Você amou ou odiou a última edição do Video Music Awards? Por mais que o evento bancado pela MTV tenha tido alguns momentos constrangedores, a premiação foi um prato cheio para quem acompanha o universo pop. Por ali tivemos estreia do clipe da Taylor Swift, a merecida consagração de Kendrick Lamar, a apresentação silenciosa de Lorde, uma provocação nada sútil do Fifth Harmony e grandes performances que foram cortadas para o informe publicitário.
Eu achei os shows bons (até o da Lorde), alguns discursos bacanas, mas fiquei com a impressão de: nossa, poderia ter sido mais impactante, esperava mais. Para quem acompanhou as chamadas do evento, nas últimas semanas, e viu a lista do que o evento iria proporcionar, seria um tiro certo.
Por mais que o VMA tenha sido um pouco sem timing, o mercado americano tem outras premiações como Billboard Awards, Grammy, BET Awards, Teen Choice Awards, People’s Choice Awards, e American Music Awards para deleite dos fãs de música. É o maior mercado de música do mundo, nada mais natural ter uma alta quantidade\qualidade de premiações para deixar todas as associações que movimentam o mercado satisfeitas em ter os seus artistas levando alguma estatueta para a casa.
Por aqui não temos tantas opções disponíveis… Com o declínio da MTV Brasil e a extinção do Video Music Brasil, em 2012 – o que temos de premiação que atenda a fatia pop no mercado é o Prêmio Multishow. E isso é bem barra. Nas últimas edições, o prêmio pareceu ser palco para uma extensão do programa humorístico “Vai Que Cola” com um acréscimo de piadas sem graça durante a festa.
Ter apenas o Multishow para distribuir o que foi melhor no popular durante a temporada é pouco, muito pouco. De acordo com a Federação Internacional da Indústria Fonográfica – IFPI – o Brasil está entre os dez maiores mercados musicais do mundo e isso é bem grande. Dentro do nosso calendário temos outras premiações interessantes como o Prêmio da Música Brasileira, Troféu APCA e Prêmio Dynamite, que atendem outros públicos da frutífera música tupiniquim.
Quando o assunto é popular, estamos mal das pernas, mesmo se ainda existisse o VMB, ainda seria pouco pelo o que produzimos. Existir um leque de premiações durante o ano é interessante em diversos pontos, mas o principal é aquecer o mercado. É fazer com que o artista lance mais singles, produza clipes e estreite a relação com os seus fãs.
Além de um prêmio ser uma peça importante para movimentar o mercado, pode ser uma grande oportunidade de divulgação e oportunidade para artistas que precisam de um empurrãozinho. Por estas bandas vimos artistas ganharem projeção nacional com a conquista de uma estatueta como Fresno, Pitty, Restart e Gaby Amarantos.
A ideia de ter mais prêmios no Brasil é que a música se aloje no cotidiano de mais pessoas e que artistas emergentes consigam um espaço melhor ao sol. Ter apenas uma grande premiação num país como o nosso é ruim para todos os lados. Por mais que exista o lema, o importante é competir, ser agraciado com uma premiação pode ser um belo fator na carreira do artista.
No ano que o Bruno Mars levou o seu primeiro Grammy, o cantor viu os seus ganhos subir de 130 mil dólares para 202 mil, e a multiinstrumentista Esperanza Spalding, que já tocou no Brasil algumas vezes, teve o seu cachê inflado de 20 mil dólares para 32 mil. Nada mais justo.
Fazer um premiação pomposa e com a estrutura necessária é contar com dinheiro em caixa e buscar parceiros dispostos a investir um bom dindim para uma festa de arromba, mas isso não é o que mais importa. Somos carentes de uma premiação relevante. Enquanto os Estados Unidos têm diversas festas durante o ano, precisamos apenas de uma. Por aqui ficamos na esperança de surgir, logo menos, algo como Kondzilla Awards, Prêmio Papel Pop, Billboard Brasil Awards, Sertanejo Choice…
Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.
Quer falar com ele? Twitter: @brunno.
* A opinião do colunista Brunno Constante não necessariamente representa a opinião do Papelpop. No entanto, por aqui, todas as opiniões são bem-vindas. :)
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