Menu Papel POP

Você já comprou ingresso de cambista?

Seja um jogo de final de Copa do Mundo, um festival grande como o Lollapalooza ou a entrada de uma festa badalada, lá estão os cambistas com uma porção de ingressos para quem quer entrar na balbúrdia de qualquer jeito. Na minha época, o jeito mais fácil de encontrar algum na frente destes eventos era olhando para os lados e lançando a clássica frase: Compro e vendo ingresso.

Setembro mal começou e fui colocado num grupo de WhatsApp de algum cambista para comprar ingressos para o Rock in Rio. Por ali, eu tinha opção de parcelar o ingresso e ganhar descontos se o dinheiro fosse vivo. Claro que toda transação seria feita na frente da Cidade do Rock para não levantar suspeitas. O cidadão fez questão de frisar que tem anos de experiência no mercado, e ficou entendido que se rolasse algum entrave, eu poderia ter o meu dinheiro de volta.

Cambistas

Por mais que o cambismo seja uma prática ilegal, estas pessoas compõem o cenário de qualquer festividade. Uns se dão bem e conseguem o ingresso até por preço bacana, mas outros quebram a cara com falsificações ou traquinagens. Os cambistas podem ser enquadrados numa lei que tem mais de 60 anos, pois eles praticam o crime contra a economia popular.

Configura, em tese, o delito do art. 2º, IX, da Lei nº 1.521/51, a conduta do cambista que compra ingressos de espetáculo e os revende por preço superior ao real, máxime porque os cambistas, atuando de modo organizado e ardiloso, têm constantemente saqueado a economia popular com suas investidas, condicionando a diversão da população ao próprio enriquecimento.

Neste caso, o camarada que estiver vendendo o ingresso no mesmo preço ou abaixo, não está praticando crime algum. A lei aqui está mais preocupada com quem tira uma margem a mais. O lance é que o cambista não vai se preocupar com a lei vendo que a procura por algum evento é grande e há pessoas sedentas para entrar. Não mesmo.

O cambista está preparado para lidar com diversas mudanças no mercado, como um corretor de uma bolsa de valores. Ele tem um bom domínio de negócios e entende que se a procura de ingressos está boa, o preço pode ficar até acima da tabela. Quando o mar não está para peixe, é comum a liquidação por um preço de banana para voltar com algum para casa.

Normalmente, o cambista compra os ingressos por um valor muito baixo, quando não recebe cortesias de alguns broders que trabalham dentro do evento – estes recebem uma porcentagem no fim das contas. A negociação com este camarada é dura e o pagamento tem que ser bem às escuras para não chamar muita atenção dos presentes.

rock-in-rio

Eu recorri algumas vezes aos cambistas e sempre acabou dando certo. Uma vez foi no finado Tim Festival, onde comprei dois ingressos pelo preço de um para ver Arctic Monkeys, The Killers, Björk e mais alguns nomes no Sambódromo do Anhembi. Fiquei bolado, pois tinha dado todo o meu dinheiro em papel (na época não tinham estas maquininhas para qualquer um) e fui rezando para não ter pegado um ingresso ‘frio’.

O fã que é fã não deixa para última hora para comprar o ingresso da sua atração favorita, mas todo mês tem um boleto e a fatura do cartão que não pode atrasar (#prioridades). Sendo assim, deixar para última hora e tentar a sorte na mão de cambistas é algo bem comum. Você vai para a frente do estádio ou da casa de show com um dinheiro contado, toma uma birita e começa estabelecer contato visual com os vendedores para ver se consegue algo.

Se for de Zap, Instagram ou Twitter, tomem cuidado ao comprar ingresso desta maneira. Nem estou falando pelos cambistas, mas de pessoas ao redor que vão te ver com uma graninha em mãos. Tem alguma história que deu certo ou que saiu pela culatra?

brunno-constante-colunista-papelpop
O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras.

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.


* A opinião do colunista Brunno Constante não necessariamente representa a opinião do Papelpop. No entanto, por aqui, todas as opiniões são bem-vindas. :)

Comentários

Topo