Eu Esqueci como Namora”, com a participação de Maiara e Maraisa, além da faixa mais recente “Eu Vacilei Mas Eu Te Amo”. Ambas contam com grandes números no YouTube e tocam na rádio, mas não alcançaram, nem de longe, o estrago que o primeiro single que ele lançou neste anos causou.

Ter a Anitta em qualquer participação especial conta muitos pontos, pois, afinal, estamos falando da maior cantora brasileira em atividade. Se o hit do ano pertence ao Nego do Borel, os demais posições tem a presença dela. Seja em espanhol com “Paradinha”, com uma pegada sertaneja como em “Loka”, ou rebolante como em “Sua Cara”, na qual está acompanhada de Pabllo Vittar e Major Lazer.

O Nego do Borel poderia ter parado aí, mas resolveu colocar também a entidade Wesley Safadão. O ex-Garota Safada é hors concours quando falamos de forró e Nordeste. Hoje, o cantor e sua banda possuem uma média mensal de 25 apresentações no mês e, quando chegam os festejos juninos, este número dispara para 40.

Vale lembrar que neste ano, Wesley completou uma década de serviços prestados à música tupiniquim. A participação dele deu uma maior abrangência para quem não é muito chegado em funk ou pop. Mais um ponto.

Por final, a escolha do ritmo. Em 2016, o reggaeton já estava quicando pela América Latina com estrondosos hits como Carlos Vives e Shakira com “Bicicleta”, Shakira e Maluma em “Chantaje”, e J Balvin tocando “Safari”. O Brasil precisava ter o seu também.

A Anitta lançou “Sim ou Não” com o Maluma, um ano antes e deu muito certo. Era a inserção de um artista brasileiro numa receita que está dando certo nos países que já tocam reggaeton. “Você Partiu Meu Coração” é o caminho contrário. A ideia foi misturar o que já é popular por aqui (funk, sertanejo) com a batida característica do estilo. Por conta deste cuidado em estruturar o reggaeton para ouvidos brasileiros, a presença de artistas extremamente populares e um refrão grudento, a medalha de ouro fica com Nego do Borel. Eu comecei a coluna falando de listas e, por que não, terminar com uma, certo?

Para mim, a lista dos hits brasileiros de 2017 ficaria desta maneira:

1. Nego do Borel – “Você Partiu Meu Coração”

2. Pabllo Vittar – “Todo Dia”

3. MC Livinho – “Fazer Falta”

4. Simone e Simaria – “Regime Fechado”

5. Maiara e Maraisa – “Sorte Que Cê Beija Bem”

6. Ludmila – “Cheguei”

7. MC Kevinho – “O Grave Bater”

8. Wesley Safadão – “Ar Condicionado”

9. Anitta – “Paradinha”

10. Alok – “Never Let Me Go”

Como ficaria a sua, hein?

O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras.

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.


* A opinião do colunista Brunno Constante não necessariamente representa a opinião do Papelpop. No entanto, por aqui, todas as opiniões são bem-vindas. :)

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