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Precisamos falar sobre a lambada e a sua pochete

A lambada é um ritmo forte e envolvente, que tocou em todos os cantos possíveis nos anos 80 e um bocadinho dos anos 90. A mistura de carimbó, cumbia, guitarrada e outros elementos latinos colocou no mapa o nome de artistas como Márcia Ferreira, Manezinho do Sax, Sidney Magal e Kaoma. A equação era imbatível. Um refrão simples com batidas dançantes para o público desenvolver coreografias com giros e piruetas. Era uma missão quase impossível fugir de ouvir lambada.

Ela estava presente nos programas dominicais, festas de casamento, formaturas. Pegava mal para algum bar não ter lambada como trilha sonora para o público bebericar. Um dos grandes nomes da lambada daquele momento, e está na ativa até hoje, é o Beto Barbosa. Eu vi uma matéria bacana dele na Trip nas últimas semanas e foi nostálgico. Quem poderia pensar que um ritmo forte como este poderia ser anacrônico da noite para o dia. Será que isso pode acontecer com qualquer ritmo?

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Não estou decretando a morte da lambada, pois esses nomes referência dos anos 80 fazem show, vendem seus discos e a cena demonstra uma safra nova com bons nomes como Figueroas e Felix Robatto. Mas não é a sombra do que foi. Como foi o dia que as pessoas pararam e falaram: ok, estamos fartos de lambada. Que venha a próxima tendência.

Nada mais natural que qualquer tipo de música absorva o que está acontecendo e reinvente por conta própria. O funk, desde os anos 80, está sendo tocado em bailes e está presente em diversas camadas da sociedade. Antes tinha um contexto social muito forte acompanhados por batidas de miami bass. Hoje é difícil você abrir o canal do Kondzilla e deparar com alguma música nesta pegada. O funk mistura trap, arrocha, rap e reggaeton. Não tem mais regra alguma para emplacar algum hit. É só comparar os últimos fenômenos como “Bumbum Granada (MC Zaac e Jerry)”, “Deu Onda (MC G15)”, “Olha a Explosão (MC Kevinho)”, “Baile de Favela (MC João)”, “Tá Tranquilo, Tá Favorável (MC Bin Laden)”. Cada um do seu jeito, sem alguma fórmula.

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Jimmy Eat World, Dashboard Confessional, New Found Glory e outros nomes que circulavam pelo circuito independente no fim dos anos 90, tinham sua base de fãs e faziam uma graninha para pagar os boletos em dia. Com a chegada do ano 2000, muitas dessas bandas tomaram uma proporção monstruosa. Ao invés de tocar em inferninhos, estavam presentes em grandes festivais. As marcas queriam patrocinar as bandas do pés as cabeças. E a trilha sonora de qualquer filme de verão adolescente tinha que ter um som desses para fazer bonito.

A maré emotiva também passou pelo Brasil e bateu no coração dos jovens. Fresno, NX Zero, Aditive, Dance of Days, Emo. e mais penca de bandas surgiram neste momento. As madeixas cobriam o olho, alguns usavam maquiagem pesada, unhas coloridas, piercing labial e cantavam sobre um amor perdido. As gravadoras queriam ter alguém desta estirpe em seu catálogo e as capas de revistas teens estampavam esta turma todas as semanas. Um belo dia as franjas foram tosadas, o discurso romântico já não era tão bacana e o estilo sumiu. Ainda temos Fresno e NX Zero no mercado, mas com uma pegada bem diferente e ainda relevante no pop rock atual.

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Como a lambada, tem alguns estilos que surgem de uma forma avalassadora, causam um baita estrago e voltam de forma branda para o seu hábitat. Eu vejo estes fenômenos como uma pochete. Quando é moda todo usou e abusou dela. Um belo dia disseram que era algo brega, cafona e determinaram o desuso do acessório. Depois de um tempo hibernando, a pochete voltou de forma repaginada por algum influenciador.

Você nada conforme a maré de ritmos que estão em alta ou não se importa em ouvir algum estilo que já passou?

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O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras.

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.

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